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Futebol
Domingo, 26 de março de 2006, 11h00 
Surdo-mudo vence desafio e vira jogador de futebol
 
Rafael Prada
 
Divulgação
Danilo, 19 anos, já assinou contrato profissional com time paulista
Danilo, 19 anos, já assinou contrato profissional com time paulista
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Ele nasceu surdo-mudo, mas isso não o impediu de ir atrás do seu sonho de virar um jogador profissional de futebol. E hoje, aos 19 anos, já está realizado. Com a ajuda da mãe e dos companheiros, o atacante Danilo Nogueira do Santos assinou seu primeiro contrato com o Palestra, time de São Bernardo do Campo que disputa o equivalente à quarta divisão do futebol paulista, e deixou para trás as dificuldades inerentes a um deficiente.

De acordo com Otto Giorgi, coordenador da equipe do time do ABC, trata-se da primeira contratação de um deficiente auditivo por parte de um clube profissional no Brasil.

A repercussão foi tanta que até jornais estrangeiros relataram a história de Danilo. O diário português O Jogo compara o atacante ao presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva quando escreve: "Se o ABC paulista pôde dar um presidente da república ao Brasil, pode também dar o primeiro jogador surdo-mudo a atuar numa equipa de ditos 'normais'".

Danilo, que iniciou sua carreira na várzea, joga futebol desde os 12 anos e já tem no currículo feitos importante para o futebol amador. Principalmente o fato de ter conseguido ascender ao futebol de primeira linha.

"Fui artilheiro com cinco gols em um campeonato da várzea de Cotia, jogando pelo Símbolo Esporte Clube, mas a minha maior felicidade foi assinar contrato como jogador profissional do Palestra", afirmou Danilo ao Terra Esportes.

Com apenas 30% de audição em um dos ouvidos, Danilo mal ouve uma música no último volume, mas jura que consegue ouvir o apito do juiz. No entanto, não é isso que preocupa o atleta nascido em Pedro Canário (ES), e sim a comunicação com seus companheiros de time.

"A maior dificuldade é ser compreendido. Mas a minha aceitação foi ótima, não encararam a minha especialidade como se fosse um problema, trataram-me normalmente", explicou o atacante.

O técnico Wagner do Santos, ex-lateral-esquerdo do Palmeiras, conta que no começo foi complicado lidar com Danilo, mas a adaptação já é quase completa.

"No princípio foi meio complicado, nunca tinha passado por isso. Mas fui convivendo com ele, a mãe dele me deu um toques e me adaptei. Ele é um menino inteligente e o grupo aceitou bem", afirmou o técnico, que explicou como orienta o jogador antes das partidas.

"Passo tudo para ele através da lousa. O posicionamento, a movimentação... É a forma que encontrei de ensinar", disse Santos.

Danilo, apesar de também ter se adaptado bem no Palestra, anda para cima e para baixo com uma "guarda-costas". "Meus filhos são o que tenho de mais precioso em minha vida", afirmou Maria da Glória, mãe de Danilo, que não larga o filho nem um minuto.

"A emoção (de ver o filho contrato por um time profissional) é incalculável. Não tenho palavras para responder, porque o mais quero para o meu filho é vê-lo realizado. Porque este é o seu sonho", completou.

Maria teve dificuldades para entender o filho no começo de sua criação. Com o passar dos anos, o entrosamento passou a ser total. "Era difícil entender o que ele queria ou o que estava querendo, após um tempo, passei a entendê-lo normalmente."

O atacante admite que a ajuda de sua mãe vem sendo fundamental para se desenvolver pessoalmente e profissionalmente.

"Ela é a pessoa mais importante do mundo, que mais me incentiva. E é através dela que me comunico com os outros, porque a maioria não entende a língua dos sinais", afirmou Danilo.


 

Redação Terra