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O diretor de Desenvolvimento da Fifa, Thierry Regenass, afirmou nesta sexta-feira que a entidade investirá US$ 70 milhões (R$ 121 milhões) em projetos para o desenvolvimento do futebol no continente africano por causa da realização da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.
Em Túnis (Tunísia), onde apresentou à imprensa os planos da Fifa para o continente, Regenass explicou que o órgão máximo do futebol mundial pretende fazer com que o primeiro Mundial realizado no continente "deixe um legado permanente" em toda a África.
O programa lançado pela entidade, denominado "Vencer na África com a África", inclui um investimento de US$ 38 milhões (R$ 65,7 milhões) para a construção de 53 campos de futebol em 52 países, além de apoio no fornecimento de equipamentos, consultoria e administração para os diferentes campeonatos nacionais.
Além disso, a Fifa ministrará cursos para executivos ligados ao futebol africano, realizará seminários sobre medicina esportiva e formará mais de 4 mil jornalistas esportivos.
Um das prioridades da Fifa é também o desenvolvimento do futebol feminino na África, ao qual dedica cerca de US$ 10 milhões (R$ 17,3 milhões) anuais.
"Estamos aumentando a popularidade do futebol entre as mulheres, que praticam cada vez mais esse esporte", disse Regenass. Para cumprir esse objetivo, a Fifa organizou nesta semana, em Túnis, um seminário internacional sobre o futuro do futebol feminino no continente.
A cubana Mayrilian Cruz Blanco, executiva responsável pelo desenvolvimento da modalidade na África, disse
que pelo menos 15 % da verba que as federações locais deverão receber da Fifa serão investidos no futebol feminino.
"Embora existam diferenças em cada país quanto aos números, as equipes e o número de jogadoras aumentam a cada dia", explicou. Segundo a dirigente, os países onde o desenvolvimento do futebol feminino enfrenta maiores dificuldades são aqueles onde a maioria da população é muçulmana.
Por outro lado, em países como Tunísia ou Jordânia, o esporte tem ganhado cada vez mais adeptas, e se transformou em uma ferramenta a mais para o desenvolvimento social das mulheres.
Belatha Huifir, técnica da seleção juvenil feminina da Tunísia, admitiu ue encontrou muitas dificuldades em seu país, onde "há quem diga que uma mulher que joga futebol ficará musculosa, com o corpo deformado".
"Vivo em uma cidade pequena e comecei jogando com meninos. Meus pais não gostavam da ideia e as notícias que saíam na imprensa também não ajudavam muito nos primeiros anos", afirmou.
No entanto, ela garante que, pouco a pouco, a prática foi aceita no país, embora diga que "ainda há muito o que melhorar".
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