| CBB/Marcelo Ferrelli/Divulgação |
 Paulo Bassul já classificou Brasil para o Mundial |
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O técnico da Seleção Brasileira feminina de basquete, Paulo Bassul, 41 anos, está no comando da equipe há dois anos e esteve outros oito como assistente técnico. O brasiliense começou como treinador com apenas 16 anos, na equipe infanto-juvenil da AABB-DF. Bassul também foi técnico das Seleções de base Sub-19 e Sub-21. Na sua atuação como assistente técnico, auxiliou Antonio Carlos Barbosa, que conquistou a medalha de bronze na Olimpíada de Sidney (2000).
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Como técnico da Seleção feminina adulta , foi campeão sul-americano (Equador 2008) e conquistou o terceiro lugar no pré-olímpico das Américas (Chile 2007). Paulo Bassul está em Cuiabá (MT) com as jogadoras brasileiras disputando a Copa América. Garantido na final diante da Argentina, neste domingo, às 21h30, ele já assegurou à Seleção uma vaga para o Mundial da República Checa, que será disputado em 2010.
Bassul, em uma entrevista exclusiva ao Terra, falou sobre a nova equipe feminina, composta por jogadoras experientes e novatas. Além disso, o técnico comentou sobre o resultado modesto na Olimpíada de Pequim (2008), explicando que houve muitos problemas, como jogadoras que se machucaram ou ficaram doentes. Para encerrar, ele comentou como é trabalhar com a Hortência, diretora do departamento feminino da CBB e responsável por cuidar das seleções de base e principal. Bassul disse que ela não interfere no seu trabalho.
Terra - Na Copa América você colocou na Seleção jogadoras experientes e novas que buscaram uma vaga no Mundial. Qual a sua avaliação? Elas estão preparadas para a disputa?
Bassul - O grupo está evoluindo bastante de um jogo para outro. Tivemos quatro jogos antes da partida de quarta (estreia, diante de Porto Rico). No segundo tempo da partida do amistoso contra o Canadá, no sábado retrasado, a equipe esteve solta. Essa mescla é importante, porque com as jogadoras experientes você dá sustentação para resultados em curto prazo e ao mesmo tempo acelera o processo de maturação das jovens. O contato com elas é importante no treinamento e no confronto. Você tendo as jogadoras mais jovens, vai guiando a base para competições futuras, dando experiência para esse grupo também. Então a mescla é positiva e o ambiente entre elas é muito harmonioso.
Terra - Não é arriscado colocar jogadoras novas?
Bassul - Não, porque temos um grupo mesclado. Então, a equipe tem experiência suficiente para sustentar a competição. Tem gente que acha que eu devia renovar mais, outros que devia renovar menos. Essas opiniões sempre vão existir. A gente está tentando fazer um trabalho equilibrado, gradativo e o grupo está respondendo bem.
Terra - Cuba, Canadá e Argentina são os adversários mais difíceis? Quais são as qualidades dessas equipes e como o Brasil está se preparando?
Bassul - Essas três são as mais tradicionais que, juntamente ao Brasil, são os mais fortes candidatos ao título. Eu colocaria Porto Rico como quinta força. É uma equipe bem fundamentada. Varias jogadoras oriundas de universidades americanas, então são bem fundamentadas e tem uma influência forte, tanto no masculino como no feminino.
Terra - Para essas três equipes, tem algum treinamento especial?
Bassul - A gente treinou vários tipos de situação. Os amistosos serviram para isso. Variamos bastante, pressão individual, pressão zona quadra inteira, meia pressão zona, defesa mista. Treinamos várias possibilidades, vai depender da necessidade. A gente já tem um sistema já trabalhado e não vamos criar sistemas novos. Até porque não existe a necessidade.
Terra - O calor é um fator que dificulta o jogo em Cuiabá?
Bassul - Olha, eu esperava até mais calor. A gente deu sorte, até pela chuva nos últimos dias. Eu estou sentindo tudo muito tranqüilo aqui, não estou vendo nenhum problema. O que é para todas as equipes não me incomoda. O ruim é quando é um problema localizado na minha equipe, aí é uma preocupação que eu tenho. A partir do momento que é uma coisa geral, não me preocupo. Nós estamos tomando cuidado com hidratação e alimentação. Saímos com um manual de instrução para esses dois itens quando saímos de São Paulo para cá.
Terra - Porque vc cortou Karina Jacob e Nadia para a Copa América em Cuiabá?
Bassul - São opções técnicas. Como tinha convocado 24 e cortei 12, não dá para argumentar sobre os cortes. A gente explica o porque dessas que ficaram. As que ficaram é o grupo que estava em melhor condição nesse momento para suportar uma competição como essa. São jogadoras experientes e outras novas, e a gente montou uma equipe versátil. Não são decisões definitivas, mas para essa competição.
Terra - Qual é a característica principal desse grupo e o que o difere de Pequim 2008?
