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 Meninas de ouro encaram o preconceito pelo boxe
19 de março de 2005 10h11

Principal destaque na premiação do Oscar deste ano, o filme Menina de ouro conta o drama de uma mulher de 30 anos que decide seguir a carreira de boxeadora. Longe dos holofotes de Hollywood e mesmo do profissionalismo do esporte norte-americano, as lutadoras brasileiras encaram dificuldades parecidas com as da personagem Maggie Fitzgerald.

Além da falta de patrocínio, as meninas de ouro do Brasil precisam brigar principalmente com o preconceito, que ainda atinge o esporte com jabs e diretos certeiros.

"Ainda existe muito preconceito. Tem muito homem que não aceita. As pessoas ficam meio com medo", conta ao Terra Esportes a campeã brasileira da categoria até 70 kg, Andréia de Oliveira Bandeira.

Aos 18 anos, ela divide o tempo entre os estudos do ensino médio e os treinamentos, que começaram em 2003, como uma forma de defesa pessoal. Em casa, no entanto, o apoio à escolha não foi total. "Meu pai não aceita muito, mas minha mãe me apóia bastante, vai sempre nas minhas lutas."

Para as lutadoras, no entanto, o boxe pode se tornar uma forma de sobrevivência. O Comitê Olímpico Brasileiro repassa uma verba para as campeãs, vices e terceiras colocadas de cada categoria. O valor é R$ 750.

Este reconhecimento oficial, no entanto, não é suficiente para que as meninas e os treinadores sejam bem vistos por parte da comunidade do próprio boxe.

"O preconceito é muito forte e o mais forte está dentro do próprio esporte. Eu, por exemplo, sou considerado um técnico de segundo nível porque trabalho com mulheres", revela o treinador Marcos Mendes, um dos pioneiros do boxe feminino no País.

Ele conta que teve a idéia de trazer a modalidade para o Brasil após assistir a uma luta entre mulheres, na preliminar do combate entre o norte-americano Mike Tyson e o inglês Frank Bruno.

"Foi a melhor luta da programação", lembra Mendes, fã de Bernardinho (vôlei) e Renê Simões (futebol), técnicos que já se consagraram trabalhando com mulheres.

Segundo Mendes, o boxe olímpico é o ideal para as mulheres por valorizar a velocidade e a coordenação em detrimento da força. "As mulheres têm muito mais coordenação que nós, homens. Elas estão bem à frente e se dedicam muito mais."

O Oscar também ajuda no crescimento do esporte, apesar de Mendes apontar que Menina de ouro mostra muitas cenas que não coincidem com a realidade.

"Eu vi o filme três vezes e me emocionei nas três. Tem muita coisa de cinema, muita licença poética. Mas, também tem muita coisa que se identifica. Aquela coisa de a moça querer lutar logo é igual o que eu vejo nas minhas meninas", completa.

Redação Terra
  1. A brasileira Simone Santos faz pose. Ela é uma das esperanças brasileiras no Pan-Americano da Argentina

    Foto: Divulgação

  2. A norte-americana Laila Ali posa ao lado do pai, o legendário Muhammad Ali. Ela é o principal nome do boxe feminino no mundo

    Foto: AP

  3. A norte-americana Laila Ali, nome mais famoso do boxe feminino mundial, participa de pesagem e mostra estilo ao exibir os músculos

    Foto: AP

  4. Laila Ali acerta golpe em Jacqueline Frazier durante a luta entre as duas. O combate foi vencido pela filha de Muhammad Ali

    Reuters
    Foto: Reuters

  5. As norte-americanas Laila Ali e Jacqueline Frazier trocam golpes durante luta entre as duas filhas de ex-campeões mundiais

    Reuters
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  6. A italiana Simona Galassi e a grega Antonia Papoutsaki lutam em torneio internacional realizado na Rússia, no início do mês

    EFE
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  7. Boxeadoras trocam golpes durante torneio internacional disputado na Rússia. Modalidade será exibição na Olimpíada de Pequim, em 2008

    EFE
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  8. A apresentadora Sabrina Sato, que pratica boxe como hobby, posa como lutadora em ensaio para a revista Playboy

    Foto: Divulgação

  9. A ex-participante do Big Brother Brasil Tatiana Giordano ouve instruções dos treinadores durante luta de boxe

    Foto: Divulgação

  10. Tatiana Giordano se protege e prepara um golpe durante luta de boxe

    Foto: Divulgação

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