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Com doença rara, ciclista britânica vira exemplo e se consagra com ouro

6 ago 2012
02h43
atualizado às 05h02
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Quando tinha nove anos, a ciclista britânica Joanna Rowsell, que conquistou no último sábado o ouro na perseguição por equipes dos Jogos Olímpicos e ouviu os torcedores cantarem Hey Jude com Paul McCartney, viu uma sobrancelha cair. Achou estranho, claro. Aos 10, Rowsell já havia perdido completamente o cabelo e se desesperou. Foi diagnosticada com uma rara doença: alopecia areata, falha que faz o sistema imunológico atacar os pelos corporais. Tal condição não foi um limitador para a prática de esporte. Pelo contrário, através dela a atleta virou sinônimo de inspiração.

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A partir do momento em que foi diagnosticada com a doença e descobriu que era incurável, a atleta, então apenas uma criança, mudou sua personalidade. Deixou de sair com os amigos, não se preocupava em ficar bonita e evitava até olhar a si mesma no espelho, fato que a entristecia. Certa noite, começou a chorar e perguntou aos pais Roger e Amanda: "por que isto está acontecendo?". Sem autoestima, ficou muito mais tímida e passou a focar nas tarefas de casa para a escola, a fim de se distrair dos pensamentos sobre o seu futuro - se teria um namorado e como seria conviver com outros sem cabelo. Até que o ciclismo, como Rowsell admite, mudou sua vida.

Em um dia qualquer de aulas da britânica em 2004, o time nacional de ciclismo foi fazer testes na escola em que Joanna atendia, a "Nonsuch High School". Na época, a garota de 15 anos tinha apenas uma ultrapassada e enferrujada bicicleta na garagem dos pais, mas mesmo assim resolveu ver sobre o que se tratavam os testes. Foi bem em todos e passou a integrar o time juvenil britânico. Daí para frente, ainda com pouca confiança em sua aparência, começou a dedicar seus esforços no ciclismo e fez sua carreira decolar.

A primeira vez em que se destacou no cenário nacional foi nos anos de 2005 e 2006, quando conquistou a competição nacional junior. Em 2007, assinou um contrato profissional para atuar pelo time Global Racing e já no primeiro ano terminou em terceiro na perseguição de 3 km do campeonato nacional. A carreira não parou de crescer e ela guarda como maiores conquistas, além do ouro recém-conquistado nos Jogos de Londres, vitórias com o time britânico nos Campeonatos Mundiais de 2008, 2009 e 2012.

Os sucessos dentro das pistas fizeram também a ciclista aceitar mais naturalmente a sua condição. Antes avessa à possibilidade de ter um namorado, conseguiu encontrar um e teve a primeira grande prova de autoestima. Rowsell começou a sair com o atual parceiro em uma época em que estava com cabelo, já que as crises de queda são sazonais. Quando ficou careca de novo, achou que seu namorado a largaria, mas surpreendeu-se com o contrário. O que só aumentou a confiança da atleta, que mesmo assim guarda três perucas em sua casa para usar no dia a dia.

Bem resolvida com a situação, foi em fevereiro deste ano que Joanna Rowsell chocou - e encantou - os britânicos. Ao vencer uma das provas do Campeonato Mundial de ciclismo, tirou o capacete e subiu ao pódio completamente careca. A surpresa de todos virou rapidamente uma história de inspiração para outras pessoas com a mesma rara doença da esportista - estima-se que a alopecia afeta 600 mil pessoas em todo o mundo. Exemplo este que só aumentou depois de Londres 2012.

Menos de dois dias após a vitória da ciclista, que também comemorou com a charmosa careca à mostra enquanto Paul cantava, o site pessoal de Rowsell já está cheio de recados de congratulações. Entre eles, destacam-se o de dois portadores da mesma doença da britânica, que disseram estar "inspirados" e que agora acreditam mais em si mesmos. Detalhe: o ouro olímpico da britânica veio exatamente no Dia Internacional da Alopecia. Só uma brincadeira do destino para uma pessoa que não é ouro apenas dentro das pistas.

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Joanna Rowsell (dir), que enfrenta condição que provoca calvície, serve de inspiração para outros portadores
Joanna Rowsell (dir), que enfrenta condição que provoca calvície, serve de inspiração para outros portadores
Foto: Getty Images

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Fonte: Terra
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