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 Experiente e em forma, Camila sonha em voltar à Olimpíada com Beltrame
19 de janeiro de 2012 08h33 atualizado às 14h07

Camila (esq.) competiu em Pequim ao lado de Luciana Granatto, ganhando experiência. Foto: Getty Images

Camila (esq.) competiu em Pequim ao lado de Luciana Granatto, ganhando experiência
Foto: Getty Images

Danilo Vital

Na manhã da última quarta-feira, a remadora Camila Carvalho relembrou, em entrevista ao Terra, a emoção de disputar uma Olimpíada. Ela competiu em Pequim 2008 no skiff duplo, mesma categoria na qual hoje disputa vaga para remar ao lado de Fabiana Beltrame. Experiente e em plena forma, crê que nada pode abalá-la na busca por uma vaga em Londres. Em plena forma física, está pronta para voltar aos Jogos Olímpicos neste ano.

"Quando você está no Brasil, não vê os melhores do mundo ao seu lado. Bate uma pressão quando isso acontece. A Vila Olímpica é uma coisa muito legal, porque todo mundo que você admira está ali, e não se deixar levar na emoção é difícil", disse a atleta, já iniciada nesse impressionante universo. "Isso é bom, porque na próxima vez eu não vou ficar deslumbrada". Em Pequim, Camila competiu ao lado de Luciana Granatto e terminou a final C na terceira colocação, ficando com o 15º lugar no geral.

Camila e Granatto foram as primeiras brasileiras a conseguir vaga olímpica no skiff duplo. Agora, ela luta para ter a oportunidade de repetir o feito junto a Fabiana Beltrame, a primeira brasileira do remo a se classificar para uma Olimpíada, a primeira a ganhar medalha em etapas da Copa do Mundo e a única a conquistar o título mundial. Sua concorrente é Luana Bartholo, 25 anos, atleta do Flamengo, que pratica o esporte há mais tempo, mas nunca defendeu a Seleção Brasileira de remo.

"Eu já me sinto muito mais experiente por causa da Olimpíada. É muito diferente do que você competir em um estadual. Isso só vem com o tempo, e eu já estou há muito nessa", disse Camila, 30 anos, que veio de Brasília para o Rio de Janeiro por conta de uma regata, em 2004. Recebeu um convite do técnico do Vasco, aceitou fazer a experiência de um ano treinando no clube e desde então se firmou profissionalmente. Financeiramente, não. Ela mostra empenho também fora da água para se manter como profissional.

"Dá para viver, mas não dá para fazer reserva. Eu preciso da ajuda da minha mãe às vezes. O Vasco atrasa muito o salário. É um esporte bem amador mesmo", contou a atleta, formada em ciências políticas e relações internacionais. Camila sempre dá um jeito. Quando o sinal de telefonia móvel começou a falhar, ela atendeu ao Terra do aparelho da recepção do prédio onde mora na capital fluminense. E além da experiência, disse que também está bem fisicamente para suportar a carga de treinos.

No final de 2010, Camila caiu de bicicleta e rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo. Precisou passar por operação e ficou seis meses afastada, motivo pelo qual justifica a falta de resultados em 2011, principalmente nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, para os quais se classificou. "Hoje, estou bem melhor", disse a atleta, que ainda enumerou uma vantagem em relação a Luana Bartholo: está habituada a competir na categoria leve.

"Além da experiência, estou acostumada a estar no peso de competição certinho. São seis anos nessa categoria, com esse barco", afirmou. O limite de peso é 59 kg. Para alcançá-lo, Luana precisou emagrecer 10 kg, o que fez há mais de seis meses, período no qual Camila recuperava o vigor físico. As duas parecem chegar ao período pré-olímpico no auge. O técnico da Seleção Brasileira, o francês José Oyarzabal, deve anunciar a eleita para parceira de Fabiana Beltrame em fevereiro.

Até que a decisão seja tomada, Camila Carvalho vai continuar lutando por sua vaga. Se o sonho olímpico acabar com uma negativa da Federação, ela seguirá a vida no esporte, embora ainda não saiba como. Isso porque participa do Programa de Apoio ao Atleta, que ajuda esportistas a assumirem novas atividades profissionais através de bolsas de estudo e outros incentivos. "Estou na fase final. Se não for para Londres, espero já estar trabalhando durante a Olimpíada. Sei que não quero ser treinadora, mas quero continuar envolvida com o esporte."

Terra