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Cássio se torna maior do século no Timão e diz: 'Espero ficar muito tempo'

6 set 2015
08h17
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Protagonista em duas das maiores conquistas do Corinthians, a Libertadores e o Mundial de 2012, Cássio já está marcado na história do clube, mas a cada dia aumenta sua importância. Neste domingo, no clássico contra o Palmeiras, o camisa 12 dará mais um passo para se eternizar entre os maiores que defenderam o Timão. Ele se igualará a Felipe com 193 jogos disputados pela equipe, assumindo a liderança do ranking dos goleiros que mais vestiram a camisa alvinegra no século 21 e passando a ser o sexto de toda a história (atrás de Ronaldo, Gilmar, Cabeção, Bino e Ado).

Se depender de Cássio, outras marcas e recordes virão. Sem negar que torcia para o Grêmio na infância, ele afirma com convicção que se tornou mais um do bando de loucos e que pretende seguir por muito tempo no Corinthians. Mesmo assim, evita estipular prazos ou metas e não descarta voltar à Europa no futuro.

Um dos responsáveis pelo Timão ter a melhor defesa do Brasileirão, o goleiro recebeu a reportagem do LANCE! no CT Joaquim Grava e, por cerca de meia hora, falou sobre a sua fase e da equipe, revelou ter se desestabilizado com a crise vivida pelo clube meses atrás, admitiu ainda alimentar esperanças de ser convocado para a Seleção e projetou o Dérbi desta tarde. Leia abaixo a entrevista:

Contra o Palmeiras você irá se igualar ao Felipe como o goleiro que mais defendeu o Corinthians no século. Você costuma acompanhar essas estatísticas? O que essa marca representa?
Mais ou menos. Não sabia que ia passar o Felipe, a minha assessoria que passou isso. Fico feliz de estar batendo mais um recorde. É a minha quarta temporada no Corinthians, estou muito feliz aqui e tenho contrato longo. Espero bater mais recordes.

Tem um número de partidas que você pensa atingir pelo clube?
Não, não... A gente não sabe o dia de amanhã. Vamos por etapas, mas espero ficar muito tempo aqui.

Hoje você já se vê como um dos maiores da história do clube?
Quando você entra para jogar no Corinthians a responsabilidade é bem grande. Ídolo? De repente, quando eu sair ou encerrar a carreira aqui vou virar. Me identifiquei bastante com o time, com a torcida, tenho um carinho enorme. Mas deixo a idolatria de lado, prefiro trabalhar forte para me manter bem e seguir como titular da equipe.,

Após conquistar Libertadores e Mundial, o que ainda te motiva? E qual será o próximo passo?
O próximo passo é tentar ganhar o Brasileirão, que é o que temos nesse ano. Falta muita coisa, mas estamos bem. Espero que possamos manter a regularidade e conquistar o título.

(Foto: Ari Ferreira)

Você nunca pede para ser poupado e, quando se machuca, faz de tudo para voltar logo. Por que esse lado fominha?
Acho que é a vontade de querer jogar. É muito ruim ficar parado, não gosto de ficar fora, procuro jogar todos. Muitas vezes, tive lesões e voltei antes da hora, até por causa da vontade de querer ajudar. E isso acontece também por causa da identificação, de gostar do clube.

Isso é bom ou tem um lado ruim?
É bom, é uma coisa positiva. Chato seria se eu fosse acomodado. Muitas vezes o médico fala: “vai com calma”. Mas aí eu digo: não, vamos lá, estou bem, dá para fazer. Acho isso legal. Mostra que eu gosto do clube, eu sempre à disposição para ajudar.

Em que nível se vê hoje?
Desde que cheguei ao Corinthians, na questão de percentual de gordura e peso, essa é a minha melhor fase. Consegui baixar , os meus testes de hoje são os melhores desde que cheguei. E estou me sentindo muito bem tecnicamente também. Depois que eu me machuquei e voltei, tive uma evolução muito grande, tanto é que tenho me destacado bastante nos jogos. Estou me sentindo muito bem.

