- Allan Farina
- Direto de Londres
A judoca Rafaela Silva informou por meio de comunicado emitido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que não pretende buscar seus direitos após ter sido vítima de ofensas racistas por meio do Twitter após a derrota nas oitavas de final da categoria até 57 kg da Olimpíada de Londres. Ainda assim, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, insiste que o caso deve ser investigado pela Polícia Federal.
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De acordo com a assessoria do ministério, Rebelo pediu que a PF se envolva no caso para identificar o IP dos autores das ofensas, já que se trata de um crime inafiançável, apesar do desejo da atleta em não levar o caso adiante.
De acordo com Rosicléia Campos, treinadora da Seleção feminina, a atleta recebeu mensagens de cunho preconceituoso pela rede social após sua eliminação para a húngara Hedvig Karakas.
"Chamaram de macaca, que tinha que ir para jaula. Que país é esse que a cor de pele justifica um ato assim?", questionou a técnica. Rafaela recebeu ofensas e cobranças pesadas por parte de internautas após sua derrota para a a húngara Hedvig Karakas por desclassificação após tentar um golpe ilegal.
Uma usuária do Twitter reclamou com a atleta pelo microblog: "cara, que vexame. Não te ensinaram a jogar limpo? Mais uma que foi para fazer o Brasil passar vergonha e chorar", escreveu @Dri_Caldeira. Irritada, Rafaela respondeu: "e quem é você pra falar de mim? Outra que não tem o que fazer fica aqui tomando conta da vida dos outros".
Entre as principais acusações, a internauta chamou a atleta de "desonesta" e disse que "faltou espírito olímpico": "é dinheiro do povo que te manda pra Londres, emporcalhar o nome do País!! Chega de desonesto no país!!", continuou a tuiteira.
OAB condena ataques racistas à judoca Rafaela Silva em Londres:
Também nesta terça-feira, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous, manifestou irrestrita solidariedade à judoca Rafaela Silva.
Segundo Damous, é inacreditável que manifestações de cunho racista como essas continuem a acontecer. "A judoca Rafaela, futura campeã nas Olimpíadas de 2016, no Brasil, merece o nosso incentivo e a nossa solidariedade e não agressões de cunho racista".
Damous lamentou que as rede sociais, concebidas como instrumento de democratização da informação e da comunicação, tenham sido desvirtuadas, tornando-se cenário para ofensas à honra e à reputação das pessoas. "Os usuários deste tipo de comunicação devem tomar cuidado para não agredirem as pessoas usando palavras de cunho racista ou qualquer outro tipo de ataque pessoal e que, certamente, vão virar processo na justiça".
Rafaela, 20 anos, moradora da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, e revelada por um projeto social, era uma das esperanças de medalha do Brasil na Olimpíada na categoria leve (até 57kg) do judô, mas foi desclassificada ao pegar a perna da adversária com as mãos, golpe que foi proibido no esporte em 2009.
- A brasileira Rafaela Silva protagonizou um momento confuso nos Jogos Olímpicos de Londres. A competidora nacional acabou eliminada da competição, válida pela categoria dos leves (até 57 kg), depois de aplicar um golpe ilegal, apontado pela arbitragem somente depois de revisão pedida pelos árbitros laterais Foto: AFP
- Depois do anúncio do juiz central, que a princípio havia marcado um wazari a favor de Rafaela, a carioca chorou copiosamente ainda no tatame e precisou ser consolada pela adversária, a húngara Hedvig Karakas Foto: Reuters
- A competidora aplicou a entrada e conseguiu encaixar um wazari, anotado imediatamente pela arbitragem. Contudo, os árbitros laterais pediram revisão e flagraram o ataque da brasileira às pernas da rival, o que não é permitido pela regra Foto: Reuters
- Deitada e chorando muito, a carioca precisou ser amparada pela própria adversária húngara, que, constrangida, comemorou discretamente a classificação às quartas de final Foto: Reuters
- Judoca criada no Instituto Reação, na Cidade de Deus, em projeto social comandado pelo medalhista olímpico Flávio Canto, ela deixou o tatame abalada pela eliminação Foto: Reuters
- Amparada pela técnica Rosicleia Campos, a jovem de apenas 20 anos passou sem falar com a imprensa rumo aos vestiários Foto: Reuters
- A brasileira era considerada uma das favoritas ao pódio, ainda mais depois da queda da portuguesa Telma Monteiro, terceira no ranking mundial, um posto acima de Rafaela Foto: Reuters
- A brasileira Rafaela Silva apagou nesta segunda-feira o dia anterior tímido do judô nos Jogos Olímpicos de Londres. A competidora do Rio de Janeiro venceu a alemã Miryam Roper por dois yukos de vantagem, em duelo pela categoria dos leves (até 57 kg), e avançou às oitavas de final da competição Foto: Reuters
- O triunfo quebrou o jejum do último domingo, quando o País, com Erika Miranda e Leandro Cunha na categoria meio-leve, acabou eliminado ainda nos primeiros combates Foto: Reuters
- As duas atletas evitaram qualquer tipo de ação no primeiro minuto de luta. A falta de atitude de ambas resultou em uma punição para cada, castigo que acordou a brasileira Foto: Reuters
- Dona de um retrospecto de quatro lutas e quatro vitórias contra a alemã, Rafaela Silva controlou o ritmo do combate e somou o primeiro yuko por conta da falta de combatividade da rival, que buscou evitar o confronto direto Foto: Reuters
- A vantagem soltou o jogo de Rafaela até o final do combate. Com tranquilidade, a judoca brasileira conseguiu somar outro yuko, revertendo um uchimata da adversária, e praticamente definiu o combate Foto: EFE
- Pódio do judô feminino (categoria -57 kg), que teve a japonesa Kaori Matsumoto em primeiro lugar e a romena Corina Capiroriu em segundo Foto: AP

