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Juliana "agradece" lesão que a tirou de Pequim e se vê bem resolvida

17 jun 2012
12h48
atualizado em 18/6/2012 às 09h27
Danilo Vital

Se a máxima mens sana in corpore sano (mente sã, corpo são) do poeta romano Juvenal é verdadeira e constitui uma parte importante do esporte em alto nível, pode-se dizer que Juliana Felisberta da Silva está devidamente preparada para enfrentar o maior evento do mundo: os Jogos Olímpicos de Londres. Pelo menos no discurso, a jogadora de vôlei de praia mostra que tem definido o caminho para uma boa participação, como afirmou em entrevista exclusiva ao Terra. Ela se diz bem resolvida mesmo depois de 2008, quando uma lesão a menos de um mês dos Jogos de Pequim acabou com seu sonho olímpico.

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"Posso dizer que sofrer aquela lesão foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida", disse Juliana, 28 anos, que viu quatro anos de ciclo olímpico ao lado de Larissa se esvaírem durante o Grand Prix de Paris, em junho de 2008: rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito e, apesar de ter tentado a recuperação, teve de assistir de longe a companheira jogar e ser eliminada nas areias chinesas ao lado de Ana Paula. Desde então, Juliana teve muito tempo para pensar na vida, e assim foi se resolvendo sem jamais perder o foco: Londres 2012.

A Confederação Brasileira de Vôlei ainda não definiu quais duplas disputarão os Jogos de Londres, mas Juliana e Larissa estão entre as pré-selecionadas, e as chances são boas. A alguns meses da possível estreia, a jogadora se mostra satisfeita com o último ciclo olímpico, depois de ter chegado à marca de 100 títulos ao lado de Larissa, ao topo do ranking mundial e à condição de favorita à medalha de ouro.

Nem mesmo a volta da dupla bicampeã olímpica Kerri Walsh e Misty May, dos Estados Unidos, assusta: as brasileiras já venceram as adversárias em outras oportunidades, e o caminho para o topo do pódio parece bem definido. "Não existe trauma", avisou Juliana, antes de complementar: "depois da última Olimpíada sou outra jogadora, e muito melhor". Melhor e, ao que parece, muito bem resolvida.

Confira a entrevista com Juliana da Silva

Você se lesionou às vésperas da Olimpíada de Pequim e não pôde jogar depois de anos de preparação. O que se lembra desse processo?
Eu sempre me cuidei muito, mas o esportista de alto nível treina lado a lado com a contusão. É difícil treinar e não sentir dores. Você trabalha para ficar com menos dores, mas faz parte da vida de um atleta de alto nível. Eu venho me cuidando e comecei a conhecer um pouco mais até onde posso ir, mas se você faz um movimento milhões de vezes, não tem como prever o que vai acontecer. O que mais importa é que não existe trauma. Depois da última Olimpíada, sou outra jogadora, e muito melhor. E acho que as lições para mim foram muito boas. Vou ser bem sincera: posso dizer que sofrer aquela lesão foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida. Foi triste na hora, mas ainda estou colhendo os frutos disso.

Você se lembra qual foi o sentimento depois daquela lesão?
Quando eu me machuquei, só pensava em ir para a Olimpíada. Era 24 horas por dia. Eu dormia só quatro horas porque queria acordar e fazer fisioterapia, ou o que fosse possível. Essa coisa de eu ter tentado ir me fortaleceu muito. Lutei até onde pude, mas não era a minha vez. Lembro que quando a Larissa jogou pela primeira vez em Pequim eu estava chegando ao Rio de Janeiro, e só pensava que queria fazer a operação e voltar o mais rápido possível. Esse foi o sentimento.

Como foi saber que teria de ficar fora da Olimpíada depois de ter chegado tão perto?
Eu brinco que fui a primeira atleta a se preparar para Londres. Na hora você fica arrasado. Mas quando você é bem resolvido, vê que não era o seu momento. Sou feliz dessa forma. Não vejo que perdi uma Olimpíada, mas que ganhei uma lição na vida, e isso é o maior presente que a Olimpíada pode me dar, mesmo sem ter entrado em quadra. Mesmo se tivesse ganhado uma medalha, não teria um aprendizado tão grande de valorizar as coisas, de ver que o esporte é a minha vida.

Hoje em dia tem algum cuidado especial para evitar que uma nova lesão atrapalhe os planos para Londres?
Isso seria uma fatalidade. A única coisa é que, quando estou de folga, não bato bola nem faço nada que ofereça risco à minha integridade física. De resto, sem problema. Estou muito bem resolvida. Aconteceram tantas coisas depois disso que eu vejo que foi aquela lesão só mais um capítulo.

Você e a Larissa estão entre as duplas top do circuito mundial. Já sente alguma pressão por uma medalha de ouro?
Eu e a Larissa, só de entrar em quadra, já temos uma pressão. Conseguimos associar nossa dupla à vitória. E o vôlei de praia é um esporte muito vitorioso, sempre trouxe medalhas. É um esporte novo (começou em Olimpíadas em Atlanta 1996), mas que dá frutos, então tem essa pressão também. Mas quem quer ser campeão tem que saber lidar com pressão.

Vocês se consideram favoritas?
Eu acho que nos credenciamos como uma das duplas favoritas. Os números falam por si só, mas temos o pé no chão. Eu e a Larissa jogamos há 10 anos juntas, e isso conta. Pelo nosso desempenho achamos que somos uma das favoritas, sim, mas não na nossa cabeça. Tratamos a Olimpíada como um torneio que a gente nunca jogou.

Podemos considerar as americanas Kerri Walsh e Misty May as maiores adversárias pela medalha de ouro?
Se você ganha uma Olimpíada você leva isso para o resto da vida. Mas ganhar em cima de uma dupla campeã olímpica é mais marcante. E vôlei de praia é Brasil e Estados Unidos, então ganhar uma final contra elas é um peso diferente, a repercussão é bem maior. Elas são as mais gabaritadas sim, porque são duas vezes campeãs olímpicas. E são muito fortes, sabem jogar dentro de uma Olimpíada e têm uma força mental muito grande. Mas nossas principais adversárias somos nós mesmas. Temos que quebrar alguns paradigmas. Mas seria ótimo enfrentar elas na Olimpíada.

Recentemente no Pan de Guadalajara, em 2011, vocês conquistaram a medalha de ouro depois de uma final emocionante, repleta de ralis contra as donas da casa, as mexicanas Mayra García e Bibiana Candela. Ali pareceu que vocês teriam essa capacidade de focar.
Aquele Pan foi um teste. Parecia que quando eu jogava, a torcida gritava tanto, mas eu não escutava. Eu até passei mal depois do jogo, e quando cheguei para pegar o voo de volta para o Brasil, eu só conseguia escutar a torcida. Deu até dor de cabeça. Dentro do jogo eu me fechei, e naquele momento isso fez a diferença. Se não tivesse essa história ali, o chão ia tremer. Literalmente.

Londres 2012 no Terra

O Terra, maior empresa de internet da América Latina, transmitirá ao vivo e em alta definição (HD) todas as modalidades dos Jogos Olímpicos de Londres, que serão realizados entre os dias 27 de julho e 12 de agosto de 2012. Com reportagens especiais e acompanhamento do dia a dia dos atletas, a cobertura contará com textos, vídeos, fotos, debates, participação do internauta e repercussão nas redes sociais.

Juliana negou trauma após a lesão que a impediu de disputar a Olimpíada de 2008
Juliana negou trauma após a lesão que a impediu de disputar a Olimpíada de 2008
Foto: Getty Images
Fonte: Terra
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