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Distância, comida e "abismo": relembre críticas às instalações do Pan

31 out 2011
19h23
Leandro Miranda
Direto de Guadalajara (México)

Em meio às medalhas de ouro, competições emocionantes e trapalhadas da organização, o Pan-Americano de Guadalajara conviveu com outra constante durante os últimos 15 dias: as críticas feitas por atletas, técnicos, dirigentes e até espectadores às instalações que abrigaram os eventos dos Jogos. Ainda que nenhum problema mais grave tenha acontecido durante o torneio - todas as competições, por exemplo, foram disputadas dentro do cronograma esperado - houve falhas de planejamento e logística em vários locais que não passaram despercebidas.

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Das reclamações sobre a qualidade da comida na Vila Pan-Americana até o "abismo" que se abria aos pés dos jornalistas na zona mista do estádio de atletismo (concluído em cima da hora), passando pelas variadas críticas ao gramado sintético do futebol, não foram poucas as queixas contra as instalações do evento. No fim das contas, porém, o Pan se encerrou com festa e agradecimentos - nas palavras do chefe de missão do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Bernard Rajzman, os mexicanos deram um "jeitinho brasileiro" para contornar seus problemas de organização.

Confira as principais críticas às instalações do Pan 2011

Vila Pan-Americana
O lugar que deveria abrigar todos os atletas do Pan concentrados em Guadalajara já falhou em seu propósito inicial: por falta de espaço na Vila, o Brasil, por exemplo, teve que alocar algumas delegações em hotéis. Exemplos disso foram vôlei, hipismo e basquete feminino. Além disso, dois nadadores (Rodrigo Castro e Ana Carolina Santos) foram cortados da competição - um dos motivos alegados foi novamente a falta de leitos para eles na Vila. Outro ponto da instalação que recebeu críticas foi a comida: com poucas opções e muitos temperos com os quais os atletas não estavam acostumados, muitos deles - como a meio de rede Thaísa, do vôlei - passaram a se alimentar só com frutas e sucos.

Estádio Telmex de Atletismo
A sede que viveu a situação mais crítica do evento foi, sem dúvida, o estádio de atletismo. Inaugurado com o Pan já em andamento e a apenas quatro dias do início das provas no local, em 20 de outubro, muitos resquícios das obras atrapalhavam a estética interna do lugar, com salas não terminadas, ferramentas de pintura espalhadas e entulhos amontoados. Para o público, o telão não ajudava e quase nunca mostrava com qualidade as várias provas simultâneas que aconteciam, impedindo a torcida de acompanhar bem. Outro ponto criticado foi a região da zona mista, já que o fosso abaixo das arquibancadas se abria bem aos pés dos jornalistas sem nenhum tipo de proteção, deixando um verdadeiro "abismo" que poderia causar acidentes graves. Este problema, porém, foi corrigido no decorrer das competições.

Centro Aquático Scotiabank
Mesmo apontado como uma das sedes mais bem-sucedidas do Pan, o complexo que abrigou natação, saltos ornamentais, polo aquático e nado sincronizado também não passou incólume. Além do telão de resultados ter "enlouquecido" durante a eliminatória dos 50 m livre - dando a um nadador americano um tempo mais de 6s abaixo do recorde mundial e confundindo os atletas - outras críticas foram feitas à temperatura: alguns atletas reclamaram do ar abafado do estádio, enquanto outros (como Fabíola Molina) disseram que a água era muito fria.

Estádio Omnilife
Sede única de todas as partidas de futebol do Pan-Americano, o estádio do Chivas Guadalajara, inaugurado em 2010, foi uma das instalações mais controversas. Apesar da modernidade das instalações e excelente visualização do campo de qualquer lugar das arquibancadas, o gramado sintético não foi nem de longe aprovado pelos atletas. Na crítica mais famosa, o técnico da Seleção masculina, Ney Franco, disse que o campo do Omnilife era mais propício para "o pessoal tomar um chopinho e jogar uma pelada" do que para partidas profissionais.

Complexo Pan-Americano de Vôlei
Um dos esportes com maior apelo junto ao público, o vôlei sofreu de um problema sério em sua sede: o baixo número de ingressos disponíveis. Localizado em uma rua residencial, o Complexo Pan-Americano de Vôlei era modesto para os padrões do evento, e a limitação de lugares deixou muitos torcedores do lado de fora. Para efeito de comparação, a capacidade do ginásio em Guadalajara é de 3.221 pessoas, enquanto o Maracanãzinho, que abrigou o vôlei no Pan do Rio de Janeiro em 2007, comporta mais de 12 mil espectadores.

Instalações muito distantes de Guadalajara
O Pan-Americano de Guadalajara também poderia ser chamado de Pan-Americano de Jalisco, o Estado mexicano no qual a cidade se localiza. A grande distância de algumas sedes em relação à cidade "principal" dos Jogos transformou alguns esportes em eventos à parte, dificultando o deslocamento de atletas e exigindo até que alguns "madrugassem" para comparecer às competições. Alguns dos exemplos de esportes que ficaram "periféricos" foram vôlei de praia, vela e maratona aquática (situados em Puerto Vallarta, a 356 km de Guadalajara), beisebol (Lagos de Moreno, a 180 km) e remo e canoagem (Ciudad Guzmán, a 124 km).



Fonte: Terra
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