Jogos Olímpicos 2016

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20 de fevereiro de 2013 • 17h32 • atualizado às 18h29

Rio 2016: orçamento total dos Jogos Olímpicos pode não ser divulgado

Total gasto para o Brasil sediar a Olimpíada de 2016 ainda é incerto
Foto: Daniel Ramalho / Terra
  • André Naddeo
    Direto do Rio de Janeiro
 

Ao final das disputas das 28 modalidades, e após a cerimônia de encerramento, em 21 de agosto de 2016, o público brasileiro pode não ter a conta exata de quanto foi gasto para a realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o primeiro a ser disputado na América do Sul.

Depois de três dias de reuniões e visitas a obras de infraestrutura e instalações na capital fluminense ao lado da Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional, o Comitê Organizador dos Jogos de 2016 deixou claro que o G-40, o primeiro exercício orçamentário do megaevento, vai se tornar público em junho.

"Estamos terminando o orçamento de 40 meses antes dos Jogos. É a primeira vez que a gente pega as cotações de cada item, da função para o resultado, e vamos ter isso por volta de maio, até junho, para poder anunciar. É nosso compromisso fazer desse orçamento um documento público, para que o público saiba o quanto a gente gasta e arrecada”, afirmou Sidney Levi, novo CEO do comitê organizador dos Jogos.

No entanto, como o próprio nome diz, trata-se de um exercício de contas, e não de um número fechado. Além disso, o custo que será levado ao conhecimento geral tratará apenas da verba do comitê Rio 2016 a ser gasta, por exemplo, com as cerimônias de abertura e encerramento, segurança, instalações provisórias, comunicações e tecnologia.

No que concerne ao montante que será dispensado pelos três níveis de governo (municipal, estadual e federal) para se erguer as arenas e obras de infraestrutura, citadas pelas autoridades como legados dos Jogos, não entrará nesta conta. Ou seja, não há previsão de um gasto total, na ponta do lápis, de quanto o Rio 2016 custará, de fato, uma vez que o comitê organizador não tem responsabilidade para com esta divulgação.

Como ainda envolve a iniciativa privada, a conta torna-se ainda mais árdua, já que não há qualquer tipo de movimentação das três esferas de governo para que se torne público o quanto de dinheiro de empresas foi gasto, e quanto de verba pública foi dispensado.

Em 2009, quando o Rio de Janeiro venceu Chicago, Tóquio e Madri para tornar-se a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, a estimativa inicial de gastos com as arenas girava em torno de R$ 23 bilhões. O orçamento do comitê estava previsto para R$ 5,6 bilhões, mas esta conta, certamente, aumentará, já que o próprio Rio 2016 vê como normal que, a partir do momento que surjam novas necessidades para a organização, este valor aumente.

No final do ano passado, a ESPN Brasil obteve acesso a um destes exercícios orçamentários trazendo a informação de que o orçamento do comitê havia passado para R$ 9,4 bilhões, em um acréscimo de 68%, tendo em vista que a inflação no período de três anos ficou em torno de 25%, segundo IGP-M (índice geral de preços do mercado).

No dossiê de candidatura, por mais que não houvesse essa previsão, existia a possibilidade, caso necessário, de o governo federal aplicar um aporte de R$ 1,4 bilhão para o orçamento de organização do Rio 2016.

Terra