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Polêmico, título mundial do Corinthians completa 10 anos

14 de janeiro de 2010 07h26 atualizado às 11h26

Corinthians conquistou a disputada e polêmica taça do Mundial 2000. Foto: Getty Images

Corinthians conquistou a disputada e polêmica taça do Mundial 2000
Foto: Getty Images

Um grande acontecimento para o Corinthians e todo o futebol brasileiro e mundial completa exatos 10 anos nesta quinta-feira: foi em 14 de janeiro de 2000 com Maracanã lotado e decisão dramática por pênaltis que os corintianos comemoraram seu título mais importante em quase 100 anos de vida: o primeiro Mundial de Clubes realizado pela Fifa.

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Até hoje, a competição é contestada por muitos brasileiros, já que na época envolveu fatores que deram margem para bastante discussão. Apesar disso, todo corintiano celebra o título, enquanto todo vascaíno lamenta a derrota triste de um grande esquadrão.

No mesmo ano, houve outro campeão: o Boca Juniors, que superou o Real Madrid no final do ano no antigo Mundial Interclubes (torneio que envolvia apenas o campeão europeu e sul-americana). A competição da Fifa, por sua vez, depois do título do Corinthians, teve um hiato de cinco anos, retornando em 2005.

Para jogadores corintianos presentes na conquista, é sim motivo para comemoração o aniversário de 10 anos desta quinta. "Não tenho nada a ver com isso (indicações da Fifa), o importante é que ganhei e está na história (gargalhada). Isso para a gente é uma coisa que está lá, ficou marcado. É o título mais importante da história do Corinthians", afirma o atacante Luizão, centroavante do Corinthians na época.

Kléber, o mais jovem dos titulares e agora no Internacional, endossa: "até hoje, outros clubes criticam, mas para o corintiano ficou como um Mundial válido. Sempre vou lembrar porque não entramos como favoritos diante de Real e Manchester, mas nossa equipe demonstrou que tinha condições de brigar com os europeus", também diz ao Terra.

Capitão corintiano na conquista, Freddy Rincón joga a culpa das discussões nas costas da entidade organizadora. "É problema da Fifa que organizou. Me considero campeão mundial e todos os que ganharam também se consideram".

Entenda o porquê da polêmica com o Mundial

Organizado pela Fifa com o suporte da Traffic, o Mundial de Clubes de 2000, transmitido para os brasileiros em tv aberta apenas pela Bandeirantes, trouxe um novo formato de disputa. Foram convidados um total de oito clubes, unindo todos os continentes. Aí se inicia a discórdia.

Como foi organizado em janeiro, o torneio se adiantou nos convites, ainda que muitas competições terminassem poucos dias antes do Mundial de Clubes, cuja abertura foi no dia 5 de janeiro. Do Brasil, foram indicados dois campeões da temporada 98: o Vasco, representante da América do Sul pelo título da Libertadores, e o Corinthians, representante do país sede como campeão brasileiro. Os corintianos fariam o bi em 99, mas oficialmente entraram pelo título de 98.

Também do mesmo ano, chegaram o Real Madrid, como o campeão do Mundial Interclubes do ano anterior, e o Al Nassr, campeão da Supercopa da Ásia. Obedecendo a lógica, completaram a chave quatro campeões continentais de 1999: Manchester United (Europa), Raja Casablanca (África), Necaxa (Concacaf) e South Melbourne (Oceania).

Outro fato que contribui para as discussões é que a fórmula só voltou a se repetir em 2005, tendo se fixado definitivamente pelos anos seguintes. Durante o ano 2000, foi realizado até mesmo um sorteio para a edição 2001, que teria o Palmeiras (campeão da Libertadores de 1999) e seria realizada na Espanha. No entanto, o torneio foi cancelado após a falência da ISL, empresa que fazia o marketing da Fifa.

Grande espetáculo

Apesar das discussões, o Mundial de Clubes de 2000 foi de grande valia para o futebol brasileiro, que ganhou uma exposição pouco tradicionalmente vista no exterior. A junção de um Vasco com Romário e Edmundo colaborou ativamente para isso, bem como a presença do Corinthians, já bicampeão brasileiro.

"Aquele era um time memorável e a gente ficou para a história, o que é uma grande alegria", afirma o ex-corintiano Luizão, campeão da Libertadores de 1998 com o Vasco. "Eu era muito jovem e já conquistei um título inédito. Rincón para mim era como um pai e ajudava muito os garotos da época. Quem escutou se deu bem. Marcelinho era um ídolo, mas o Rincón era uma referência", diz Kléber, 19 anos na época.

Os jogos do Vasco na primeira fase tiveram públicos impressionantes: 45 mil contra o Necaxa, 73 mil contra o Manchester e 66 mil contra o South Melbourne. O Morumbi lotou mesmo apenas em Corinthians x Real Madrid, com 55 mil espectadores. A decisão entre brasileiros levou um total de 73 mil torcedores novamente ao Maracanã.

