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 Europa faz "Copa do Mundo" sem Brasil e Argentina
09 de junho de 2004 19h12

Nas vésperas da Eurocopa, a definição mais utilizada para explicar a importância do torneio era a de que a competição "é uma Copa do Mundo, sem Brasil e Argentina".

Exagero ou não, a disputa que começa neste sábado deixou de ser assunto apenas na Europa e promete atrair a atenção de torcedores em todo o mundo.

Para o Brasil, a participação do treinador Luiz Felipe Scolari e do meia Deco, pela seleção de Portugal, e a presença na equipe alemã do atacante Kevin Kuranyi, nascido no Rio, são a garantia de que o país terá seus representantes na Euro 2004.

Além disso, uma das principais características da seleção da França, atual campeã do torneio e grande favorita da edição deste ano, é exatamente a diversidade na origem étnica de boa parte dos astros da equipe.

Zidane, Henry, Thuram, Vieira, Makelele e Desailly, por exemplo, são alguns dos jogadores franceses com raízes africanas ou caribenhas.

A Eurocopa é o terceiro maior evento esportivo do mundo, atrás apenas dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo.

Para organizar o torneio europeu que se transformou em evento global, Portugal investiu cerca de 4 bilhões de euros (mais de R$ 15 bilhões) na construção de sete novos estádios, na reforma de outros três e na ampliação da infra-estrutura do país (incluindo obras nas estradas e a criação de novas linhas de trem).

O governo português estima que a Euro 2004 vai gerar uma receita direta de aproximadamente 260 milhões de euros para a indústria local de turismo durante o torneio, além de outros 360 milhões de euros ao longo dos próximos seis anos.

Portugal espera receber 500 mil torcedores além do 1,4 milhão de turistas que visitam o país nesta época do ano e as autoridades locais adotaram um grande esquema de segurança para prevenir possíveis transtornos.

As fronteiras do país foram reforçadas para controlar a entrada de hooligans e 2,3 mil torcedores com um histórico de violência foram proibidos de entrar em Portugal durante o período em que o torneio será realizado.

As autoridades portuguesas também esperam amenizar a preocupação com o risco de possíveis atentados no país durante a Euro 2004.

Para isso, 20 mil policiais, apoiados por forças militares, vão patrulhar as ruas das nove cidades-sedes do torneio e o espaço aéreo na região dos estádios será monitorado com atenção especial durante os jogos.

Com tudo pronto para a bola rolar, a expectativa é de que a Euro 2004 consiga repetir as partidas eletrizantes que marcaram a fase final da última edição do torneio.

Para conquistar o título em 2000, a França derrotou Portugal, nas semifinais, e a Itália, na decisão, com gols marcados na prorrogação. Na primeira fase, a Espanha já havia conseguido avançar no torneio graças a uma emocionante vitória por 4 a 3 diante da Iugoslávia.

Agora, em Portugal, os três principais favoritos (França, Itália e Portugal) também têm pela frente o desafio de apagar a péssima imagem que deixaram durante as fracassadas campanhas na Copa do Mundo de 2002.

As seleções desses três países se juntarão a outras 13 equipes para a disputa, que reúne as 16 melhores seleções da Europa e que promete um desfile de craques como Zidane, Totti, Figo, Van Nistelrooy e Nedved.

BBC Brasil
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