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Nuzman evita comparação com Londres, mas reconhece excelente trabalho

18 abr 2012
11h41
atualizado às 13h16
Ulisses Neto
Direto de Londres

Cada Olimpíada tem um objetivo e a proposta do Rio 2016 será bem diferente de Londres 2012. É o que afirma o presidente do comitê organizador brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que está na capital britânica nesta quarta-feira acompanhando as comemorações para a marca de 100 dias até a abertura dos Jogos.

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O dirigente, que também acumula o cargo de presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), elogia a impressionante preparação do Reino Unido para o maior evento do esporte mundial. Todas as principais instalações foram entregues dentro do prazo e respeitando o orçamento estabelecido.

Desde o ano passado, quando a maior parte das obras foi concluída, os britânicos se preocupam em testar a organização dos Jogos e vender a imagem de uma nação preparada e bem equipada para receber milhões de visitantes.

No entanto, os dirigentes ingleses reconhecem que Londres 2012 não terá a mesma magnitude que Pequim 2008, ao menos em termos de espetáculos nas cerimônias de abertura e encerramento e nas instalações preparadas para as competições. Dizem, contudo, que esse será um evento verdadeiramente global, potencializado pelo cosmopolitismo londrino.

A quatro anos dos Jogos no Brasil, parece evidente que o País também não vai repetir o gigantismo chinês, tampouco igualar a organização britânica. Ao ser questionado sobre qual será então o legado carioca, Nuzman se esquiva e diz que cada sede tem características e intenções distintas.

"Cada Olimpíada será sempre diferente uma da outra. Não existem Jogos iguais, as cidades são diferentes. Os países são diferentes, assim como as culturas. Então, os objetivos também serão sempre diferentes", avalia.

"No Rio, os Jogos vão representar a transformação, a paixão e o envolvimento de uma nova região do mundo", explica citando o fato de que pela primeira vez na história a América do Sul receberá uma Olimpíada.

O presidente do COB, entretanto, destaca que os londrinos têm oferecido ajuda providencial na organização do Rio 2016. "O Locog, em especial o Seb Coe presidente do comitê organizador britânico, tem sido um grande amigo do Rio. E desde que fomos escolhidos como sede de 2016 temos gente aqui em Londres que vai trabalhar no comitê organizador. Da mesma forma que há gente de Londres já atuando no Rio. Há uma integração que jamais ocorreu na história dos Jogos Olímpicos. E espero que possamos fazer o mesmo com a sede dos Jogos de 2020."

Entre as principais lições aprendidas com os europeus estão a construção e disposição da Vila Olímpica e a relação do comitê organizador com o governo central, segundo ele.

Os eventos-teste em Londres, que começaram no meio do ano passado, também tem sido fundamentais na organização da próxima Olimpíada, que será colocada a prova a partir de 27 de julho. Mas, para isso, foi preciso terminar tudo com um ano de antecedência. Será possível repetir tal façanha no Rio de Janeiro? "Dá, sim. Nós vamos fazer os eventos-teste, você não tenha a menor dúvida disso. Já começamos a pensar neles", garante o cartola.

Nuzman, contudo, indica que tanta antecedência não deverá ser vista na cidade maravilhosa. O que, na opinião dele, não deve ser algo prejudicial. "É bom lembrar que Londres começou a fazer seus testes no ano passado, mas nem todos foram feitos até agora. Eles ainda vão fazer outros até o início dos Jogos."

Os britânicos também utilizaram a sede dos Jogos 2012 para incentivar os investimentos no Esporte, que mostraram resultados impressionantes com quatro anos de antecedência. O Reino Unido deixou os Jogos de Pequim na quarta posição, com 19 medalhas de ouro conquistadas. Ficou atrás apenas das superpotências olímpicas China, EUA e Rússia. A meta, em casa, é superar esse resultado.

Nuzman espera que o Brasil repita em Londres o mesmo desempenho de Pequim, quando o País conquistou três ouros e ficou na 23ª colocação. "Nós sempre queremos o melhor. Acho que há uma evolução no esporte muito grande, que é clara com os resultados obtidos por novos atletas em novas modalidades. "

Ele ressalta ainda que "há uma diferença. O Reino Unido tem uma estrutura no Esporte de milênios. Eles têm centros olímpicos de treinamento pelo país inteiro. O Rio ganhou os Jogos sem nenhum centro de treinamento. As condições de preparação e de resultados históricos dos atletas também é outra. Por isso, nossa caminhada para o Rio de Janeiro será diferente."

Mesmo assim, o COB tem a ambiciosa meta de colocar o Brasil entre os dez primeiros no quadro de medalhas já em 2016. Para chegar perto disso, será necessário pelo menos dobrar o número de vezes que os brasileiros chegaram ao topo do pódio na China.

Londres 2012 no Terra

O Terra, maior empresa de internet da América Latina, transmitirá ao vivo e em alta definição (HD) todas as modalidades dos Jogos Olímpicos de Londres, que serão realizados entre os dias 27 de julho e 12 de agosto de 2012. Com reportagens especiais e acompanhamento do dia a dia dos atletas, a cobertura contará com textos, vídeos, fotos, debates, participação do internauta e repercussão nas redes sociais.

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Fonte: Especial para Terra
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