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Uma bola do Campeonato Argentino de 1914, várias camisas, objetos da Copa do Mundo de 1978 e até a estátua de um técnico integram uma exposição montada em Buenos Aires em homenagem aos torcedores portenhos, famosos por sua paixão incondicional.
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"A bola, uma paixão. O campo, uma emoção. O futebol e os portenhos, na memória", que se exibirá no Museu da Cidade até o próximo dia 31 de janeiro, conta a história do futebol de Buenos Aires a partir do olhar do torcedor.
"Queríamos demonstrar que a personalidade do torcedor portenho é tão forte que supera a crise pela que atualmente está atravessando o mundo do futebol", explicou à Agência Efe Eduardo Vázquez, diretor do Museu da Cidade.
Vázquez, que considera que hoje em dia a paixão pelo futebol é mais comercial que esportiva, definiu o torcedor de Buenos Aires como "o melhor e mais apaixonado técnico que existe para um clube".
"Ele sabe tudo, discute tudo e tem as melhores soluções para os problemas de sua equipe", explicou.
Uma bola usada pela primeira vez no Argentino de 1914 e chuteiras da década de 1940 são, entre muitos outros objetos, as peças que se destacam na mostra, organizada pela Secretaria de Cultura de Buenos Aires e que é exibida junto a coleções pessoais dos torcedores.
"A intenção é que eles mesmos façam parte de sua homenagem, porque não há melhor forma de contar a história do que através da lembrança de quem viveu aquilo", contou Vázquez.
Todas essas peças, segundo o organizador da exposição, mostram uma diferença "muito ilustrativa" do desenvolvimento do futebol na Argentina.
"Antes, o jogador deixava a alma no jogo, mas agora são como empregados de uma empresa privada", argumentou.
Para Vázquez, o torcedor argentino recebe um tratamento ingrato algumas vezes, pois os jogadores não jogam como deveriam "ou porque seus contratos não permitem ou porque têm a cabeça no clube europeu que os contratou".
O exemplo é ilustrado pelo diretor do museu com o argentino Lionel Messi, que brilha no Barcelona, mas que recebeu críticas nas últimas partidas que fez pela seleção de seu país.
"Mesmo assim, a paixão deste tempo pelo futebol é incontrolável", assegurou.
A mostra inclui também uma vitrine com objetos da Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina, com garrafas de vinho, cinzeiros, chaveiros e cartazes de propaganda do torneio que teve os anfitriões como campeões.
A exposição reúne também camisas dos clubes portenhos e da província de Buenos Aires, entre elas raridades dos grandes Boca Juniors e River Plate, ou dos mais modestos como Vélez Sarsfield e Huracán.
"As camisas são as que melhor representam a paixão pelo futebol porque foram nelas que os torcedores que as trouxeram transpiraram", explicou Vázquez.
Mostra da paixão dos portenhos pelo futebol é a estátua que os próprios torcedores de um pequeno clube mandaram construir para o técnico do time e que também está nessa exposição.
Para comemorar a primeira transmissão por rádio de um jogo de futebol na Argentina, que aconteceu em 28 de setembro de 1924, a exposição inclui um transmissor portátil.
No museu há também fotografias dos participantes do tradicional torneio organizado pela Associação Argentina de Atores, onde é possível ver os grandes astros do país.
A exposição procura, segundo Vázquez, premiar os cidadãos que juntam dinheiro a semana toda para ir nos domingos ao estádio e manter vivo o futebol argentino.
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