O cardiologista Nabil Ghorayeb defende que os clubes de futebol sejam obrigados, por lei, a realizar exames completos em seus atletas duas vezes por ano.
Preste sua homenagem a Serginho
"Faltam exames regulares. São poucos os clubes no Brasil que fazem isso. O São Paulo é um exemplo nesse sentido", explicou.
Para ele, é impossível um atleta de alto nível realizar esforço físico tendo Doença de Chagas, por exemplo, mas um exame realizado há alguns anos constatou que 20 atletas, das mais diversas modalidades, tinham a doença.
"É uma loucura, mas real. A prevenção, antes de mais nada, é que evitaria que mais tragédias como essa acontecessem", disse.
Ghorayeb acha que o uso do desfribilador semi-automático deveria ser autorizado por lei.
"Hoje é proibido. Ele é um aparelho para ser usado por pessoas que não são médicos. Mas a legislação brasileira não permite que um leigo o opere. Se a pessoa morrer, o atendente de emergência pode ser acusado de homicídio. O conceito precisa ser revisto, pois muitas vidas seriam salvas", garantiu.
Já ex-médico do Corinthians, Osmar de Oliveira, atualmente comentarista esportivo da TV Record, disse que a morte do zagueiro Serginho, do São Caetano, foi uma fatalidade, mas cobrou da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) uma maior atenção com todos os atletas brasileiros, em todas categorias e independente do clube.
"A CBF deve refletir sobre isso e obrigar os clubes a fazerem exames médicos em todos jogadores e, principalmente, nos garotos das categorias de base. Não apenas nos clubes de ponta do futebol brasileiro, mas em todos os atletas. Independente do lugar que seja", disse Osmar de Oliveira.
Quanto aos exames que teriam identificado um problema cardíaco em Serginho no começo do ano, Osmar de Oliveira diz que, se existisse algo, era tão pequeno que não haveria prevenção.
"Ele tinha uma pequena arritmia, que é algo muito comum, mas foi uma fatalidade. Se a TV mundial comparar o socorro prestado no Morumbi com outras tragédias vão ver que foi tudo feito corretamente. Eles chegaram no hospital em cinco minutos, por exemplo", comentou.
"A cunhada dele me disse que ele não tomava remédio, nunca reclamou de problemas e nunca ouviu falar de qualquer termo de responsabilidade. O problema é que agora começa a "caça as bruxas", mas acho que tudo foi feito corretamente", finalizou o médico.