Danielle Zangrando
"O medo de perder tira a vontade de ganhar", tatuou Rafaela Silva
O judô é uma tradicional luta japonesa, criada por Jigor Kano, que em 1882 fundou a Kodokan (Instituto do Caminho da Fraternidade). A modalidade ainda carrega consigo muitos atributos de seriedade, muito comuns na época e no país em que foi criado, o Japão. Alguns desses pontos, como a disciplina e o respeito, são fundamentais para o aprendizado e o treinamento dos atletas. Mas hoje, no século XXI, alguns judocas, que dedicam a vida a esse esporte, resolveram expressar seu amor pelo judô e pela cultura japonesa, à qual foram apresentados por meio da luta, de uma forma muito moderna: tatuando no corpo elementos desse mundo. E apesar da seriedade do esporte nunca houve preconceito quanto a atletas tatuados, o que mostra que o talento para luta, a disciplina, o foco e a determinação do atleta são o que verdadeiramente importa para que eles consigam sucesso.
Rafaela Silva tatuou quatro palavras que inspiram sua carreira como judoca
Os atletas mais tatuados da equipe de judô do Brasil são Bruno Mendonça e Rafaela Silva. Ambos competem na categoria leve e coincidentemente irão lutar no mesmo dia em Londres. A Rafaela Silva tem apenas 20 anos e já tem uma importante missão: é esperado que ela traga da Inglaterra a primeira medalha de ouro do judô feminino brasileiro. Ela surgiu em um projeto social, o Reação, do renomado judoca Flavio Canto na Cidade de Deus. No ano passado, ela foi vice campeã mundial. Rafaela chama a atenção por seu estilo alternativo e carrega ao todo sete tatuagens pelo corpo, entre elas algumas frases dignas de uma campeã como ela.
Uma delas fica no antebraço esquerdo e ela explica. "Essa tattoo tem a ver com o judô, tem 4 palavras: judô, paixão, sonho e realidade. Judô que virou uma paixão e eu tenho um sonho que quero que se torne realidade". Além dessa, a outra fica no outro lado. "É uma frase que dá uma volta no meu antebraço direito escrito: o medo de perder tira a vontade de ganhar".
E é assim, determinada e confiante, que Rafaela vai para Londres "Estou bem tranquila, procuro não ficar me cobrando e colocando na cabeça que tenho que ganhar a medalha de ouro. Treinei e estou confiante, vim de um ano com grandes resultados e vou lutar como sempre lutei, dar meu máximo. Não vou me entregar fácil e vou deixa acontecer, o que tiver que ser vai ser. Mas que eu vou lutar pela medalha, isso vai ser até o fim".
Outro exemplo é o judoca Bruno Mendonça, que também vai representar nosso pais na Olimpíada de Londres. Ele fez um Samurai na batata da perna inspirado pelos mandamentos ícone japonês.
Bruno Mendonça mostra a gueixa que tem tatuada na perna
Os mandamentos são o que um guerreiro samurai precisa levar não só gravados na memória, mas, também, no coração. E, no caso de Bruno, na pele também. Eles são a busca de uma morte digna, a preservação da honra pessoal, sempre carregar consigo seu par de espadas, ser corajoso, ser justo e benevolente, manter sua palavra a qualquer custo, dedicar-se às artes como forma de aperfeiçoamento, ter gratidão à família e às pessoas que te ajudaram, lealdade ao seu senhor e dedicação ao trabalho. Para completar o desenho, ele adicionou uma gueixa, figura feminina muito representativa da cultura japonesa, e um templo, também representado com a arquitetura tradicional do país. Bruno espera que esses mandamentos estejam presentes na sua mente no dia 30 de julho. "Quero lutar nessa Olimpíada como se fosse a última, vou fazer de tudo para sair vitorioso. E, de preferência, que a vitória seja dourada". Bruno tem outra em volta do quadril em homenagem a mãe.
Algumas vezes as tatuagens também servem como lembrança de algum marco na vida dos atletas. Bruno já está planejando o próximo desenho para quando voltar de Londres: os aros olímpicos, para tornar inesquecível a experiência que ele teve representando o Brasil em Olimpíadas. Agora é torcer para que nossos atletas tragam gravado no coração o orgulho de representar o nosso País.
Terra, a Olimpíada como você nunca viu!
Twitter @ danizangrando
Colaboração : Fábio Coelho Miranda
No quadril, Bruno Mendonça homenageou a mãe
