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Para atletas, performance vem antes da estética na "polêmica da saia"

15 fev 2012
08h05
Danilo Vital
Direto de São Paulo

"É a briga da saia, né?", disse Adriana Araújo ao comentar a grande polêmica do boxe feminino, que fará sua estreia em Olimpíadas em pouco menos de seis meses, em Londres: qual deve ser o traje que as atletas usarão no ringue? As envolvidas priorizam performance antes de estética ao defender a liberdade de escolha: o que fizer você se sentir melhor, em vez de o que te deixar mais bonita.

O Terra acompanhou um treino da Seleção Brasileira feminina de boxe em São Paulo, em conjunto com as equipes de Argentina e Grã-Bretanha, e notou diferentes modelos usados pelas atletas: desde o tradicional shorts de boxe, folgado e com elástico largo na cintura, passando por bermudas de tactel, shortinhos minúsculos e até calça legging. Apenas uma atleta usava saia: a argentina Claribel Cruz.

"Para mim, tanto faz. De qualquer jeito, sempre que você luta de saia acaba usando um shorts térmico por baixo. Não muda muito, não", apontou Adriana. Para a campeã mundial Roseli Feitosa, no entanto, há diferença: "a saia é mais confortável. Como a saia é rodada, você fica menos presa, dá mais mobilidade". A atleta da categoria 71 kg ainda citou outro fator a ser levado em conta: a beleza.

"Eu usei no Mundial, é bonito. É bem feminino. A gente já tem que lutar com o cabelo preso e com capacete. Às vezes, nem dá para diferenciar se é homem ou mulher dentro do ringue", afirmou Roseli Feitosa, que terminou com uma importante consideração: "mas não deveria ser obrigatória". Essa é a grande questão apresentada pelas atletas: ter que usar um ou outro apetrecho tem gerado uma discussão ainda não definida pela Federação Internacional (AIBA).

Polêmica crescente

"Acredito que as garotas queiram ser tratadas apenas como boxeadoras", apontou Dave Alloway, técnico da seleção britânica feminina de boxe. Amanda Coulson, uma das principais atletas europeias da modalidade, mostrou opinião semelhante: contrário a uma determinação arbitrária. A boxeadora, que treinou de bermuda, disse preferir a peça porque não se sentiria bem tendo que se movimentar de saia.

"Eu não acho que a obrigatoriedade deveria existir só porque as pessoas acham que vão parecer bonito. É um esporte dominado por homens, mas não acho que as garotas tenham que parecer garotas no ringue", defendeu a lutadora. Nas últimas competições, as atletas tiveram a liberdade de optar por uma ou outra vestimenta.

"Acho que isso passa uma mensagem machista", opinou Juan Ledesma, técnico da seleção argentina de boxe. "Não é porque são mulheres que têm que usar saia. Se não houver a obrigatoriedade de usá-las, pode acreditar que elas vão usar. Mas se você obrigá-las, aí não vão gostar", complementou o argentino, que deixa suas atletas livres para escolher.

A polêmica tem crescido no mundo todo e gerado manifestações. A boxeadora e modelo canadense Elizabeth Plank, por exemplo, criou abaixo-assinado contrário à questão, em tom feminista. Conseguiu mais de 50 mil assinaturas. Todos aguardam uma definição da AIBA de forma resignada. "Se a AIBA disser que é para usar saia, então é para usar saia", decretou David Alloway.

Londres 2012 no Terra

O Terra , maior empresa de internet da América Latina, transmitirá ao vivo e em alta definição (HD) todas as modalidades dos Jogos Olímpicos de Londres, que serão realizados entre os dias 27 de julho e 12 de agosto de 2012. Com reportagens especiais e acompanhamento do dia a dia dos atletas, a cobertura contará com textos, vídeos, fotos, debates, participação do internauta e repercussão nas redes sociais.

Atletas recusam a obrigatoriedade do uso de uma ou outra peça nas competições
Atletas recusam a obrigatoriedade do uso de uma ou outra peça nas competições
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Terra

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