Jogos Inverno 2010

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23 de fevereiro de 2010 • 18h33

Ouro na dança no gelo deixa canadenses eufóricos

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Patinação Artística - Dança - Livre - Final
 

Perante um ginásio lotado, repleto de milhares de compatriotas e centenas de bandeiras canadenses, foram necessários quatro minutos no gelo para que os dançarinos canadenses Tessa Virtue e Scott Moir terminassem sua dança livre e fizessem história na segunda-feira.

Parecendo flutuar com movimentos contínuos de tirar o fôlego, Virtue, 20, e Moir, 22, venceram e ficaram com o primeiro ouro olímpico na dança no gelo de uma equipe não-europeia.

Enquanto aguardavam o resultado, gritos de ¿Ca-na-dá!¿ tomavam o ginásio. E, quando os pontos apareceram, agradaram tanto o casal quanto a multidão. Virtue e Moir receberam 110,42 pontos por seus esforços, seis pontos a mais do que seu melhor resultado na temporada. Sua pontuação final foi de 221,57.

"Estávamos muito bem treinados", disse Moir. "Estávamos mesmo prontos. Mas chegar lá e fazer de verdade é impressionante."

Até este evento, russos ou soviéticos haviam ganhado todas as medalhas de ouro no esporte, exceto duas, desde que ele foi introduzido nos Jogos de Inverno em 1976. Mas, na segunda-feira, os norte-americanos dominaram.

A dupla americana Meryl Davis e Charlie White, que cursam a Universidade de Michigan e são amigos próximos de Virtue e Moir, ganhou a prata, com 107,19 pontos na dança livre. Sua pontuação final foi de 215,74 pontos ao todo.

"Existe tanta coisa de que me orgulhar agora", disse Davis.

Oksana Domnina e Maxim Shabalin, campeões mundiais da Rússia, venceram na dança compulsória, mas só acabaram conseguindo o bronze. Com 101,04 pontos na dança livre, tiveram 207,64 pontos ao todo.

O resultado aumenta as chances dos russos saírem destas Olimpíadas sem uma medalha de ouro na patinação artística. A última vez que isso aconteceu foi 50 anos atrás. Só resta um evento de patinação artística, a competição feminina, mas nenhuma patinadora russa é considerada uma favorita à medalha.

"Acho que precisamos levar todos os técnicos russos de volta à Rússia", brincou Shabalin, se referindo a Igor Shpilband e Marina Zoueva, que treinam Virtue e Moir, e também Davis e White, no subúrbio de Detroit.

No quarto lugar, ficaram sem medalhas Tanith Belbin e Ben Agosto, os cinco vezes campeões nacionais americanos e medalhistas de prata no campeonato mundial de 2009. Eles terminaram com 203,07 pontos.

"Essa foi provavelmente a nossa última competição, e esse foi o resultado que esperávamos", disse Belbin.

Se Belbin, 25 anos, e Agosto, 28 anos, realmente se aposentarem nestes jogos, eles já terão deixado sua marca no esporte ¿ com ou sem medalha aqui.

O segundo lugar conquistado pela dupla nas Olimpíadas de 2006 foi a primeira medalha dos Estados Unidos na dança no gelo em 30 anos, pavimentando o caminho para as seguintes. Na segunda-feira, eles assistiram a White e Davis seguirem seus passos.

Davis, 23, de West Bloomfield, Michigan, e White, 22, de Bloomfield Hills, Michigan, patinaram ao som da música ¿O Fantasma da Ópera¿. Com patinação veloz e levantamentos ousados, eles foram hipnotizantes. No final, eles haviam dedicado tanta energia que estavam visivelmente ofegantes.

Mas seu esforço, apesar de adorável, não foi o bastante. A noite era de Virtue e Moir. Mas os quatro amigos repartiriam o pódio.

"É inacreditável", disse White. "Treinamos com Scott e Tessa, então sabemos do que eles são capazes."

Virtue e Moir se apresentaram com a música "Sinfonia nº 5", de Gustav Mahler, e seus passos foram tão leves que mal se escutou o som de suas lâminas encostando no gelo.

A cada levantamento complicado, nos quais Virtue girava ao redor do corpo de Moir com tamanha facilidade que parecia não ter peso, o público comemorava. Em certo momento, ela se equilibrou sobre as costas dele com um joelho, levantando os braços enquanto seu vestido branco brilhante esvoaçava com o vento.

Quando terminaram, eles se abraçaram no centro do gelo enquanto o locutor gritava seus nomes, mas ninguém conseguiu escutar. Os gritos estavam ensurdecedores.

Quando o hino nacional canadense foi executado, Virtue e Moir cantaram junto da maioria dos espectadores presentes.

"Viver aquele momento juntos e com o público de casa, e ver que todo aquele trabalho duro valeu a pena", disse Moir. "É impressionante."

The New York Times