Condenação por estupro pesa
contra Tyson na África do Sul
Foto: Reuters
A nata da política e dos negócios da África do Sul homenageará no fim deste mês o ex-boxeador americano Mike Tyson, mas o anúncio de sua chegada provocou a ira de grupos que lutam contra o abuso sexual.
E tudo porque na África do Sul, um dos países com os maiores índices de estupro, o passado criminoso de Tyson, condenado a seis anos de prisão pelo crime, não é exatamente uma boa carta de apresentação.
Quem comandará as homenagens do dia 30 em Johanesburgo será Jacob Zuma, líder do partido governante da África do Sul, o Congresso Nacional Africano (ANC, em inglês), candidato favorito às eleições presidenciais do país de 2009, e ele próprio acusado de estupro em 2006, do que foi declarado inocente.
"É uma vergonha que tenhamos o presidente do ANC homenageando um criminoso condenado por abuso e estupro", disse a uma rádio Miranda Friedman, diretora de uma organização local que luta contra o abuso infantil.
Tyson, 41 anos, ex-campeão mundial de pesos passados, foi condenado a seis anos de prisão em 1992, por ter estuprado uma jovem de 18 anos, candidata ao título de Miss América Negra, Desiree Washington.
Também é famoso pela mordida que deu na orelha de seu rival Evander Holyfield em uma luta disputada em 28 de junho de 1997, o que valeu sua desclassificação e a repulsa de muitos torcedores do boxe e do público em geral.
É o mesmo Tyson que chega a um país, como lembra Miranda Friedman, no qual são denunciados anualmente mais de 50 mil estupros, um décimo dos que realmente ocorrem, segundo cálculos de ONGs.
"Tentamos mudar a atitude em relação aos estupros de mulheres e menores, e homenagear alguém como esta pessoa é um retrocesso nesse trabalho", acrescentou Friedman, diretora da organização Mulheres e Homens Contra o Abuso Infantil.
Os organizadores da homenagem afirmam que 75 mesas do "banquete de caridade" já estão vendidas, a um preço de 7.500 rands (US$ 1.070) cada uma. Políticos e grandes empresários do país participarão do ato.

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