Bassul - A volta de algumas jogadoras maduras, como Alessandra e a Helen. A troca de algumas, saiu Carla, Claudinha, entre outras. A gente trouxe outras jogadoras. Eu acho que a equipe chega mais preparada para essa competição. Em Pequim tivemos problemas. Tivemos jogadoras que se machucaram. A Adrianinha teve pneumonia duas semanas sem treinar, às vésperas da Olimpíada, a Helen teve estiramento posterior por 15 dias sem poder colocar o pé no chão... coisas que atrapalharam a performance e a equipe não chegou lá. A Olimpíada não permite isso, a equipe tem que chegar bem.
Terra - Após a Copa América, os dirigentes irão conversar contigo para avaliar seu desempenho e futuro na Seleção. Existe uma perspectiva do seu contrato ser permanente? Como avalia essa mudança na gestão administrativa?
Bassul - Eu acho que não é hora nem de falar sobre isso. Acho que a respeito dessa questão contratual sou muito profissional, eu tenho um contrato para a Copa América. Estamos trabalhando 200% para ir bem na Copa América e o meu pensamento é só esse. Não estou dispersando energia com o futuro. Acabando a Copa América, aí é outro problema. Senta com a confederação para conversar. É algo que nem está na minha cabeça hoje.
Terra - O Brasil é o que possui a maior média de idade entre as jogadoras - 28 anos. Você tem cinco atletas na faixa dos 32 a 34 anos. Vc está apostando na experiência para não ocorrer o que aconteceu em Pequim?
Bassul - É como eu falei nas primeiras perguntas: é a experiência, estabilidade, troca com as jogadoras mais jovens que acelera o processo de maturação delas.
Terra - Foi isso que faltou em Pequim?
Bassul Volto a dizer: em Pequim ocorreram inúmeros problemas. Tivemos problemas de contusão, de renovação muito brusca na equipe. Do Mundial de 2006 para a Olimpíada de 2008 perdemos oito jogadoras. Eu não conheço nenhuma equipe no mundo que suporte isso, e o Brasil suportou. Nós perdemos na realidade dois jogos, da Coréia, na prorrogação, e Letônia, na última bola que poderia ter mudado completamente o resultado da equipe, mesmo sem as oito jogadoras. Além disso, as remanescentes, que não foram muitas, também tiveram problemas, como a Adrianinha (pneumonia) e a Michaela (estiramento muscular). É muito problema junto para você ter uma performance e infelizmente não tivemos um resultado expressivo.
Terra - O uso de pílulas anticoncepcionais para evitar a TPM durante o torneio tem dado certo?
Bassul - Nós estamos utilizando esse trabalho e está funcionando bem. As meninas estão gostando e estão satisfeitas. Porque realmente tem menina que tem alteração de humor, e isso afeta rendimento. A partir do momento que você tem métodos legais e normais para controlar isso, sem afetar saúde e não causar nenhum tipo de problema, acredito que deve ser feito. Porque é uma variável importante e está sendo extremamente positivo.
Terra - Qual a sua avaliação da Seleção Brasileira nesse primeiro momento na Copa América? E qual a expectativa para as finais?
Bassul - O Brasil vem crescendo com jogo consistente, principalmente na defesa e no ataque. O ataque está tendo bons momentos de oscilação, mas é normal. Acho que a medida que elas forem ganhando confiança, a gente entrando no jogo, a tendência é ir se soltando mais. Isso já vem acontecendo com algumas. Mas basicamente é isso, tem demonstrado uma constancia defensiva que está sendo crucial para os resultados positivos. Vamos continuar nessa linha de pé no chão e cabeça no lugar. Tem que matar um leão por dia.
Terra - Tem alguma preparação especial?
Bassul - Com certeza, cada dia é diferente. Nós mantemos o sistema e o padrão tático, mas trabalhamos com vídeo. Nós editamos os vídeos dos adversários e posicionamos a defesa de acordo com o que vamos enfrentar. Cada time é diferente do outro, não tem como marcar do mesmo jeito. O que muda é algumas regras, que muda de acordo com o adversário.
Terra - Como está a sua relação com a Iziane?
Bassul - Não é momento de falar isso, eu falo das 12 jogadoras que estão aqui. Qualquer pergunta relativa as 12, eu estou respondendo.
Terra - Como é sua relação com a Hortência? Ela interfere no seu trabalho?
Bassul - Não, cada um tem a sua função. Ela tem um cargo administrativo e não técnico. Então ela está trabalhando muito bem na função dela, lutando atrás de um monte de coisas melhores, como estrutura, por exemplo. A relação é excelente, ela é muito profissional nesse aspecto, deixa a gente trabalhar tranquilo como técnico, sabe que é uma outra função. Essas decisões internas da quadra, que diz respeito à equipe, são totalmente técnicas e não tem nenhum tipo de interferência ou imposição. É óbvio que como uma ex-jogadora que tem tempo de quadra, trocar figurinhas e ideias, mas sempre no sentido de trocar ideias que a gente troca com várias jogadoras ou pessoas com experiência. A decisão final de como vai trabalhar, as decisões dentro da quadra a gente tem autonomia e tranquilidade. Isso não tem nenhum tipo de interferência.
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