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Morte de atleta do luge gera luto e "sombra" na Olimpíada

1 mar 2010
02h28
atualizado às 06h45

O dia era de festa para o mundo do esporte. Em apenas algumas horas, a 21ª edição da Olimpíada de Inverno começaria com a cerimônia de abertura dos Jogos de Vancouver. Mas 12 de fevereiro de 2010 também será lembrado por uma tragédia: a morte do atleta de luge Nodar Kumaritashvili.

O georgiano sofreu grave acidente em sessão de treinos na controversa pista do Whistler Sliding Centre: na penúltima curva, Kumaritashvili, 21 anos, perdeu o controle de seu trenó a 144 km/h e voou contra a parede, batendo o corpo contra uma espécie de haste.

Submetido a técnicas de reanimação logo após a queda e resgatado por um helicóptero cerca de oito minutos depois, Kumaritashvili foi levado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos, deixando os mesmos atletas e dirigentes que se preparavam para uma festa de luto.

"É um dia muito triste. Um jovem perdeu sua vida pela paixão de participar dos Jogos Olímpicos. Treinou dedicadamente e teve esse acidente. Eu não tenho palavras", disse Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI). "Desculpem, mas é difícil me recompor".

Em um misto de tristeza e revolta, Irakly Japaridze, chefe da delegação georgiana, disse que os compatriotas estavam "em choque profundo" e colocou em dúvida a participação nos Jogos. Pouco depois, no entanto, o país comunicou que estaria não só no evento, dedicando inclusive a performance à memória de Kumaritashvili, como também na festa de abertura.

Foi na cerimônia, aliás, que a "sombra" da morte do atleta começou a surgir na Olimpíada. Os lindos jogos de luzes e os shows de artistas canadenses ficaram em segundo plano diante das homenagens ao atleta falecido, fatos mais marcantes da festa. Um minuto de silêncio foi respeitado e os 11 representantes da Geórgia, todos com uma tarja preta no uniforme, foram aplaudidos de pé pelas cerca de 55 mil pessoas que lotavam o BC Place Stadium.

Polêmica

Um dia depois da tragédia, investigação de autoridades canadenses e da Federação Internacional de Luge (FIL) concluiu que a morte ocorreu por falha humana e liberou a pista para as provas da modalidade. Ao mesmo tempo, os organizadores, às pressas, reforçaram a proteção no local do acidente e ainda diminuíram o ponto de largada tanto dos homens como das mulheres por medidas de segurança.

As competições de luge ocorreram normalmente, assim como as de skeleton e bobsled, que também foram sediadas no Whistler Sliding Center. Mas bastava uma queda para que a "sombra" de Kumaritashvili surgisse novamente.

A pista nunca foi unanimidade entre os atletas dos três esportes. Até Svein Romstad, presidente da FIL, fez um mea-culpa durante a competição e declarou que os organizadores não cobriram todos os pontos perigosos que a pista poderia apresentar.

A prova do impacto da tragédia envolvendo o georgiano veio quase duas semanas depois do acidente, quando o holandês Edwin van Calker, 30 anos, experiente atleta de bobsled afirmou que, por medida de "sobrevivência", estava desistindo da disputa. Antes dele, o georgiano Levan Gureshidze e a romena Violeta Stramaturaru, do luge, e o suíço Beat Hefti, do bobsled, tomaram a mesma decisão.

Nodar Kumaritashvili foi enterrado no dia 20 de fevereiro, em Bakuriani. Milhares de pessoas, entre elas o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, participaram da cerimônia. "O que posso dizer? Minha família está desolada. O que sei é que não foi culpa de Nodar", afirmou, emocionado, David Kumaritashvili, pai do atleta.

Mais tragédias

A morte no luge teve impacto estrondoso, mas não foi a única tragédia dos Jogos de Vancouver. No dia 22, o motorista de um dos ônibus de transporte oficial dos Jogos sofreu um ataque cardíaco fatal enquanto dirigia o veículo rumo à montanha de Whistler. Ele foi identificado apenas como um americano de 71 anos. Não houve feridos porque outra pessoa assumiu o volante a tempo.

Um dia antes, a estrela canadense Joannie Rochette soube durante um treinamento para as provas de patinação artística que sua mãe, Therese, morreu em um hospital de Vancouver em decorrência de problemas cardíacos. Mesmo de luto, Rochette participou da competição, inclusive indo às lágrimas após ser aplaudida de pé em sua primeira apresentação. Terminou com uma honrosa medalha de bronze.

"Percebi que as pessoas estavam tristes por causa disso (morte sua da mãe). Decidi competir antes de tudo por minha causa. E minha mãe sempre disse para eu fazer as coisas pensando em mim antes", disse, emocionada, após receber a premiação. "Gostaria de agradecer não só ao povo do Canadá, mas ao mundo inteiro. Recebi mensagens legais que me ajudaram muito".

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Terra

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