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 Figo se recupera e pode superar Eusébio
01 de julho de 2004 14h40

Luis Figo, o maior jogador português desde Eusébio, deu mais um passo para tomar o lugar do compatriota ao comandar seu país na quarta-feira na classificação para a final da Eurocopa.

Demonstrando o ritmo, a força e a habilidade que o tornaram o garoto de ouro da geração dourada de Portugal, Figo, aos 31 anos de idade, inspirou a vitória por 2 x 1 sobre a Holanda que selou o lugar dos anfitriões na decisão, que será no domingo.

Os gols de Cristiano Ronaldo e Maniche deram a vitória, mas as arrancadas de Figo em ambos os lados confundiram os zagueiros holandeses.

Apesar do gol de cabeça de Ronaldo, que colocou Portugal na frente, e do chute fatal de Maniche, foi Figo o comandante da equipe.

Ele fez sua 109a. partida pela seleção e igualou momentaneamente o recorde português de Fernando Couto, que estava na equipe portuguesa campeã do Mundial Juvenil da Fifa em 1989.

Ao lado de Rui Costa, que ficou no banco, Figo estava no time que venceu a edição de 1991, 13 anos atrás.

Couto voltou a campo nos últimos sete minutos e retomou o recorde, com 110 participações, e os dois jogadores experientes foram rodeados pelos companheiros mais jovens no final da partida.

Mas alguém mais velho que Figo também foi celebrado (Luiz Felipe Scolari, que levou o Brasil ao pentacampeonato na Copa do Mundo há dois anos e agora está perto de levar a glória a Portugal).

Scolari, que pode se tornar o primeiro técnico estrangeiro a vencer um campeonato europeu, ignorou totalmente a demonstração de petulância de Figo ao ser substituído nas quartas-de-final contra a Inglaterra e o colocou para jogar desde o início.

Figo retribuiu totalmente e, apesar de a Holanda ter dominado em alguns momentos, Portugal mandou no jogo.

Com Figo em um lado e Ronaldo do outro, Portugal manteve a pressão sobre a defesa holandesa mesmo com Pauleta passando por outro jogo improdutivo e sem marcar no torneio.

A ligação entre Maniche e Deco também funcionou bem e os holandeses lutaram, mas com frequência foram superados no meio-campo e eram forçados a se defender.

O técnico holandês Dick Advocaat sacrificou seu único jogador efetivo, Marc Overmars, e colocou em seu lugar Roy Makaay no intervalo. No final do jogo ele tinha três atacantes: Ruud Van Nistelrooy, Makaay e Pierre van Hooijdonk, com Rafael van der Vaart atuando como meia-atacante.

Mas Portugal se defendeu bem e Jorge Andrade (apesar do gol contra) e Ricardo Carvalho funcionaram bem contra o ataque holandês.

Portugal mereceu a vitória e os holandeses tinham poucas razões para reclamar, a não ser ter perdido a quarta das cinco semifinais da Eurocopa que disputaram.

A vitória também encerrou a longa expectativa portuguesa por um lugar em uma final importante.

A seleção perdeu a semifinal da Copa do Mundo de 1966 em Wembley, quando Eusébio deixou o campo aos prantos, derrotado por 2 x 1 pela a Inglaterra. Os portugueses também perderam as semifinais das Eurocopas de 1984 e 2000 para a França.

Eles agora têm a chance de se tornarem os primeiros anfitriões desde a França de 1984 a vencerem uma competição e encerraram o ciclo de quatro campeonatos em que os donos da casa perdem na penúltima rodada.

Depois do jogo, Felipão anunciou que continuará no cargo por mais dois anos, e talvez inspire Figo a continuar.

O jogador estava pensando em parar depois da Eurocopa, mas o fato de ainda poder jogar bem pode convencê-lo a não pendurar a camisa sete.

Redação Terra