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Rio 2016: campo de golfe vira assunto tabu em evento do COI

No último dia de visita dos membros do comitê, imbróglio judicial não foi comentado nem pelo COI, tampouco pelo Comitê Organizador dos Jogos, que jogou a responsabilidade "na conta do prefeito"

1 out 2014 15h58
| atualizado às 15h59
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Local onde será construído o Campo Olímpico de Golfe em abril
Foto: Daniel Ramalho / Terra

O imbróglio judicial envolvendo o design do campo de golfe para os Jogos Olímpicos Rio 2016 virou um assunto tabu na coletiva de imprensa organizada pelo Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional (COI) e Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Nenhuma das autoridades quis se pronunciar sobre o caso no evento que marcou o último dia de visitas dos dirigentes que verificam o andamento das obras olímpicas. Ficou tudo na conta do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Indagado por um jornalista estrangeiro se o fato de o Ministério Público (MP-RJ) ter feito a acusação de degradação ambiental do terreno, localizado na Barra da Tijuca, e ter sugerido um novo desenho para o local de competição, Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador, se esquivou.

“Todas as questões do golfe são de responsabilidade da Prefeitura do Rio), e é com a Prefeitura que vocês devem procurar qualquer questão”, afirmou, baixando o microfone, e deixando o profissional de imprensa sem graça. Um outro repórter, então, resolveu insistir no tema, acionando agora a presidente de Coordenação, a marroquina Nawal El Moutawakei. Afinal, o assunto preocupa a maior autoridade do COI em relação aos Jogos de 2016? Seguiu o jogo de empurra.

“Nós estivemos lá e parece muito bom. Progressos foram feitos”, disse sobre o fato de o plantio da grama, por exemplo, já ter sido iniciado e eventos testes para o local estão marcados para setembro de 2015. “Mas vamos deixar isso para o Carlos (Arthur Nuzman) para nos falar mais sobre esse problema”, completou.

Nuzman deu um sorriso amarelo, e visivelmente contrariado, seguiu com o seu lema “pergunte para o Eduardo Paes”. “Eu tenho certeza que a Prefeitura terá o maior prazer em responder isso”, ironizou. Nawal resolveu, então, tecer um único comentário: “a cidade está lidando com o problema”. Antes do início do evento, o prefeito do Rio de Janeiro disse que “está tranquilo, que esse é o terceiro processo em relação ao campo porque o Brasil é um país livre e as pessoas podem argumentar o que quiserem na Justiça”. “Mas as obras não vão ser paralisadas”.

Ao final da coletiva de imprensa, cercado por jornalistas, o presidente do Comitê Organizador Rio 2016 voltou a mostrar irritação com a insistência no tema - por mais que o tema seja de responsabilidade da Prefeitura do Rio de Janeiro, Nuzman é o gerente das competições no Brasil e sua opinião é relevante para o caso.

“Mas vocês vão perguntar só disso. Existe um problema, a Prefeitura está tratando. O que eu posso dizer é que as obras estão bem avançadas”, limitou-se a dizer, preferindo o tema da ausência de críticas por parte do COI em relação aos preparativos para 2016.

Além de passar por este imbróglio no que diz respeito ao seu traçado, que não teria levado em conta estudos de impacto ambiental, o campo de golfe ainda tem um outro processo envolvendo a sua posse. De qualquer forma, sobre o tema ambiental, o juiz da 7a Vara da Fazenda Pública, Eduardo Antônio Klausner, deve decidir em um mês se concederá ou não uma liminar para paralisar as obras – como quer o MP-RJ.

Fonte: Terra
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