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 Natureza e racismo são motivo de protestos na São Silvestre
31 de dezembro de 2009 16h30 atualizado às 18h51

Homem-torre protestou contra apagão. Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press

"Homem-torre" protestou contra apagão
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press

Em meio a muito bom humor e disposição, a largada da São Silvestre também é palco habitual de protestos. Em 2009, como de costume, a Avenida Paulista recebeu atletas amadores que aproveitaram a ocasião para mandar seu recado.

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Correndo com uma espécie de caixa d'água na cabela, Carlos Alberto Sampaio da Luz protestava exatamente contra os problemas hídricos mundiais. Aos 53 anos, o funcionário público do Guarujá alertou os colegas de pista para o perigo da má utilização dos recursos naturais.

"O progresso pode acarretar na falta de água limpa. Há muita invasão nos manguezais, nos mananciais. Isso é um protesto, porque o ser humano vai morrer de sede. O aquecimento global ainda está acabando com as geleiras do planeta", afirmou "Carlos Corredor", que disputa a prova pela 10ª vez.

Outro atleta amador que aproveitou o espaço para protestar foi o mineiro Delmário Alves de Oliveira, 48 anos. Segurança de escola em Formiga, Delmário é mais um "veterano" da prova, que disputava pela 14ª vez. Sem fantasia, mas com uma placa, ele utilizava o espaço para reclamar do racismo no Brasil.

"O racismo no Brasil está muito grande", justificava Delmário, que não pretendia levar sua placa até o final da corrida. "Pesa um pouquinho. Corro uns quatro quilômetros com a placa, depois jogo pelo caminho. Só completei com ela uma vez", afirmou.

E em meio a tantas causas, sobrou protesto até para a organização da corrida. Vindo de Nova Odessa, no interior de São Paulo, Bento Cardoso de Oliveira queria que os banheiros químicos providenciados para a São Silvestre fossem colocados também mais próximos da largada ¿ atualmente, se concentram perto da chegada, quarteirões antes. "O pessoal não volta pra lá e acaba fazendo por aqui mesmo", disse Bento, 50 anos.

Mas mesmo com tanta fantasia e clamor, os corredores também tem suas metas para a corrida. Delmário quer manter sua média, que varia entre 1h15min e 1h20min. Já Carlos quer completar os 15 km em 1h35min, igualando seu melhor tempo. "Vou mais pra fazer a festa com o pessoal", disse o paulista, que também já protestou contra o caos aéreo no Brasil, contra os políticos do país e contra George W. Bush.

Redação Terra