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Israel não mandará patinadora classificada para Vancouver

2 fev 2010
13h16
atualizado às 14h14
Masada Siegel

Israel acaba de qualificar sua primeira atleta olímpica para a patinação artística feminina, mas os dirigentes do atletismo olímpico do país não permitirão que a atleta selecionada participe da Olimpíada de Inverno de Vancouver.

Tamar Katz, tricampeã nacional israelense, cumpre todas as normas de elegibilidade olímpica da União Internacional de Patinação. Mas o Comitê Olímpico Israelense tem uma regra que dispõe que um patinador precise ocupar uma das 14 primeiras posições no campeonato europeu de sua modalidade para conquistar uma vaga na Olimpíada, de acordo com o presidente da organização. E Katz terminou o recente campeonato disputado em Tallin, Estônia, no 21° lugar.

"Não se trata de uma questão de recursos ou do sexo do competidor, mas de critérios profissionais puros", disse Efraim Zinger, secretário geral do Comitê Olímpico Israelense, em entrevista por telefone. "Nós definimos a meta dois anos atrás, com muita antecedência para os nossos atletas. Aqueles que não conseguirem cumpri-la não irão à Olimpíada. Alguns países têm como objetivo uma simples participação, e outros querem vencer. Nossa meta é enviar atletas capazes de chegar com chances ao topo de suas modalidades".

Katz, 20 anos, nasceu em Dallas e pratica em Monsey, Nova York, sob a direção do técnico Peter Burrows. Começou sua carreira na patinação quando vivia em Rockville, Maryland, e quando sua família se transferiu de volta a Israel fixou residência em Metulla, perto do único rinque oficial de patinação no gelo do país. Katz voltou aos Estados Unidos sozinha, aos 15 anos, a fim de obter acesso a melhores treinadores, diz ela.

"Caso o Comitê Olímpico Israelense esteja preocupado com a possibilidade de que eu chegue em último lugar na olimpíada, não precisam temer ¿ mesmo que eu patine abaixo do meu melhor, sei que conquistarei vaga entre as 20 finalistas", disse Katz em entrevista por telefone. "Não estou falando sobre uma medalha, porque o esporte afinal não se reduz a medalhas, mas também envolve representar seu país com honra e respeito".

Katz conquistou sua elegibilidade olímpica ao completar em sétimo lugar um torneio em Oberdorf, Alemanha, em setembro. Ao explicar a decisão de não enviar a patinadora aos jogos de Vancouver, Zvi Varshaviak, presidente do Comitê Olímpico Israelense, disse que "temos regras internas para os nossos atletas. Ela tinha de estar entre os 14 mais no campeonato europeu, mas chegou em 21°, e isso não é o suficiente".

Israel enviará três atletas aos jogos de Vancouver: uma dupla de patinadores e um esquiador. O país jamais conquistou uma medalha nas olimpíadas de inverno.

"É a primeira vez que uma mulher israelense teria a chance de ir a uma olimpíada de inverno", disse Boris Chait, presidente da Federação Israelense de Patinação. "Se eu dissesse que concordo com essa decisão, estaria mentindo, mas as regras não permitem que ela concorra. Fiz um apelo pessoal, de Tallin, ao Comitê Olímpíco de Israel. Apresentei meus argumentos, e apelei, mas eles não concordaram com minha visão".

Israel enviou sua primeira equipe a uma Plimpíada de inverno em 1994, em Lillehammer, Noruega. O comitê olímpico do país alterou suas regras de qualificação, ao longo dos anos. A organização conta com um painel de 10 pessoas que decide quanto aos requisitos de qualificação dos atletas para a Olimpíadas de verão e de inverno.

Aparentemente, não existe consenso no grupo sobre o tratamento que deve ser conferido a Katz. Alex Gilady, membro do Comitê Olímpico Israelense e do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse discordar da decisão. "Eu estava tentando ajudar Tamar a escrever uma carta perguntando por que ela não poderia ser enviada a Vancouver como preparação para futuras olimpíadas, já que ela é jovem e tem talento", disse Gilady. "Mas eles decidiram contra essa solicitação".

Duas semanas antes do campeonato europeu, na Estônia, Katz caiu doente com uma infecção viral. Ela ficou sem patinar por duas semanas mas se recuperou nos dias anteriores ao torneio. No dia de sua apresentação curta, ela fracassou em uma combinação de movimentos obrigatórios que teriam sido seu elemento de maior nota.

"Por conta disso, perdi a qualificação para o programa de patinação livre por meio ponto", ela diz. "Se eu tivesse podido disputar essa porção do evento, teria conquistado posto superior ao 21°".

Burrows, o técnico de Katz, objetou à decisão israelense. "O fato de que ela concorra internacionalmente também gera dinheiro para a patinação artística de Israel", ele afirmou. "Em todos os meus anos como técnico, jamais vi nada tão ridículo".

Varshaviak encara a situação de maneira diferente. "O objetivo é vencer medalhas e ao mesmo tempo propiciar orgulho ao país. Gostamos de Tamar Katz, ela é jovem, e esperamos que ela tenha condições de competir por Israel na olimpíada seguinte".

Por enquanto, Katz está planejando concluir a temporada e disputar o campeonato mundial representando Israel, em março. "Meu sonho é ouvir a Haktiva", ela disse, em referência ao hino nacional israelense, que seria executado nos Jogos Olímpicos caso ela participasse.

Tradução de Paulo Migliacci

Tamar Katz não tem os requisitos do Comitê Israelense
Tamar Katz não tem os requisitos do Comitê Israelense
Foto: Getty Images
The New York Times

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