Ainda pensa em Seleção? Costuma acompanhar as convocações com expectativa?
Claro que olho, até porque tenho objetivos, acredito que vou ter minha chance. Mas se eu não for convocado, não é uma coisa que eu vou ficar chateado ou sair twitando xingando treinador ou os outros goleiros. Jamais faria isso. Tenho certeza que, quando for convocado, vou estar muito bem preparado e me sairei muito bem.

Você viveu muitas glórias no clube, mas neste ano passou por fase turbulenta também. Como foi aquela breve crise e como viu a saída de outros ídolos?
Para ser bem honesto, eu fiquei bastante preocupado no começo. Geralmente existem muitos boatos de que jogadores podem sair. Naquele momento, não só existiam boatos, como os jogadores estavam saindo de fato. Acabei fazendo uma coisa que não é legal, me preocupei com as coisas de fora e, por isso, caí de rendimento. Depois consegui colocar a cabeça no lugar, conversei com o pessoal e ficamos bem. Independentemente das saídas, colocamos na cabeça que o grupo precisava ficar unido e fechado com o treinador. Se a gente ficasse preocupado, a gente não iria render, o time não iria vencer, a pressão iria aumentar. Em vez de brigar em cima, a gente poderia brigar lá embaixo.

O que mais lhe preocupou?
Pô, saíram jogadores notáveis! Saíram Guerrero, Emerson, Petros. Querendo ou não, o elenco perdeu qualidade. Só chegou o Rildo e voltou o Rodriguinho. O Corinthians tinha problema financeiro, a gente sabia que o clube não tinha dinheiro para contratar jogadores... Eu fiquei preocupado com isso, com o que poderia acontecer. Mas foi coisa de três ou quatros jogos. Conversei com o Tite. Consegui colocar a cabeça no lugar e tive um salto de rendimento.

Renato Augusto chegou a declarar que pensou em “abandonar o barco”. E você?
Não. Eu estava mais preocupado com o clube, com o nosso time, do que pensando em ir embora. Você nunca sabe o que pode acontecer, não sei se chegaria uma proposta. Na época, havia especulação em cima de quase todos. Mas eu estava bem tranquilo.

Foi o Tite que conseguiu segurar o grupo e acamar os jogadores?
Todo mundo tem um respeito muito grande por ele, o ambiente para trabalhar com ele é muito legal. Dos jogadores que saíram, dois não renovaram o contrato (Guerrero e Sheik) e o Petros tinha o sonho de jogar na Europa. Acredito que o Tite tem um poder muito grandes nestas situações. Tenho certeza que os jogadores pensam e repensam em ir embora por causa do Tite, que é um grande treinador, vencedor. Vários saíram, mas conseguimos manter um padrão. Os jogadores acreditaram no trabalho dele, na reformulação, e o time está jogando muito bem.

Você mencionou o sonho do Petros em jogar na Europa. E você, pensa em voltar um dia?
A gente não sabe o dia de amanhã, não adianta eu falar que vou ficar eternamente no Corinthians. Já vi casos de jogadores que falaram isso e depois acabaram indo embora. No futebol, vocês sabem, a questão financeira é importante. Se chegar uma proposta milionária? Eu não posso dizer que não vou embora. O que eu posso te falar hoje: estou muito feliz no Corinthians, tenho contrato longo aqui. Dificilmente eu iria para um clube com torcida menor.

Para um clube do Brasil...
Ah, é bem difícil. Tenho uma identificação muito grande com o Corinthians, dificilmente me veria jogando em outro clube brasileiro.