Para os corintianos e vascaínos, antes da final, ficaram marcados também os confrontos contra Real Madrid e Manchester United, respectivamente. No Maracanã embaixo do sol de janeiro, o Vasco esmagou o então campeão europeu. Beckham, expulso na estreia, não viu de dentro do campo o show concedido por Romário, dois gols, e Edmundo, um gol histórico com drible da vaca de costas sobre Silvestre: 3 a 1.

No Morumbi, o Corinthians fez um jogo memorável, duro e equilibrado contra o Real Madrid, que tinha os brasileiros Roberto Carlos, Júlio César e Sávio em campo. Anelka abriu o marcador para os espanhóis, mas Edílson arrebentou: empatou e depois virou com um drible humilhante sobre o francês Karembeu. Anelka ainda empataria com uma linda finta em Dida, que deu o troco no atacante pegando um pênalti salvador e assegurando o empate por 2 a 2.

Muito por conta dessa exibição, Edílson foi eleito o melhor do Mundial de Clubes. "Éramos amigos desde o Guarani, quando moramos juntos embaixo das arquibancadas do Brinco de Ouro. Nos entendíamos bem em campo, sem vaidade. Só posso falar coisas boas dele", elogia Luizão.

Final nervosa

Finalistas, Corinthians e Vasco fizeram um jogo equilibrado e especialmente nervoso no Maracanã. Aos moldes da final da Copa do Mundo de 94, a decisão se arrastou até a decisão por pênaltis, quando a presença de Dida, no auge, assustava qualquer cobrador. Ele havia parado Raí duas vezes na semifinal do Brasileiro e repetido a dose contra Anelka já no Mundial.

"O Dida impunha muita moral. Nosso grupo estava bem exausto, porque o jogo foi intenso e ainda teve prorrogação. Prevaleceu que nossos batedores foram muito competentes", recorda Kléber, em um tempo em que o Corinthians ia mal nessa situação - perdeu duas vezes para o Palmeiras, uma antes e outra após o Mundial.

Dida defendeu a cobrança de Gilberto, hoje no Cruzeiro. Marcelinho Carioca poderia ter se consagrado na quinta penalidade, mas chutou mal e ficou nas mãos de Helton, hoje no Porto, debutando no gol vascaíno. Se iniciava então a fama de mau cobrador de pênaltis de Edmundo, que chutou para longe o título mundial do Vasco, vice em Tóquio em 1998.

Virtual rebaixamento

O Mundial de 2000 encerrou o período de glórias para o Corinthians, que caminhou com Edu, substituto de Rincón, até as semifinais da Libertadores. A eliminação frente ao Palmeiras teve caráter trágico e finalizou o ciclo de muitos jogadores como o próprio Edu, além de Vampeta e Edílson, agredido por torcedores. Campeão do mundo, até o técnico Osvaldo de Oliveira não resistiu e caiu.

"Era um cara muito querido, a gente corria por ele. Ele foi importante, mas nós jogadores fomos muito importantes para o começo de carreira dele", avalia Luizão. "Ele soube comandar, ouvir os experientes", pensa Kléber, um dos que permaneceu. "Teve um desmanche e a remontagem não deu liga. Por sorte o time não foi rebaixado", lembra. A queda só não houve por conta da realização da Copa João Havelange, equivalente ao Brasileiro, mas sem descenço.

Para o Vasco, o ano terminou bem, apesar da derrota para o Flamengo na decisão do Campeonato Carioca. Já sem Edmundo, mas com Euller, Juninho Paulista e curiosamente com Osvaldo de Oliveira no lugar de Antonio Lopes, foi campeão brasileiro e da hoje extinta Copa Mercosul.

Dez anos após o Mundial de 2000, enfim o formato idealizado naquele ano se solidificou, mas com indicações mais cristalinas. Além disso, em 2009, enfim o torneio deixou o território japonês e foi realizado nos Emirados Árabes. Com o Brasil em alta para receber eventos internacionais, quem sabe a competição retorne em breve? A edição marcou história.

Ficha técnica da final

CORINTHIANS 0 (4) x 0 (3) VASCO

Data: 14/01/2000
Estádio: Maracanã
Árbitro: Dick Jol (Holanda)
Cartões: Felipe, Amaral, Paulo Miranda e Edmundo (Vasco); Índio, Adílson, Rincón e Luizão (Corinthians)

Corinthians: Dida, Índio, Fábio Luciano, Adílson e Kléber; Rincón; Vampeta (Gilmar) e Ricardinho (Edu); Marcelinho Carioca; Edílson (Fernando Baiano) e Luizão
Téc: Osvaldo de Oliveira

Vasco: Helton; Paulo Miranda, Odvan, Mauro Galvão e Gilberto; Amaral; Juninho Pernambucano (Viola) e Felipe (Alex Oliveira); Ramon (Donizete); Romário e Edmundo
Téc: Antonio Lopes

Pênaltis: Rincón, Fernando Baiano, Luizão, Edu e Marcelinho (Helton defendeu) para o Corinthians; Romário, Alex Oliveira, Gilberto (Dida defendeu), Viola e Edmundo (bateu para fora) para o Vasco

Redação Terra