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03 de março de 2011 • 12h29 • atualizado às 13h49

Programa de TV mostra Mike Tyson amante de pombos-correio

Gigante nos ringues, Tyson mostra lado gentil
Foto: Getty Images
 

Muito antes de Mike Tyson tornar-se boxeador campeão mundial dos pesos pesados, ele já tinha dado o primeiro soco, motivado por uma disputa por um pombo. Tyson diz que, quando era um garoto maltratado nas ruas pobres do Brooklyn, em Nova York, os pombos foram o primeiro amor. Mais tarde, davam a ele um sentimento de paz e tranquilidade antes e depois de algumas lutas profissionais mais ferrenhas.

Agora, o homem apelidado de "Iron Mike" (Mike de Ferro), pelo estilo feroz no boxe, está admitindo essa paixão e mostrando um lado mais gentil no documentário em seis partes Taking on Tyson, que será exibido no canal de TV a cabo Animal Planet a partir do domingo, 6 de março.

"A primeira coisa que amei na vida foi um pombo. Não sei por quê. Eu me sinto ridículo tentando explicar isso", diz Tyson, 44 anos, no documentário.

"Os pombos fazem parte de minha vida. São uma constante de minha sanidade, de um jeito estranho. Se eu tiver a sorte de morrer velho, estarei criando pombos."

Taking on Tyson é em parte uma reflexão sobre uma vida que abrange as maiores honras do boxe e a desonra da prisão, e em parte um olhar sobre a subcultura das corridas competitivas de pombos-correios, uma prática conhecida como columbofilia.

Tyson, que declarou falência em 2003 e se aposentou do boxe profissional em 2006, cria 2,5 mil pombos em diversos locais. Ele nunca antes os tinha feito participar de provas, mas agora está determinado a tornar-se campeão mundial de corridas de pombos-correios, com a mesma determinação com que praticou o boxe no passado.

"É preciso treinar todos os dias, se preparar. É como uma luta: se você não se preparar, não se sairá bem", disse ele, falando do adestramento. "Mas, mesmo com todo o treinamento do mundo, em última análise o que vale é a tenacidade dos pombos, sua perseverança e vontade de vencer."

O documentário foca nos 300 pombos-correio do viveiro "Tyson's Corner", que Tyson tem ao lado da academia onde, no passado, treinava para as lutas mais famosas no ringue.

Para os espectadores que não são entusiastas de pombos, o documentário leva Tyson de volta aos lugares onde cresceu, sem pai e com mãe que morreu quando tinha 16 anos.

Ele recorda que a primeira briga, aos 11 anos, com um garoto mais velho que tinha arrancado a cabeça de um de seus pombos. Aos 13 anos ele já havia sido preso várias vezes por brigas e delitos pequenos e foi enviado a um reformatório.

O documentário pinta um retrato de Tyson que é muito distante da imagem do pugilista que arrancou parte da orelha de Evander Holyfield com os dentes em uma luta de pesos pesados em 1997 ou do homem que cumpriu três anos de prisão por estupro no início dos anos 1990.

Tyson diz que está tentando reprogramar-se para deixar de ser a pessoa maluca e descontrolada que foi no passado. Está mais humilde. Ele vem escrevendo poesias e vai publicar uma delas, "com significado pessoal profundo", na edição de abril da revista O, de Oprah Winfrey.

Recentemente Tyson fez uma ponta, representando a si mesmo, no segundo filme Se Beber, Não Case, que chegará aos cinemas em breve, e vai atuar também em Men in Black III, a ser lançado em 2012.

E pode haver mais novidades pela frente. "Vou tentar atuar e ver o que acontece. Eu gostaria de tentar representar no palco - comédia, drama, qualquer coisa. Eu poderia fazer 'Otelo'", disse, referindo-se à tragédia de Shakespeare sobre um amante ciumento. "Conheço bem esse papel."

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