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Centenas de manifestantes anticapitalismo tomaram as ruas, os atletas se queixam da sujeira nos quartos e a população de Turim age como se nada estivesse acontecendo. A menos de 24 horas da abertura da 20ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, muita gente nesta cidade industrial italiana se sente bem menos eufórica agora do que quando a Itália foi escolhida para abrigar o evento, há sete anos.
"São Jogos sujos, porque gastaram montanhas de dinheiro e não sabemos que uso (as instalações) terão no futuro", disse a manifestante Laura, umas das cerca de 250 pessoas que obrigaram a tocha olímpica a mudar sua rota dentro da cidade.
Foi a quarta vez que a tocha, símbolo da paz, teve de alterar seu percurso durante a acidentada viagem de dois meses pela Itália. Mas ela chegou ao centro de Turim ainda na quinta-feira, pronta para a cerimônia de sexta, que será, segundo os organizadores, uma viagem pela história e a cultura italianas, além de uma celebração do espírito olímpico e esportivo.
Problemas
Para vários atletas, o dia foi dedicado aos treinos, alguns já oficiais. O norte-americano Daron Rahlves fez o melhor tempo na sua preparação para a descida de montanha, no domingo.
Já o norueguês Havard Klemetson foi hospitalizado depois de cair durante uma sessão de saltos com esqui em Pragelato, a 80 quilômetros da cidade-sede. Ele já teve alta e deve disputar a prova de combinado nórdico, que envolve saltos e corrida.
Tampouco o clima está ajudando. O primeiro treino oficial do salto com esqui foi cancelado devido ao forte vento.
Mas, na Vila Olímpica, os atletas estavam preocupados mesmo era com as acomodações. "Não gosto nem um pouco, está realmente sujo", queixou-se o esquiador Marco Buechel, de Liechtenstein. "É pisar fora do quarto e ficar com lama até o tornozelo. Está sujo demais."
Muitos moradores de Turim também reclamam dos Jogos. Eles se dizem cansados das faixas vermelhas com o slogan "Paixão é aqui" e do esquema de segurança.
As autoridades temem que grupos militantes queiram se aproveitar da cobertura jornalística do evento, e por isso reforçaram a presença policial e gastaram cerca de 90 milhões de euros para proteger dezenas de milhares de atletas, torcedores e jornalistas.
Os temores se agravaram devido à atual onda de protestos no mundo islâmico contra as caricaturas do profeta Maomé, publicadas na Dinamarca e reproduzidas em toda a Europa.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, sua filha Barbara e pelo menos 15 outros governantes devem assistir à cerimônia de abertura, na sexta-feira. Os Jogos duram até o dia 26.
"As pessoas estão simplesmente fartas no momento", disse Stefania Brunelli, 35, que trabalha em um bar. "Não dá para chegar ao trabalho por causa de todas as barreiras no trânsito e da polícia."
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