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Quarta, 4 de novembro de 2009, 14h49 
Posto de arremessador de fechamento segue em aberto nos Phillies
 
Ben Shpigel
 
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Charlie Manuel, o técnico do Philadephia Phillies, se referiu a Brad Lidge como "nosso arremessador de fechamento" mais ou menos 900 vezes nos dois últimos meses, mesmo nos dias em que Lidge nem sai do banco para se aquecer enquanto Ryan Madson assume os arremessos em situações complicadas e se responsabiliza por decidir partidas.

Foi o que aconteceu na noite de segunda-feira, na quinta partida da World Series, a decisão do campeonato norte-americano de beisebol profissional, quando Manuel optou por manter Lidge fora da equipe e Madson fechou, com dificuldade, uma vitória por oito a seis contra o New York Yankees.

E pode ser que isso volte a acontecer no jogo 6, dessa vez no Yankee Stadium, hoje à noite, quando a única certeza sobre os arremessadores do Phillies é que chegará um momento em que a porta se abrirá e alguém de boné vermelho e uniforme cinzento entrará em campo.

Os Phillies voltaram ao ponto em que estava no começo da pré-temporada: não há um arremessador definido para fechar partidas. Mas agora eles estão entrando no jogo decisivo da temporada - ou, esperam, nos dois jogos-, e com dúvidas renovadas sobre a capacidade de seus arremessadores para superar sem desastres os difíceis momentos finais de uma partida.

Em entrevista, na terça-feira, Manuel uma vez mais definiu Lidge como "o nosso arremessador de fechamento". Mas também respondeu a uma pergunta sobre Lidge dando a entender que Madson poderia ser usado.

"Não estou tentando ser espertinho, mas provavelmente vou usá-lo da maneira que quero, quando chegar a hora, dependendo de como eu me sentir", disse Manuel, sobre Lidge. Depois, em referência a Rich Dubee, o técnico de arremessadores da equipe, ele disse que "conversarei muito com Dubee no banco e decidiremos qual deles vai entrar".

Por mais que Manuel tenha insistido em que desejava propiciar um descanso a Lidge, que segundo ele está sofrendo de um desgaste mental, não havia situação melhor para colocá-lo em campo do que no jogo cinco, disputado em casa e com vantagem de três corridas a favor do Phillies nos últimos períodos. Se ele tiver de entrar em campo para decidir a partida no Yankee Stadium, o desafio será ainda maior.

"Certamente sim", respondeu Manuel quando perguntado se ainda confiava em Lidge, que em 11 jogos da temporada regular perdeu oportunidades de save. "Creio que a única coisa que estou tentando fazer com Brad Lidge é deixá-lo em boas condições. A verdade é que sempre confiarei nele. É um jogador de muito talento, e o provou no ano passado, quando fechou 48 dos 48 jogos em que arremessou para nós".

Ao longo dos playoffs da National League, os arremessadores de fechamento dos Phillies tiveram papeis definidos: Madison entrava no oitavo período, Lidge entrava no novo período, e todo mundo cruzava os dedos.

Mas então veio o jogo 4. Lidge conseguiu eliminar os dois primeiros rebatedores e estava a uma bola de conduzir os Phillies ao nono período com o placar empatado em quatro a quatro antes que uma sucessão de maus arremessos resultasse no desfecho que os torcedores de Filadélfia há muito temiam (uma vitória por sete a quatro para os Yankees).

Até o domingo, Lidge havia arremessado durante quatro períodos sem permitir pontos ao adversário, em cinco partidas de playoff.

Mas naquela noite, Lidge inexplicavelmente alterou seu estilo de arremesso e lançou principalmente bolas rápidas, e não bolas de efeito, contra Alex Rodriguez e Jorge Posada, que produziram as rebatidas que deram a vitória ao Yankees. Lidge disse depois do jogo que deveria ter recorrido às bolas de efeito mais cedo.

Caso uma situação semelhante surja na quarta-feira, Manuel pode repetir o que fez em setembro e procurar uma formação favorável. Um dos pontos fortes de Madson são suas bolas cruzadas, que servem para neutralizar rebatedores canhotos. A depender de quem esteja rebatendo para os Yankees, Manuel pode usar uma combinação de Madson e Lidge no nono período.

Mas a probabilidade de que isso aconteça depende de que Pedro Martinez, que começará arremessando no jogo seis, fique em campo por tempo suficiente para que Manuel não precise recorrer ao banco antes do esperado. Os únicos arremessadores que Manuel se recusará a usar na quarta-feira são Cliff Lee e Cole Hamels, que quase certamente seriam os arremessadores iniciais em um potencial jogo sete.

"Talvez seja exatamente isso que faremos", disse Manuel, acrescentando que "não costumamos questionar o passado ou tentar prever o futuro".

Os Yankees têm a vantagem de contar com uma situação mais definida para os arremessadores de fechamento. Joba Chamberlain e Damaso Marte assumiram papeis importantes e ajudam a cobrir a posição de arremessador até que Mariano Rivera, o indomável arremessador de fechamento oficial da equipe, possa entrar em campo, nos períodos finais das partidas.

Depois dos 39 arremessos que fez no jogo dois da série contra os Phillies, Rivera precisou de apenas 13 arremessos para liquidar a fatura contra o adversário nas duas outras vitórias dos Yankees. Com uma carga de trabalho leve e dois dias de folga, Rivera provavelmente estará pronto para arremessar durante dois períodos inteiros no jogo seis, se necessário.

Caso os Yankees estejam na frente, seria um tremenda surpresa que qualquer outro jogador que não Rivera arremesse nos dois períodos finais. É para isso que o time o contratou, afinal.

Manuel costumava estar certo de que Madson e Lidge arremessariam para seu time no oitavo e novo períodos. Mas em que ordem, ninguém mais sabe.

Tradução: Paulo Migliacci
 

The New York Times