(Foto: Ari Ferreira)

Como tem visto essa polêmica em torno da arbitragem? Não acha que o Corinthians está passivo?
Tem muita gente que fala, mas prova, que é bom, não tem nada. Eles acham que têm algo manipulado? Precisam provar. Não adianta falar um monte de coisa. A gente fica chateado com tudo isso, porque estão dando ênfase para a questão da arbitragem e estão ignorando o que estamos fazendo. O Corinthians tem a melhor defesa, o melhor saldo, só perdeu uma partida em casa, tem uma regularidade muito boa... E as pessoas esquecem isso. É claro que têm acontecido muito erros de arbitragem, mas a gente não quer que a arbitragem erre a favor ou contra. Queremos uma arbitragem correta. Se os erros acontecem, os culpados não são os jogadores. Os caras estão mais preocupados em criticar a arbitragem do falar o que temos feito de bom.

As críticas à arbitragem podem ser uma forma de tirar o foco do desempenho em campo?
Acho que sim. Tem time que perde duas ou três vezes seguidas ou tem uma queda de rendimento, mas acaba jogando a culpa para o árbitro. Fala-se muito do gramado aqui também, que o Corinthians molha o gramado e o deixa escorregadio. Mas o gramado do Corinthians é a prova da evolução. As novas arenas no Brasil deviam seguir o exemplo do nosso gramado.

Quando você se machucou, muita gente pediu a permanência do Walter no time. Como viu isso? Acha que houve desrespeito com sua história?
Estou indo para o quarto ano aqui. Ninguém é unanimidade. Torcedores falaram, mas aqui dentro do clube eu nunca ouvi falar nada. Sempre tive confiança dos treinadores. O Tite nunca me questionou. O Walter foi muito bem, é profissional, trabalha e, claro, quer ser titular. Tenho uma amizade com ele fantástica, conheço os familiares dele até. Se ele não tivesse ido tão bem, de repente não seríamos líderes hoje. Todo mundo contribuiu em algum momento. Eu fiquei machucado e procurei ficar concentrado na minha recuperação, em voltar rápido, em estar bem. Não pelo Walter, pois fiquei feliz por ele.

Se o Ralf e o Danilo saírem, você será o único campeão mundial remanescente. O que acha disso?
É a cultura do Brasil. Goleiros ficam mais nos clubes, tem o Rogério Ceni, Marcos, ex-Palmeiras, Fábio no Cruzeiro. Geralmente o goleiro fica muito. Lá fora, é normal jogadores jogarem em só um clube. Sei que vai aumentar minha responsabilidade.

Quando chegou aqui acreditava que poderia adquirir esse status?
Nos melhores sonhos nunca imaginei o que aconteceu comigo. Sempre trabalhei, me dediquei, mas nunca me imaginei jogando pelo Corinthians. Quando novo, era gremista, e todo mundo perguntava se iria jogar pelo Grêmio ou pelo Inter. Quando saí do Grêmio, eu imaginei voltar. Surgiu o Corinthians, eu fiquei feliz e fui me identificando. Lá no Sul, o Corinthians não é bem quisto (risos). Mas é diferente começar a viver o Corinthians. Não tem como não virar torcedor, não gostar, não se preocupar com o clube. Com todo respeito às outras torcidas, mas ninguém faz o que o corintiano faz nos jogos. Foi assim em fases difíceis, no Japão... Não aconteceu nada parecido.

O Corinthians não vence há oito clássicos. Isso pode afetar a equipe contra o Palmeiras?
Acho que esse número fica fora de campo. Claro que nos cobramos, a gente sabe que nos últimos clássicos não fomos bem. Por detalhes, tomamos gols e não conseguimos reverter os resultados. A gente quer quebrar esse tabu. A última vez que fomos no Allianz conseguimos ganhar. Espero que a gente faça um grande jogo. Ganhar clássico ajuda a melhorar o ambiente, o clima com a torcida. Se ganharmos, vamos manter a distância para o segundo ou aumentar.

O time tem cara de campeão?
Está bem, mas é cedo para falar em ser campeão. Faltam muitas rodadas. Se a gente conseguir manter o que estamos fazendo, principalmente em casa, e fora conseguirmos buscar pontos, temos grande chances.

Lance!
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