Para ser campeão, o Bahia precisa quebrar um tabu de seis anos e derrotar o Vitória no Estádio Barradão, às 17h deste domingo. Mas seu retrospecto no Campeonato Baiano não o ajuda. Embora necessite de gols, o time de Vadão tem a melhor defesa (com oito gols sofridos) contra o melhor ataque (30 gols feitos pelo rival).
Para conquistar o segundo tricampeonato de sua história, o Vitória precisa apenas de um empate, já que fez melhor campanha do que seu adversário na fase inicial. O campeão vai receber o troféu Luiz Caldas, homenagem da FBF ao precursor do ritmo musical "axé music".
O time rubro-negro, porém, não poderá dar a volta olímpica caso conquiste a taça, porque o primeiro duelo está sub-júdice. O Bahia alega que o rival escalou o goleiro Felipe de maneira irregular para a partida, já que ele atuou um dia antes pelo time de juniores, e o regulamento manda que haja 72 horas de intervalo para os atletas.
O clube tricolor teve o pedido de impugnação do resultado aceito e aguarda o julgamento do mérito, que deve ser na próxima semana. Assim, o Vitória terá que dar a volta olímpica no tribunal, caso vença.
Dentro de campo, enquanto Márcio, do Bahia, é o goleiro menos vazado da competição, com a média de 0,58 gol tomado por jogo, o Vitória tem os atacantes Gilmar e Obina, com 6 gols cada, brigando pela artilharia da competição.
Até o momento, foram marcados 152 gols na competição, em 57 partidas disputadas, o que representa uma média de 2,67 gols por jogo.
O Bahia terá força máxima para a decisão e a variação tática virou a arma de Vadão, que não descartou nenhum dos esquemas usados até o momento, nem a repetição do 3-5-2 do primeiro jogo da decisão, a volta ao 4-4-2 ou do 4-5-1 que utilizou no meio da competição. Ele insistiu muito nas jogadas aéreas tanto com jogadores do ataque como os da defesa.
Com a desvantagem de ter atuado pela Copa do Brasil no meio da semana contra o Internacional, o Vitória deve atuar fechado, já que pode apenas empatar. Um trio de volantes - Vinícius, Vampeta e Arivelton - será escalado para fechar o meio-campo e impedir que o Bahia chegue ao gol. lateral-direito Pedro, o lateral-esquerdo Paulo Rodrigues e o próprio Vampeta, que nõ jogaram contra o Inter na quarta-feira, estão confirmados.
Só um campeão em campo
Uma curiosidade marca a decisão. Dos 22 jogadores que os técnicos Agnaldo Liz (Vitória) e Oswaldo Alvarez (Vadão) devem mandar a campo, apenas um, o lateral-esquerdo Paulo Rodrigues, do time rubro-negro, já conquistou o título estadual como titular.
Depois do rebaixamento à Série B do Brasileiro, o Bahia dispensou 15 jogadores e contratou 12, reformando todo o elenco. Com a chegada de Vadão, nomes intocáveis como o goleiro Emerson, foram barrados. Aliás, Emerson, atualmente na reserva, estava na equipe do Bahia que conquistou o estadual de 98 dentro do Barradão.
De lá para cá, são seis anos que o Bahia não vence o seu mais tradicional adversário em seus domínios. O Vitória, único representante do futebol nordestino no Campeonato Brasileiro, também reformulou completamente a sua equipe. No início do ano, o clube contratou os pentacampeões mundiais Edílson e Vampeta, que também perseguem o primeiro título baiano de suas carreiras.
A rivalidade entre os torcedores dos dois clubes, que sempre foi muito grande, ganhou mais intensidade com a inauguração do Barradão, no final da década de 80. Para protestar contra a localização do estádio (periferia da capital baiana), muitos torcedores do Bahia, no começo, passaram a frequentar o Barradão com uma máscara cirúrgica na boca, uma referência ao antigo lixão de Salvador, que ficava a menos de um quilômetro do estádio.
Hoje, a realidade é bem diferente. Do lixão e suas cenas (pessoas pobres disputando restos de comida) só restam as lembranças. A Prefeitura de Salvador construiu no local uma usina de reciclagem, que atualmente emprega cerca de 120 pessoas.
Ao chegar à final do estadual este ano, o Bahia melhorou sensivelmente a sua performance em relação ao ano passado, quando ficou em nono lugar no campeonato, um prenúncio do que viria a acontecer no Brasileiro, quando o time tricolor, campeão em 88, foi humilhado pelo Cruzeiro em plena Fonte Nova, em sua última partida pela competição, antes do rebaixamento.
- Redação Terra

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