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Nos últimos meses, diplomatas argentinos e brasileiros vivem às turras por questões relativas à hegemonia política na América do Sul. Os representantes da Argentina reclamam que o Brasil tenta se impor aos outros países do continente. No futebol, no entanto, a situação é diferente.
Brasileiros e argentinos dividem a hegemonia, os títulos e a rivalidade na América do Sul. Com uruguaios, colombianos e paraguaios em má fase, os países dividem títulos das competições continentais de clubes e de seleções.
Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, a Argentina está na frente, com 28 pontos. O Brasil vem logo atrás, com 24.
"Acho que isso acontece porque saem muitos jogadores dos dois países para o exterior. Isso abre a possibilidade para que muitos jogadores novos apareçam. Por isso são os países mais fortes", acredita o ex-zagueiro Ramos Delgado.
Argentino, o ex-jogador atuou no Brasil no final da década de 1960 e no início da de 1970 pelo Santos, de Pelé. Em final de carreira, o zagueiro, que passou na Argentina pelo Lanús, River Plate e Banfield, atuou na Portuguesa Santista. Hoje, ele trabalha com as categorias de base do alvinegro santista.
"Os clubes de Brasil e Argentina trabalham bem nas divisões de base. Sempre pode aparecer um bom jogador", afirma Ramos Delgado.
O surgimento de bons jogadores, além de abastecer o mercado europeu, também está servindo para aumentar o intercâmbio entre os dois países. Com a chegada do grupo MSI, o Corinthians trouxe o zagueiro Sebastián, o atacante Tevez e o técnico Daniel Passarella, recentemente demitido. O Palmeiras também se reforçou com um atacante argentino, trazendo Sergio Gioino.
Do lado da Argentina, o Boca Juniors, que já havia contado com o meia Iarley, contratou, no início do ano, o lateral-direito Baiano.
Até aqui, o brasileiro está fazendo mais sucesso na Argentina que o processo inverso. A experiência, no entanto, mostra que a adaptação de um país para o outro não é tão complicada.
"Eles têm de se acostumar ao futebol brasileiro e não o contrário", ensina Ramos Delgado.
"Tudo depende de saber jogar, não ser perna de pau. Se disputou Copa do Mundo, sabe jogar, não tem problema. Essa é a diferença entre mim e eles", complementa o ex-zagueiro santista.
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