Conversei com o chefe da delegação brasileira de natação em Londres, Ricardo de Moura, antes do seu embarque, para ter uma ideia do que ele espera para essa Olimpíada. Antes disso, queria falar um pouco do Ricardo. Posso chamá-lo com essa intimidade, pois já o conheço há 30 anos. Inclusive, foi ele meu último treinador, quando fiz minha transição de nadador para triatleta profissional, na década de 80. Além de chefe da delegação, Ricardo é o superintendente técnico da CBDA e grande operador por trás do sucesso da natação brasileira. Está junto com o presidente da entidade, Coaracy Nunes, desde o início dessa gestão, há duas décadas. Ambos promoveram uma revolução ao abrir a confederação aos treinadores, que opinam muito nos conselhos técnicos e têm enorme força na elaboração das políticas da natação.
Vou citar apenas um exemplo da importante atuação do Ricardo de Moura: ele fomentou, no Brasil, um calendário de natação flexível que, com certeza, é um dos motivos do nosso sucesso internacional. A cada ano, o calendário aquático muda em função da principal competição mundial. Esse ano, foi por causa dos Jogos Olímpicos de Londres e, desde 2011, as principais competições nacionais foram ajustadas para piscinas olímpicas (50 m), de forma que os atletas tivessem todas as chances para fazer os índices da CBDA, que são mais fortes que os índices da federação internacional (FINA) . Esse calendário culminou com a Seletiva Olímpica, no Troféu Maria Lenk, em abril. Lá foi montada essa equipe de 20 nadadores, que já está em Londres e tem chance de fazer história, conquistando um resultado inédito no quadro de medalhas.
Ricardo é um dos mais conceituados treinadores do Brasil. Muito respeitado mundo a fora, pois faz parte do conselho técnico da FINA, órgão que determina os rumos técnicos da natação mundial. Em Londres, ele atuará como chefe da delegação e me deu a seguinte opinião sobre a participação dos nossos nadadores nessa Olimpíada: "nunca houve uma preparação olímpica como essa. O requinte foi enorme. Aconteceram 35 ações preparatórias desde 2011 e houve um up grade tecnológico no acompanhamento dos atletas com excelência individual. Os nossos índices foram mais fortes que o da FINA. Outro ponto importante foi a inclusão de dois nadadores – que não se classificaram para esses Jogos, mas são potenciais destaques para a edição do Rio, em 2016 -, no projeto de integração. Estarão em Londres, participando da vivência olímpica, Alessandra Marcchioro e Arthur Mendes Filho".
Quando perguntei ao Ricardo sobre quantas medalhas iríamos ganhar, ele me olhou com uma cara de preocupação e disse: "não faz isso comigo, meu amigo". Eu tive de respeitar e não insisti, deixando-o com a sua enorme responsabilidade, na esperança de que isso fosse um bom presságio para a semana da natação brasileira em Londres.
Abraços!
