DJAN MADRUGA

Ao comentar a Olimpíada nesta segunda-feira, durante a transmissão ao vivo pelo Terra da prova dos 100 m peito, me enchide esperanças quanto à natação feminina do Brasil.

A vitória da “baixinha” de 1,72 m, Ruta Meilutyte, da Lituânia, o segundo lugar de Rebecca Soni, dos EUA (1,70 m), e o terceiro de Satomi Suzuki, do Japão (1,68 m), confirmaram o fato que as mulheres não precisam ser gigantes para subirem no pódio olímpico.

Há um credo na natação do Brasil que nossas meninas são baixas e fracas fisicamente, e por isso não conseguem se destacar internacionalmente. A verdade não é essa. O que falta mesmo é treino duro, intenso e longo, como fazem as americanas, europeias,asiáticas e australianas.

Para termos sucesso, é necessário que façamos uma grande mudança de mentalidade no treinamento de natação, desde a base até a seleção principal. Estive lendo um artigo sobre treinamento de base do russo Gennadi Tourestki, treinador do bicampeão olímpico Alexander Popov e de vários medalhistas soviéticos e australianos, pois ele foi durante muitos anos treinador chefe do Instituto Australiano do Esporte, um dos maiores centros de treinamento do mundo.

Nesse artigo, ele defendia que meninas nadadoras logo após a puberdade começassem a receber grandes cargas de treinamento na piscina, adicionadas a uma forte preparação física em terra. Observo que, ao contrário, antes da puberdade, o treino só era longo, mas com pouca intensidade para não afetar o crescimento das meninas.

Isso realmente deve estar sendo muito praticado mundo afora, e se confirma nessa Olimpíada pelas várias nadadoras chegando às finais com menos de 18 anos, e até ganhando provas como é o caso de três campeãs olímpicas: nos 100 m peito, Ruta Meilutyte (15 anos, da Lituânia); nos 400 m medley, Shiwen Ye (16 anos, da China); e nos 100 m costas, Missy Franklin (17 anos, dos EUA).

Concluo que os treinadores internacionais estão começando a treinar duro as meninas muito mais cedo. E se nossos treinadores seguirem pelo mesmo caminho, pode ser que também consigamos que uma baixinha brasileira de 15 anos se torne campeã olímpica, pois o Brasil tem muito mais gente nadando e mais tradição que a Lituânia, um país que nunca havia ganhado uma medalha olímpica de natação, enquanto que nós já temos doze medalhas de homens e nenhuma de mulheres.

Abraços!