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Técnicos estrangeiros alavancam poder olímpico do Brasil

28 set 2011
07h42
Anderson Rodrigues
Direto de São Paulo

Ser apenas uma boa sede dos Jogos Olímpicos de 2016 não basta. Barcelona 1992, Sydney 2000, Pequim 2008 e, agora, Londres 2012 pensaram além de deixar um legado esportivo e econômico após o maior evento esportivo do mundo. Todos se preparam, mas com o objetivo de mostrar sua potência no quadro de medalhas. O Brasil, que em Pequim 2008 terminou em 23º (15 medalhas, sendo apenas três de ouro), espera ver um salto nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro. Para isso, várias modalidades já ganham sotaque. Técnicos estrangeiros (21), com tradição no esporte, estarão à frente do projeto de alto rendimento dos atletas brasileiros vislumbrando 2016.

» Veja os técnicos estrangeiros que defenderão o Brasil no Pan

Em terras mexicanas, o Brasil quer superar o terceiro lugar obtido no Pan do Rio, em 2007, quando conquistou 157 medalhas. No Jogos de Pequim, vôlei, natação e atletismo trouxeram os ouros. Com outras modalidades, como judô, vela, futebol e vôlei de praia, o País tem potencial olímpico. Mas grande parte das modalidades ainda sofre, seja pela falta de apoio, tradição ou potencial a ser explorado.

O melhor exemplo de desenvolvimento com a ajuda técnica veio há dez anos na ginástica artística. Em 2001, Oleg Ostapenko desembarcou da Ucrânia e ajudou o Brasil até 2008 no crescimento da modalidade. No Pan, será possível ver a evolução de esportes tradicionais, principalmente de outros que esperam crescer, ou até mesmo nascer.

Agora, a ginástica artística é dirigida pela ucraniana Irina Illyashenko, ex-auxiliar de Oleg. Com a tradição de comandar com rigidez, ela terá a missão de aproveitar aletas experientes, como os irmãos Hypólito (Diego e Daniele), Daiane dos Santos, Jade Barbosa e as novas meninas, que no Rio garantiram 11 medalhas, melhor desempenho das modalidades que vão a Guadalajara com técnicos estrangeiros.

Para reviver os bons tempos, a Seleção Brasileira de basquete masculina terá o argentino Rubén Magnano no banco. Com a experiência de quem levou o país natal ao inédito ouro olímpico em Atenas 2004, ele espera unir os jogadores que atuam fora do Brasil para fazer a modalidade crescer mundialmente. O primeiro passo foi o recente retorno aos Jogos Olímpicos após 16 longos anos.

O handebol está literalmente nas mãos dos gringos. No masculino, o espanhol Javier Garcia Cuesta terá a mesma obrigação do dinamarquês Morten Soubak, técnico do feminino. "É ganhar e classificar para Londres. É ouro e ponto", disse Morten, que já planeja uma equipe forte para mundiais - Brasil será sede em dezembro - e Olimpíadas.

Com o português bem afinado, o técnico exige rigor das meninas. Boa parte delas atua na Europa, em ligas fortes. Recentemente, oito foram para a Hungria, numa parceria. "Hoje não estamos no top. Espanha, França, Noruega (campeã olímpica), Rússia e Dinamarca dominam o handebol mundial. O fato de termos jogadoras em países com torneios de alto nível e de uma cultura do handebol diferente ajuda a Seleção", afirmou, antes de completar.

"Temos que evoluir muito na base e nas ligas aqui no Brasil. Parcerias com escolas e universidades, como acontece na Europa. Hoje, as jogadoras do Brasil que estão lá fora trabalham forte e já entendem o método rigoroso, de forte marcação e contra-ataques. O mais importante, o que me impressiona, é como as brasileiras defendem com prazer a bandeira. Isto faz a diferença".

Evolução e aprendizado
No Brasil, o boxe já foi motivo de orgulho. Atualmente, porém, a modalidade tem dificuldades em conquistar medalhas devido às regras olímpicas e pan-americanas, que proíbem a participação de profissionais. Somente atletas amadores podem lutar. Cuba é o país de mais tradição. E o Brasil terá dois técnicos com passagem pelo país: João Carlos Soares (Guiné Bissau) e Abel Bokovo (Benim, país africano).

