
- Allan Farina
- Direto de Londres
Primeira boxeadora a conquistar uma medalha para o Brasil em Olimpíadas, Adriana Araújo disparou contra a Confederação Brasileira de Boxe e disse que, antes dos Jogos de Londres, foi obrigada a permanecer na Seleção mesmo contra sua vontade. Na manhã desta quarta-feira, Adriana foi derrotada pela russa Sofya Ochigava, mas garantiu a medalha de bronze.
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"O povo brasileiro não sabe a dificuldade que tive não só em minha trajetória de 12 anos, mas também nos últimos dois anos. Foram algumas dificuldades que tive que superar na Seleção Brasileira, as depressões por ficar longe da minha família, longe do meu técnico e pelo fato de o presidente (Mauro José da Silva, no cargo desde 2009) me obrigar a ficar na Seleção Brasileira e eu não querer. Também consegui superar a derrota que tive no Pan e mostrar a mim mesmo que sou a Adriana Araújo", afirmou a pugilista brasileira sobre o fato de ter de treinar em São Paulo com a equipe da CBBoxe.
Adriana confessou ainda que ouviu pessoas da própria Seleção Brasileira de boxe dizendo que ela não seria capaz de se classificar para a Olimpíada. "Tenho que agradecer a Deus e a todas as pessoas que compartilharam comigo e me ajudaram, até mesmo quem não me ajudou. Muitas vezes me vinham com negatividade, até mesmo alguns membros da minha Seleção. Alguns chegaram e me disseram que não tinha nem capacidade de me classificar, mas graças a Deus trouxe medalha para a Seleção Brasileira e para o boxe do Brasil", completou.
A lutadora afirmou que seu desejo era permanecer treinando com seu técnico, o baiano Luiz Dórea, que também trabalha com o campeão dos pesados do UFC Junior Cigano. Perguntada sobre as dificuldades que enfrentou em sua carreira, Adriana voltou a falar contra a Seleção e disse que outros atletas estão na equipe contra a própria vontade.
"Passei pelas dificuldades que todo atleta brasileiro passa e mais ainda a pela obrigação que o presidente da Confederação Brasileira de Boxe fez sobre a gente atletas a ficar na Seleção, onde ninguém quer ficar. Onde vivem muitos com depressão, eu por não treinar com o próprio técnico, o Luiz Dórea, com quem trabalhei por 12 anos. Sempre esperando esse momento para colher tudo aquilo que foi plantado durante esses anos. Tudo isso fez com que eu lutasse, redobrasse minha luta para chegar aqui nesse momento e trazer essa medalha", explicou a boxeadora.
Perguntado pelo Terra sobre as acusações de Adriana, Cláudio Aires, técnico da Seleção feminina, se recusou a comentar. "Sobre isso você tem que perguntar para ela, porque eu não respondo esse tipo de pergunta", disse o treinador. A reportagem também entrou em contato com o chefe da delegação do boxe, Otílio Toledo, que afirmou que se pronunciará somente após se informar melhor sobre o caso.
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- A brasileira Adriana Araújo confirmou nesta quarta-feira a "cor" da segunda medalha da história do boxe em Jogos Olímpicos. A atleta, aluna de Luiz Dórea (ex-treinador de Popó e atual de Junior "Cigano", campeão peso pesado do UFC), acabou derrotada pela russa Sofya Ochigava, vice-campeã mundial neste ano, por 17 a 11 e ficou com o bronze na categoria peso leve (até 60 kg), destinada aos derrotados nas semifinais do torneio da modalidade Foto: AP
- O resultado negativo desta quarta-feira, o segundo consecutivo para a russa (Adriana foi superada nas quartas de final do Mundial deste ano) confirmou o segundo bronze da história do boxe brasileiro em Olimpíadas Foto: Reuters
- A primeira medalha do País ocorreu na Cidade do México, em 1968, quando Servílio de Oliveira subiu no degrau mais baixo do pódio. Foi também a 100ª premiação da história do esporte nacional nos Jogos Foto: Reuters
- Em busca de garantir o melhor resultado da história do boxe brasileiro em uma Olimpíada, Adriana Araújo assumiu uma postura agressiva no início do combate desta quarta-feira. Entretanto, diante de um adversária experiente, a brasileira sofre com a velocidade da rival, que apostou nos contra-ataques para manter o duelo equilibrado. Ao final do primeiro round, as duas pugilistas terminaram empatadas por 3 a 3 Foto: Reuters
- A velocidade da atleta russa afetou a brasileira na parcial seguinte. Variando a sequência entre jabs e cruzados, Sofya Ochigava encaixou bons golpes e conseguiu neutralizar a potência de Adriana. O desempenho nos dois minutos convenceu os juízes, que deram uma vantagem de dois pontos para a competidora europeia. Placar de 5 a 3 Foto: Reuters
- Em desvantagem, Adriana adotou uma postura mais solta no terceiro round. Agressiva dentro do ringue, a brasileira chegou a atacar a atleta russa até em momento no qual a rival ajeitava os shorts - o árbitro não interrompeu o combate e, por consequência, não puniu a baiana. No final, a representante nacional encaixou dois diretos, mas que não foram suficientes para virar o duelo: 5 a 3 para Ochigava Foto: Reuters
- A vantagem de quatro pontos fez a diferença no último round. Adriana precisou adotar uma postura ainda mais ofensiva, na busca pelo empate, e abriu a guarda durante a maior parte da parcial. A russa, experiente e ciente do jogo da baiana, trabalhou no contra-ataque Foto: Reuters
- A russa confirmou a tranquila vitória depois de oito minutos de duelo Foto: Reuters
- Os juízes deram 4 a 2 no último round e 17 a 11 no geral a favor de Sofya Ochigava Foto: AP
- Apesar da tristeza pela derrota, Adriana pode comemorar a primeira medalha do boxe feminino brasileiro Foto: Reuters

