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Ciclismo
Terça, 23 de agosto de 2005, 05h20  Atualizada às 11h42
Médico confirma doping; Armstrong nega
 
AP
Jornal francês denuncia caso de doping do clilista Armstrong
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O Laboratório Nacional de Detecção de Doping de Chatenay-Malabry, através de seu diretor Jacques de Ceaurriz, detectou a presença de EPO (eritropoietina) nas amostras de urina de 1999 do ciclista norte-americano Lance Armstrong. O atleta, que encerrou sua carreira esportiva neste ano após conquistar o heptacampeonato consecutivo da Volta da França, negou e disse que "jamais" tomou "drogas que pudessem melhorar os resultados". O laboratório contrariou o diretor da instituição e disse não poder confimar que as amostras são de Armstrong.

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Ceaurriz afirmou que "não há nenhuma dúvida possível sobre a validade do resultado", embora as análises tenham sido realizadas cinco anos após terem sido tiradas as amostras. Ele assegurou que, ainda no caso de as amostras estragarem, "ou seja, de a EPO se degradar e ficar indetectável, a proteína permanece em bom estado".

O médico revelou também que as análises, dadas a conhecer nesta terça-feira pelo jornal francês L'Equipe, foram feitas "para pesquisas científicas". Segundo o jornal de Paris, seis amostras de urina pertencentes a Armstrong tiveram resultados positivos.

As análises de um conjunto de amostras anônimas conservadas das Voltas da França de 1998 e 1999 foram feitas a partir de dezembro do ano passado e não tinham intenção de descobrir ciclistas que haviam se dopado, mas afinar os critérios para a detecção de positivos e foi feito pelo laboratório francês em colaboração com a Agência Mundial Antidoping (AMA).

O caráter meramente experimental do teste, e o fato de não existir a possibilidade de uma contra-análise, impedem que a justiça esportiva possa sancionar o corredor de forma retrospectiva.

Armstrong classificou como "jornalismo de escândalo" as informações publicadas. "Mais uma vez, um jornal europeu relata que eu dei positivo por drogas que favorecem o rendimento", declarou em sua página de internet.

"O L'Equipe informa que minhas amostras de 1999 deram positivo. Infelizmente, a caça às bruxas continua e o artigo é outro mais do jornalismo sensacionalista", ressaltou o corredor.

"O jornal admite em seu próprio artigo que o método científico em questão tem falhas e que eu não tenho nenhum meio para defender-me. Eles dizem: não haverá nenhuma contra-análise nem perseguições regulamentares, no sentido estrito, já que os direitos da defesa não poderão ser respeitados", continuou.

Em 1999 o teste de urina da EPO não existia. Foi a partir de abril de 2001 que a União Ciclista Internacional (UCI) começou a utilizar um novo método para a detecção da EPO.

No entanto, o Laboratório Nacional de Detecção de Doping Chatenay-Malabry (LNDD), com sede em Paris, anunciou em comunicado que não pode confirmar se as amostras que continham restos de EPO (eritropoietina) analisadas do Tour de France de 1999 pertencem ao americano Lance Armstrong.

Segundo a nota, o LNDD aceitou que transmitiria "informações anônimas sobre as análises retrospectivas de busca de EPO nas amostras do Tour de France de 1998 e 1999, em colaboração com a Agência Mundial Antidoping (Wada)". E anunciou que não exclui a utlização de "procedimentos disciplinares".

"O laboratório não tem a possibilidade de atribuir um nome aos resultados de uma análise e não tem capacidade para confirmar a ligação feita entre os resultados da busca e os processos verbais nominativos publicados pelo jornal L'Equipe, acrescenta o comunicado.

Induráin

O espanhol Miguel Induráin, cinco vezes campeão do Tour de France, declarou nesta terça-feira ser contrário "a remexer em algo de 1999", em alusão às informações de que o ciclista americano Lance Armstrong teria se dopado com o hormônio EPO em sua primeira vitória na competição.

Segundo análises recentemente realizadas pelo laboratório francês Chatenay-Malabry e publicadas nesta terça-feira pelo jornal L'Equipe, Armstrong usou EPO no Tour de 1999. Induráin assinalou que não tem muita base para opinar sobre o assunto, mas ressaltou que está surpreso com a revelação seis anos depois.

"O que você quer que eu diga? Ele saberá e ele dirá, não sei nada sobre o assunto, mas acho errado remexer em algo de 1999 agora que tudo passou. Acho estranho e não sei quem terá autorização para fazer isso", afirmou Induráin.
 

EFE

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