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Quinta, 28 de outubro de 2004, 16h58  Atualizada às 17h12
Médicos pretendem investigar mortes no esporte
 
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O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME), o médico Ricardo Munir Nahas, disse ao Terra Esportes, em entrevista por telefone, que já existe a possibilidade da criação de um fórum de debates para se tentar descobrir o motivo de tantas mortes recentes terem acontecido no meio esportivo.

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    "O que a gente vem percebendo é que está se tornando cada vez mais freqüente esse tipo de caso (como o da morte do jogador Serginho, do São Caetano). Mas não podemos garantir, até por falta de estudos específicos, que o número esteja crescendo", falou.

    Para Munir, Serginho poderia sofrer de uma doença congênita chamada miocardiopatia hipertrófica: "Ela aumenta o tamanho do músculo cardíaco e causa interferência nas válvulas cardíacas. A dinâmica do coração fica ruim e o esforço pode desencadear a fibrilação", afirmou.

    O médico esclareceu que essa doença, normalmente, se manifesta em pessoas de até 35 anos: "Passada essa fase, os riscos dizem mais respeito a problemas coronarianos", explicou.

    Munir esclareceu que o esforço físico aumentado no esporte moderno contribui para doenças crônicas, principalmente do aparelho locomotor: "O atleta será cobrado, no futuro, por essa exposição constante a um ritmo de estresse físico", disse.

    O presidente da SBME deixou claro que sua entidade tem uma posição contrária a esse tipo de situação: "Toda prática esportiva em um país tropical deveria ser realizada longe do sol. Como isso não acontece, dependendo da temperatura e da umidade, a competição deveria ser parada a cada 15 minutos para a hidratação dos atletas."

    Para Munir, a hipertemia (condições em que o corpo atinge 38º C pela exposição ao calor excessivo) é uma das causas que pode favorecer reações desfavoráveis ao coração: "É como se o indivíduo tivesse febre, mas sem nenhuma infecção", finalizou.

    Jogador não é máquina

    Inconformado com a morte do zagueiro Serginho, o goleiro corintiano Fábio Costa disse que o atleta profissional não é máquina: "Precisam ser revistos os conceitos que existem hoje no futebol. O futebol é muito mais físico do que qualquer coisa. O jogador é levado à exaustão, pelas viagens, pela pressão dos resultados, pela vida particular, pelos jogos", afirmou.

    Para Costa, existe uma exploração do atleta profissional: "As pessoas precisam aprender que jogador de futebol não é máquina, é um ser humano qualquer, que tem problemas, tem suas limitações físicas e não é respeitado pela pessoas que fazem o calendário e eles pouco se importam que o Campeonato Brasileiro vai terminar dia 19 de dezembro e em 19 de janeiro já começa o Paulista. Vamos ter 15 dias de férias depois de um Brasileiro de viagens longas, com jogos decisivos e estressantes", finalizou
     

  • Redação Terra