DJAN MADRUGA

Dando continuidade ao texto de ontem publicado no meu blog olímpico no Terra, quando defendi que César Cielo terá em 2016 idade suficiente (29 anos) para brigar por medalhas, venho defender também que se inicie paralelamente e imediatamente o processo de renovação na Seleção Brasileira de natação com os novos talentos que proliferam pelas nossas competições no Brasil.

Considerando que a média da idade dos finalistas dos 50 m livre dessa Olimpíada de Londres era de 27 anos e que havia três finalistas com mais de 29 anos, Cielo poderá com certeza chegar na final de 2016 com chances de medalha, se tiver vontade para treinar. Mas isso não inviabiliza termos uma nova geração para acompanhar não só Cielo como Thiago Pereira (30 anos em 2016), Bruno Fratus (27 anos em 2016) e Joanna Maranhão (29 anos em 2016), todos veteranos em Olimpíadas. E os amigos internautas podem perguntar: existe essa possibilidade de renovação?

Felizmente, a história do nosso esporte mostra que uma geração passa e entra uma nova, com renovação à altura. Tem sido assim desde os anos 30 do século passado, quando Maria lenk (32) foi substituída por Piedade Coutinho (48), seguida por Tetsuo Okamoto (52), depois por Manoel dos Santos (60), José Silvio Fiolo (68), Ricardo Prado (84), Gustavo Borges (92), Fernando Scherer (96), até essa geração de Thiago Pereira e Cesar Cielo (08/12). Portanto, já devem estar por ai competindo os novos ídolos da geração 2016/20.

Basta procurarmos entre os estimados 60 mil nadadores federados no Brasil que encontraremos pelos menos seis talentos com potencial para brigar por uma medalha olímpica. Essa é uma conta usada pela antiga União Soviética, onde para cada 10 mil nadadores federados, existia um potencial talento olímpico.

Este ano, por exemplo, tive a oportunidade de chefiar a delegação brasileira infanto-juvenil que competiu no campeonato Multinations da Grécia e lá vários atletas brasileiros se destacaram contra os jovens europeus. Cito como maior exemplo o velocista carioca Matheus Santana, de 16 anos, que venceu os 100 m livre com tempo de 51s63, estabelecendo novo recorde da competição. Ele foi convidado ali mesmo, no evento, para fazer um estágio na Europa com Gennadi Tourestki, treinador do Alexander Popov, bicampeão olímpico dos 50 e 100 m livre.

Matheus Santana, depois disso, já bateu o recorde de campeonato brasileiro do César Cielo nos 50 m livre. Ou seja, ele é hoje mais rápido que o Cesão aos 16 anos. Como Santana, existem outros jovens nadadores nas categorias de base que devem receber atenção muito especial da CBDA, de forma que tenham chance de estar competindo no Rio em 2016 junto com Cielo e Cia.