No dia 6 de dezembro, o Coritiba vivia um dos dias mais tristes de sua história. Além da queda à Série B do Campeonato Brasileiro, o Estádio Couto Pereira foi palco de uma selvageria protagonizada por torcedores que invadiram o gramado. O campo se tornou um palco de guerra entre fãs, jogadores, comissão técnica, policiais e seguranças.
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Passado uma semana da confusão que pode render perda de 30 mandos de campo, a torcida voltou ao já interditado Couto Pereira, mas desta vez para uma ação pacífica em que centenas de aficcionados alviverdes deram um abraço simbólico no estádio.
A idéia surgiu em um site de relacionamento na semana seguinte aos atos de vandalismo. Com a ação, eles tentam resgatar a imagem da torcida, arranhada após o tumulto que sucedeu o empate com o Fluminense e decretou o rebaixamento da equipe paranaense.
"Todas estas pessoas estão aqui hoje para mostrar que nossa torcida não é formada por aquele bando que invadiu o gramado, que causou aquela selvageria. Estamos aqui para dar um abraço na nossa segunda casa. É difícil voltar aqui, mas estamos por amor", explicou, emocionada, a secretária administrativa Fernanda Rafaela Oliveira, 28 anos.
Ainda chorando ao relembrar os fatos que marcaram a última partida do Coritiba na Série A, Fernanda não é contra a severa punição que o clube deve receber em julgamento marcado para esta terça-feira, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A procuradoria da entidade denunciou o Coritiba em três artigos e a pena pode chegar a perda de 30 mandos, além de multa de R$ 620 mil.
"Tem que ser punido para que sirva de exemplo e para isso não se repetir. Se o Coritiba não for punido, isso vai continuar acontecendo aqui e em outros locais", afirmou Fernanda.
Já o açougueiro André Ferreira Teixeira, 23 anos, é contra uma punição tão pesada quanto à sugerida pela procuradoria, embora se diga envergonhado pelo episódio que sucedeu o jogo Coritiba x Fluminense. "A torcida não tem que pagar por meia dúzia que invadiu o campo. Hoje estamos aqui em família, com crianças. Essa é a torcida do Coritiba e não se deve punir todo mundo por isso", comentou o jovem que estava com a família no manifesto.
Alguns funcionários do clube também acompanharam a ação e participaram do "abraço". O estádio que estava fechado no início da concentração dos torcedores teve os portões do estacionamento aberto para que o ato fosse completo.
"Não é surpresa alguma ver todas estas pessoas aqui. Esta é nossa torcida verdadeira. Estas pessoas leais, que estão aqui com suas famílias em uma manifestação pacífica. E por isso é que abrimos os portões para que este abraço fosse dado por completo", disse o conselheiro Pierpaolo Petruzziello.
- Especial para Terra

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