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Ouro, atirador treina em casa e gasta do bolso por Rio 2016

COB / Divulgação

Mesmo sem estrutura e apoio financeiro da CBTE, Felipe Wu conquistou a medalha de ouro no Pan de Toronto e garantiu vaga para Olimpíada

12 jul 2015
17h24
atualizado às 23h14
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Medalha de ouro na pistola de ar de 10 m dos Jogos Pan-Americanos, Felipe Wu é uma das grandes esperanças do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Mas todo seu talento e esforço podem ir por água abaixo. Sem apoio financeiro da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE), o atirador brasileiro sequer possui um centro de treinamento dentro dos padrões de competição e gasta do próprio bolso para se manter em forma.

“Não temos um lugar para treinar. São Paulo até possui alguns estandes de tiro, mas para que vou sair da minha casa, gastar dinheiro para me deslocar para um lugar que também é fora do padrão, entendeu? Entre ficar em casa e ir para lá, prefiro ficar em casa. Espero que encontrem uma solução até os Jogos Olímpicos. Aliás, tomara que seja bem antes do Rio 2016, né?”, explicou Felipe em entrevista exclusiva ao Terra.

Felipe Wu sonha em brilhar nos Jogos Olímpicos do Rio 2016
Felipe Wu sonha em brilhar nos Jogos Olímpicos do Rio 2016
Foto: Dennis Grombkowski / Getty Images

O atirador sabe do empenho da confederação e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para melhorar a situação, mas não demonstra otimismo quando o assunto é centro de treinamento. “A CBTE e o COB estão empenhados nisso, mas é difícil... Nosso esporte não tem muita divulgação, é uma modalidade cara e o espaço precisa ser grande”, completou, dando a entender que continuará treinando em um espaço improvisado no quintal de sua casa, localizada no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo.

Sem nenhum patrocinador, Felipe conta apenas com ajuda do Bolsa Atleta e um salário do exército brasileiro, já que foi contratado para integrar o time de atletas militares recentemente.

“Não tenho nenhum patrocinador. Sou um atleta do exército, é a única coisa que me fez continuar no esporte. É o único apoio que tenho, além do Bolsa Atleta, que me ajuda com R$ 1.850. Do exército ganho em torno de R$ 3 mil por mês, mas gasto muito mais que isso. Se você for ver, gasto em um dia de treino R$ 400 de munição. Além disso, ainda pago mensalidade de R$ 300 em um clube de tiro em Curitiba, quando vou passar uns dias com minha namorada. Fazendo as contas, esse dinheiro, pouco mais de R$ 4 mil, não dá para nada”, lamentou Felipe.

Em contato com o Terra, a CBTE confirmou que realmente não fornece nenhuma ajuda financeira aos atletas filiados. Estão garantidos apenas os gastos com competições oficiais. “Não ajudamos em termos financeiros, não. Sem valor de dinheiro. O que fazemos é arcar com os gastos do nosso planejamento técnico. Fazemos um planejamento de competições e, por exemplo, se tivermos sete provas importantes, a logística e custos é toda bancada por nós”, explicou Ricardo Brenck, diretor esportivo e vice-presidente da CBTE.

Felipe, que tem apenas 23 anos, é uma das esperanças brasileiras nos Jogos Olímpicos. Depois de “decepcionar” no Pan de Guadalajara, em 2011, como ele mesmo admitiu, brilhou neste domingo e já garantiu sua vaga na Olimpíada. Agora, ele participará de etapas da Copa do Mundo para chegar em sua melhor forma no Rio de Janeiro.

“Vou realizar meu sonho de disputar uma Olimpíada, mas tenho que manter o foco e pensar passo a passo. Hoje, para brigar por medalha, minha chance, de zero a dez, é cinco. Não dependo só de mim, existem outros bons adversários. Mas apesar de toda essa situação, tenho que sonhar”, finalizou, desejando que a situação melhore para que possa continuar brigando por mais medalhas douradas para o Brasil. 

Ranking Geral - País Ouro Prata Bronze TOTAL
Canadá 10 8 6 24
Estados Unidos 7 5 7 19
Colômbia 6 5 3 14
México 4 6 7 17
Brasil 4 4 5 13
Veja o quadro completo aqui
Fonte: Terra
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