No Pan, aliás, o maior número de técnicos estrangeiros vem de Cuba, com três, sendo dois na Luta Greco-Romana, com Pedro Garcia e Angel Torres, e um no polo aquático feminino. No polo, outro estrangeiro comanda a Seleção: o croata Goran Soblic.

O tiro esportivo seria a modalidade com mais técnicos de outra nacionalidade. Oleg Mikhailov (Ucrânia, carabina), Gerhard Stamm (Alemanha, tiro rápido) e Carlo Danna (Itália, tiro ao prato). Mas, em agosto, o alemão morreu no Rio de Janeiro. Apesar do abalo, os atletas tentarão melhorar o desempenho no Rio, quando a equipe conquistou uma prata e um bronze.

Para o presidente da CBTe (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo), Paulo Lima e Silva, os próprios atiradores solicitaram o apoio estrangeiro. "Não temos uma renovação e precisamos de técnicos experientes, com tradição na modalidade para que possamos aproveitar nossos talentos e trabalhar forte nos Centros de Treinamentos que temos. Eles estão sempre atualizados em relação a equipamentos e, principalmente, sobre a parte técnica, do que há de melhor no mundo. Pagamos por isso, e o tiro, apesar das dificuldades, vem crescendo", afirmou.

A canoagem também investiu na experiência dos húngaros. Depois de Akos Angyal, a Confederação aproveitou o maior ídolo da história: Sebastián Cuattrin, argentino naturalizado, dono de 11 medalhas pan-americanas, para ser supervisor do Comitê de Canoagem Velocidade (canoa e caiaque), com objetivo seguir navegando pelo País em busca de talentos.

Sua primeira ação em conjunto com a entidade foi trazer outro húngaro, Zóltan Bakó, como coordenador técnico. Em julho, o primeiro resultado: Isaquias Queiroz, 17 anos, obteve o maior resultado da história da canoagem ao ser campeão mundial júnior no C1 200 m, prova olímpica.

Experientes se rendem
Até mesmo os atletas mais experientes concordam com a atitude de trazer técnicos estrangeiros. Aos 42 anos, o mesa-tenista Hugo Hoyama, brasileiro com mais ouros em pan-americanos (nove), estará em Guadalajara sob o comando do francês Jean Renee.

Seus planos são encerrar a carreira nos Jogos de Londres 2012 - seria sua sexta Olimpíada -, montar um instituto para crianças e batalhar pela renovação. "A França hoje é a atual campeã mundial juvenil por equipes com o Jean. Ele cobra muito e vem de uma cultura de trabalhar bem a mente, importante no tênis de mesa. Era o que faltava para melhorar nossa equipe. Além disso, temos feito muitos treinos no CT da França. Existem talentos aqui e este intercâmbio trará frutos", disse Hugo, que novamente vai lutar contra os chineses naturalizados por Argentina e República Dominicana no Pan.

Neste caminho seguirão a esgrima, comandada por dois russos (Alkhas Laberbai e Miakotnykh Gennady), o levantamento de peso (o romeno Dragos Stanica), o triatlo (Sérgio Santos, de Portugal) e o tiro com arco, única modalidade que não conquistou medalha no Pan do Rio.

Para aumentar a qualidade técnica, o Brasil foi atrás de um técnico coreano (Lim Heesk), país com maior tradição olímpica no arco. E mais do que medalhas, o projeto é popularizar e alavancar estas modalidades no país que sempre voltou seus olhos para o futebol, que, por sinal, jamais ganhou um ouro em Jogos Olímpicos e decepcionou no Pan 2007, eliminado pelo Equador.

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Argentino Magnano, do basquete, é o mais famoso treinador estrangeiro do Brasil no Pan
Argentino Magnano, do basquete, é o mais famoso treinador estrangeiro do Brasil no Pan
Foto: EFE
Fonte: Terra
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