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Após testes extremos, tocha olímpica é declarada à prova d'água

20 abr 2012
08h21
atualizado às 10h11

Depois de uma bateria de exames extremos, a tocha olímpica foi declarada "à prova d'água" pelos organizadores dos Jogos de Londres. Nesta sexta-feira, o Comitê Organizador da Olimpíada (Locog) vai realizar um ensaio em 130 km do revezamento da tocha, para avaliar se não há nenhum problema de logística.

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Cerca de 122 pessoas portarão as tochas ao longo do percurso do ensaio. O revezamento oficial começará no dia 19 de maio, em um ponto no extremo oeste do país, e terminará no dia 27 de julho, no Estádio Olímpico de Londres, quando começam os Jogos.

A tocha passará por 1.018 lugares selecionados pelo Locog, entre eles alguns marcos da paisagem britânica, como as ruínas de Stonehenge e a chamada Calçada dos Gigantes - uma formação natural de pedras gigantescas de basalto na Irlanda do Norte.

O Locog diz que o trajeto foi pensado para a tocha passar por um raio de 16 km de 95% da população britânica.

Em outros anos, a tocha passou por diversos países do mundo, mas neste ano o Comitê Olímpico Internacional (COI) resolveu restringir o revezamento apenas ao país anfitrião. Em 2008, durante o revezamento da tocha da Olimpíada de Pequim, manifestantes em diversos países tentaram aproveitar a passagem da tocha para protestar contra a política de direitos humanos da China.

Verão britânico

Os organizadores do ensaio desta sexta-feira escolheram o trecho de 130 km entre as cidades de Leicester e Peterborough, porque este é um dos pontos mais críticos do revezamento - com paisagens rurais e urbanas, e uso de trens, barcos e ruas movimentadas.

Um dos principais desafios em relação à tocha é fazer com que a chama sobreviva ao clima úmido do verão britânico.

O Locog afirma que a tocha precisa suportar temperaturas entre -5C e 40C, 95% umidade, chuva, neve, ventos entre 55 e 80 km/h e altitude de 400 m acima do nível do mar.

A chama também precisa continuar acesa em diferentes ângulos da tocha: de 45 a 90 graus.

Para determinar a resistência da tocha e da chama, os organizadores contrataram uma empresa, chamada Tecosim Technical Simulation.

A tocha passou por simulações que levaram em consideração os piores cenários possíveis, como a tocha caindo acidentalmente ao chão. Depois de vários testes com alturas diferentes - com a tocha caindo do alto de um cavalo ou de palcos elevados -, o Locog estipulou que ela precisa ter resistência para cair de até 3 m.

Depois de uma queda deste tipo, a tocha teria que ser logo substituída, mas o importante, segundo o Locog, é que a chama não se apague até o momento da substituição.

A tocha passou por alguns dos testes mais extremos possíveis. Em Munique, na Alemanha, ela foi passou pelo túnel de vento da BMW, um sistema usado pelas indústrias automotiva e aeronáutica para testar a aerodinâmica de carros e aviões.

Segundo o engenheiro Gary Lansdowne, da Tecosim, o teste mais difícil foi o feito com temperatura de -5C e ventos fortes.

"A tocha é leve e tem muitos buracos, e essa estrutura não protege muito bem para a ignição", diz Lansdowne. "Mas mesmo assim ela funcionou nestas condições."

Outra questão importante é a intensidade. A chama precisa ser grande o suficiente para que ela possa ser vista por toda a plateia do Estádio Olímpico. A altura ideal é 400 mm. Cada portador da tocha a carrega por cerca de 300 m, até que ela é substituída.

Por isso, cada tocha precisa ter capacidade para manter a chama acesa de três a seis minutos, mas na verdade ela dura até 14 minutos.

"A tocha consegue sobreviver à chuva, desde que não caiam baldes de água do céu. A chuva simplesmente evapora (no contato com a chama)", diz o engenheiro Nigel Williams. "É claro que se a tocha cair dentro da água, ao ser transportada em um barco, ela vai apagar, mas mesmo assim nós temos tochas substitutas."

Os organizadores mantém junto ao percurso uma outra chama, que também é derivada da chama olímpica, para casos extremos.

Para o caso de uma tempestade de relâmpagos, os organizadores dizem que as cerimônias da tocha seriam interrompidas e adiadas.

Um dos desafios que não foi vencido foi o de melhorar a eficiência energética, usando biocombustível à base de capim-elefante. No entanto, segundo Lansdowne, não houve tempo suficiente para desenvolver a tecnologia na escala necessária para a Olimpíada.

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