O uso de um desfibrilador semi-automático (aparelho que dá choques cardíacos) poderia ter evitado a morte do zagueiro Serginho, na noite de ontem, durante o jogo entre São Caetano e São Paulo. A opinião é de três especialistas em cardiologia ouvidos pela Terra.
O jogador sofreu um arritmia cardíaca (problemas com o ritmo elétrico do coração) que provocou uma fibrilação (desordem nos batimentos cardíacos de ordem ventricular) e causou a parada cárdio-respiratória.
Como havia desfibrilador apenas na ambulância do estádio, os primeiros socorros dentro do gramado foram feitos com massagem respiração boca-a-boca e massagem cardíaca. A operação durou cerca de três minutos e só após isso Serginho foi atendido dentro da ambulância.
"Deveriam ter esse desfibrilador. É um aparelho que já dá um diagnóstico e diz ao operador se é necessário dar o choque", disse o cardiologista Ari Timerman.
Ele explicou que o jogador sofreu o que se chama de parada cardíaca súbita. "É quando se desenvolve um ritmo cardíaco anormal, chamado fibrilação ventricular (FV). Um coração nesse estado é um coração em caos, que não bombeia sangue."
O cardiologista Nabil Ghorayeb também acha que o desfibrilador deveria ter sido utilizado antes.
"Nas paradas cardíacas súbitas o coração se desconecta, fibrila, não bombeia mais sangue. Pode ser por excesso de esforço, por alguma anomalia adquirida ou congênita, ou outro problema desconhecido. E a forma de ressuscitação é através de choques elétricos", afirmou, fazendo referência ao aparelho.
Tsuneo Goto, especialista em ritmo elétrico do coração, também acredita que o desfibrilador semi-automático talvez tivesse revertido o caso. "Quanto mais rápido é dado o choque, mas chance tem o paciente. Ele só teve esse atendimento no centro médico. Em campo, as possibilidades de reversão do quadro seriam maiores", afirmou.
- Redação Terra
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