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 Zagallo: Romário fingiu lesão na Copa América 1997
15 de maio de 2008 07h29 atualizado às 08h52

Dentro de campo é um excelente jogador. Fora, é um complicador. Foi exatamente com essas palavras que Mário Jorge Lobo Zagallo definiu Romário, na última quarta-feira em palestra destinada a estudantes interessados em trabalhar com futebol, na Universidade Castelo Branco, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

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Zagallo relembrou episódios como o corte do atacante às vésperas do Mundial da França e sua convocação às pressas para as Eliminatórias da Copa de 1994. O treinador ainda relatou um episódio que passou despercebido em 1997, ano em que o Brasil conquistou a Copa América.

Segundo Zagallo, na semifinal, contra o Peru, Romário teria simulado uma contusão para deixar o campo e não atuar ao lado de Edmundo, na época um desafeto declarado, que acabara de entrar em campo. Por este motivo, o jogador não participou da decisão contra a Bolívia.

"Todo mundo sabe que eles não se davam bem. Quando botei o Edmundo, na primeira esticada de bola, Romário fez isso aqui", lembrou o tetracampeão do mundo, que se levantou e imitou Romário colocando a mão a virilha.

Para confirmar a suspeita de que o camisa 11 não sofria das dores que dizia sentir, o então técnico pediu ao preparador físico Luiz Carlos Prima para fazer um trabalho diferenciado com Romário.

"Pedi ao Prima que mandasse ele dar piques de 20m, e cheguei a conclusão de que ele não sentia nada", explicou. Já no palco da decisão contra a Bolívia, Lídio Toledo, um dos médicos da delegação, informou ao treinador que Romário desejava fazer um teste com bola. Zagallo foi contra e escalou Edmundo para a final, vencida pelo Brasil por 3 a 1.

"Se pisou em falso comigo eu chego junto", declarou Zagallo. Com a memória mais do que em dia, apesar dos 76 anos, o agora ex-treinador lembrou diversas passagens de sua carreira no futebol, do começo no América, passando pelo tricampeonato em 1970, o aviãozinho que fez na vitória sobre a África do Sul em 1997 e a conquista do tricampeonato estadual pelo Flamengo, em 2001.

Perguntado por um estudante sobre como fazer para alcançar uma carreira tão vitoriosa, o senhor de cabelos brancos mostrou humildade. "Tem que ter muita fé e sorte. Muita gente melhor do que eu não conseguiu um título mundial", respondeu.

Jornal do Brasil
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