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A Fórmula 1, esporte moderno que é o maior exemplo de consumo e do capitalismo global, chegou a Xangai, terra das bicicletas.
Chegou também o circuito de golfe European PGA, cujo nome já não é mais adequado pois a competição move-se cada vez mais para o Leste. No próximo ano será a vez do tênis e da Masters Cup, que encerra a temporada do esporte.
O mais estranho de tudo é o Xangai International Sixes, uma forma de críquete, que chegou à maior cidade da China. A última edição teve participação de Viv Richards, ex-capitão das Índias Ocidentais, considerado um dos melhores jogadores do século 20.
Glamourosa, lotada e sedenta, sem ter vergonha, por negócios e lucros, Xangai era a porta de entrada da Grã-Bretanha imperial para o leste e centro do comércio de ópio.
E foi um britânico com visão e audácia, que viajou para todas as partes do mundo para fazer fortuna, às vezes com métodos duvidosos, que levou o automobilismo para a China.
Bernie Ecclestone controla a Fórmula 1. Fazia algum tempo que ele queria levar o esporte para além de sua base européia.
Xangai e Ecclestone foram feitos um para o outro.
"Há 1,3 bilhão de pessoas na China e atualmente temos uma audiência televisiva que somente em Xangai e Pequim ultrapassa o total da audiência de toda a Europa", disse Ecclestone ao jornal The Guardian.
"Venho trabalhando há dez anos nos bastidores para conseguir o lugar certo e Xangai é certamente o lugar certo na minha visão. Da mesma maneira que levamos a Fórmula 1 para além da Cortina de Ferro pela primeira vez, na Hungria, em 1986."
CIRCUITO FUTURISTA
Xangai pagou pelo menos 325 milhões de dólares pelo direito de organizar um Grande Prêmio e construiu um circuito futurista desenhado pelo alemão Hermann Tilke em um pântano 30 quilômetros a oeste da cidade.
A pista, desenhada para representar o ideograma chinês "Shang", tem duas retas longas e uma série de curvas acentuadas e pode acomodar 200 mil espectadores sob um telhado em forma de asa.
"A pista declara ao mundo que a China chegou e, especificamente, que Xangai tem padrão mundial porque as exigências para receber isso são severas", disse Michael Dunne, da firma de consultoria Automotive Resources Asia. "Cinco anos atrás a China não poderia abrigar a corrida. Hoje pode."
O chefe da BAR, David Richards, cuja equipe é patrocinada pela gigante automobilística japonesa Honda, disse: "A China é o novo limite."
O ex-campeão mundial Jackie Stewart foi eloquente nos elogios.
"A China quer fazer um comunicado ao mundo", disse. "Isso é um exemplo fantástico da tecnologia da China e do seu compromisso. Eles tiveram o segundo maior número de medalhas de ouro na Olimpíada, em um país que na verdade não se especializou nos esportes até os últimos anos."
GOLFE
Segundo a equipe de pesquisas norte-americana E-Composites Inc, China e Índia deverão ser os próximos condutores do mercado global de golfe, que movimenta agora US$ 4 bilhões por ano.
A China tem cerca de 200 campos de golfe, incluindo alguns de padrão mundial projetados por Jack Nicklaus e Gary Player.
O Pine Valley, aos pés das Montanhas do Oeste, é o endereço mais luxuoso e exclusivo do golfe na China.
Os membros pagam cerca de US$ 125 mil pelo privilégio de fazer parte de um clube que tem uma réplica em tamanho real da Casa Branca na ala executiva de um hotel de seis estrelas.
O tênis, outro esporte de classe média, é potencialmente o maior mercado do mundo, segundo o presidente da WTA, Larry Scott.
Sun Tiantian e Li Ting surpreenderam ao vencer o torneio de duplas femininas em Atenas - justificando a estratégia da Associação Chinesa de Tênis de se concentrar nas duplas antes de partir para os jogos de simples.
"Agora estamos acostumadas à maneira como os adversários internacionais jogam tênis", disse Sun. "Por exemplo, não sabíamos a velocidade da bola."
PROBLEMAS
Mas também há problemas no esporte chinês. Bandeiras japonesas foram queimadas e torcedores e jogadores do Japão tiveram que ser escoltados por causa da revolta local depois da derrota da China por 3 a 1 para o Japão na final da Copa da Ásia, em Pequim, em 7 de agosto.
O doping também arranhou a imagem da China durante os anos 1990.
Sete nadadores estavam entre os 11 atletas chineses que testaram positivo para esteróides nos Jogos Asiáticos de Hiroshima, em 1994. Quatro anos depois, Yuan Yuan e seu técnico foram desclassificados do campeonato mundial de natação em Perth, Austrália, depois da descoberta de 13 frascos de hormônio do crescimento nas malas dos nadadores chineses no aeroporto.
No ano 2000, 40 atletas e técnicos, incluindo sete remadores que não passaram no novo teste para a droga EPO, foram tirados da equipe pouco antes dos Jogos de Sydney.
Em Atenas, 24 atletas foram banidos por exames antidoping positivos, um número recorde, mas nenhum deles era chinês. Para os Jogos de Pequim estão sendo preparados 4.500 testes, 1.000 a mais do que em Atenas.
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