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Palestrante, Derly ensina ‘caminho do ouro’ e confessa saudade dos tatames

Único judoca brasileiro bicampeão mundial, João Derly vai dar palestra motivacional aos atletas brasileiros que disputarão medalha, a partir de segunda-feira (26), no Mundial de Judô do Rio de Janeiro

21 ago 2013
17h22
atualizado às 17h25
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A faixa do quimono avisa: ‘bi mundial’. Mas o vai e vem entre os atletas com o celular em mãos, trocando mensagens, deixa claro que o papel de João Derly, no primeiro treinamento de toda a delegação brasileira para o Mundial de Judô, a partir da próxima segunda-feira, no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, é único, mas não menos importante: passar confiança.

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João Derly: "Quero contar alguns episódios que eu vivenciei de como lidar dentro da competição"
Foto: Daniel Ramalho / Terra

O agora ex-judoca gaúcho, campeão mundial em 2005 (Cairo, Egito) e 2007 (Rio de Janeiro, Brasil), mas aposentado desde junho, foi convidado pelo técnico Luiz Shinohara e pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) para dar uma palestra aos atletas brasileiros que, assim como ele, Tiago Camilo e Luciano Corrêa, subiram ao lugar mais alto do pódio mundial.

“Trouxe vídeos dos dois mundiais com os melhores momentos das competições. Quero contar alguns episódios que eu vivenciei de como lidar dentro da competição”, explicou Derly, que relembra episódios dos dois torneios que, na sua opinião, fizeram a diferença em seu controle mental rumo à medalha de ouro.

“Na final de 2005 contra o japonês (Masato Uchishiba), tem até uma foto que registra isso. Nós estávamos reunidos num cantinho e, no outro, está o time do Japão. O japonês está sentado ao meio, e em volta está os principais judocas da história do Japão, que eu assistia no tempo das fitas. No que algumas pessoas poderiam pensar que ele está recebendo dicas desses grandes atletas, eu já pensei o contrário, que ele vai ficar nervoso na hora da luta porque está muito pressionado”, relembrou.

“Na semifinal contra o armênio, em 2007, tem um momento que eu cansei, já que eu vinha de muitas lutas no golden score. Pensava o que eu iria fazer. Mas quando eu troquei a pegada e a respiração dele ficou bem próxima do meu ouvido, eu percebi que ele estava muito ofegante. Aí veio na minha cabeça: ‘ele está pior do que eu’. Aí tirei aquela energia e passou todo o cansaço. São detalhes que você sempre precisa tirar durante a competição”, detalhou ainda.

Seleção treina: Mundial de Judô terá início na segunda-feira (26)
Seleção treina: Mundial de Judô terá início na segunda-feira (26)
Foto: Daniel Ramalho / Terra

Duas reais esperanças de medalha do torneio que o Rio de Janeiro recebe pela segunda vez, Sarah Menezes e Felipe Kitadai, ambos da categoria ligeiro (48kg e 60kg), aprovaram a presença ilustre no treinamento ocorrido na Escola de Educação Física do Exército, na Urca, zona sul do Rio de Janeiro.

“É muito bom você entrar na cabeça dos atletas que já passaram pelo que ele passou, faz com que a gente tenha uma consciência mais direta. Quando uma pessoa veio do mesmo caminho que o seu, você confia mais. Vai ser muito importante esta palestra dele. Vai fazer com que esses jovens da seleção amadureçam mais ainda”, disse Sarah, ouro em Londres-2012.

“Achei ótimo. Ele foi o primeiro campeão mundial, e é o único bicampeão da história do judô brasileiro. Ele é um amigo, e um ídolo. É um grande parceiro, está sempre nos ajudando”, completou ainda Kitadai, bronze nos Jogos Olímpicos do ano passado.

Para João Derly, a troca de experiência é fundamental para o atleta que, quando jovem, teve a oportunidade de viajar com nomes como Aurélio Miguel (ouro em Seul-88). “Claro que a responsabilidade para mim é grande de ter que falar atletas com o nome que eles têm hoje, e com os resultados que têm obtido. Mas acho que quando a gente fala, por experiência própria, isso tem um peso grande. E todos param para ouvir um pouco. Eu sempre gostei de ouvir os outros para tirar alguma coisa para mim”, relatou ele.

A única coisa, talvez, que João Derly ainda não saiba lidar bem é com a saudade. Longe há dois meses, oficialmente, dos tatames e das lutas, “é inegável que passa um filme na nossa cabeça, dá vontade de viver tudo de novo. Mas a vida é assim mesmo, não tem jeito”.

Fonte: Terra

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