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 COI é criticado por avaliação positiva de Pequim 2008
28 de novembro de 2008 10h12 atualizado às 11h51

A Olimpíada de Pequim foi "um sucesso incontestável" que gerou mudanças na China em áreas tão diversas quanto ao respeito ao meio ambiente, a liberdade de imprensa e a saúde pública, de acordo com uma avaliação divulgada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e criticada por ativistas, que alegam que as violações de direitos humanos ocorridas durante os Jogos foram ignoradas.

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A avaliação, divulgada pelo COI em reuniões em Londres, nesta semana, atribuía aos Jogos de Pequim maior participação e audiência do que qualquer Olimpíada precedente. "Os Jogos se ampliaram e reforçaram o movimento olímpico ao avançar a universalidade dos esportes", afirma a avaliação de três páginas.

"Também propiciaram muitos benefícios tangíveis e intangíveis à China em termos de melhora de infra-estrutura pública. Enquanto alguns dos benefícios positivos eram visíveis de imediato, outros se revelarão com o tempo".

O documento elogia os organizadores de Pequim pela execução praticamente impecável dos eventos, detalhando a coordenação bem sucedida de meio milhão de voluntários e a manutenção de um complexo sistema de transportes e segurança. O documento aponta que as instalações para a imprensa "foram elogiadas de forma generalizada como as melhores de todos os tempos", e que o governo chinês havia reduzido por período indeterminado as restrições quanto ao trabalho de jornalistas estrangeiros no país.

Mas a avaliação não mencionava diversas operações de repressão muito alardeadas contra supostos manifestantes, ou a censura à Internet no centro de mídia e as restrições ao trabalho de jornalistas estrangeiros.

"Creio que a avaliação do COI deixa escapar diversos fatos salientes", disse Minky Worden, diretora de mídia da Human Rights Watch. "O que falta nesse documento é a dimensão pela qual o COI rebaixou suas normas sobre os direitos humanos em função da Olimpíada de Pequim".

Milhares de pessoas foram despejadas de suas casas para a construção de instalações olímpicas, e alguns ativistas foram detidos antes dos Jogos. As autoridades estabeleceram zonas especiais para manifestações durante o evento, mas não houve protestos. Diversas pessoas que pediram licença para manifestações foram detidas, entre as quais duas mulheres idosas sentenciadas a até um ano de "reeducação pelo trabalho". As sentenças foram posteriormente rescindidas.

A despeito das promessas chinesas de que os jornalistas estrangeiros teriam acesso irrestrito à Internet, as autoridades inicialmente bloquearam o acesso a diversos sites na principal central de imprensa. Ainda que algumas das restrições viessem a ser afrouxadas, o membro do COI que supervisiona as operações de imprensa, Kevan Gosper, acusou a organização de trair suas normas.

Além disso, o Clube dos Correspondentes Estrangeiros na China registrou mais de 60 incidentes de interferência com o trabalho de repórteres durante os Jogos, entre os quais diversos casos nos quais jornalistas estrangeiros sofreram ameaças físicas.

"Acredito que, em última análise, a abordagem do governo quanto à mídia não tenha mudado muito", disse Bob Dietz, coordenador do programa asiático do Comitê de Proteção aos Jornalistas.

Dietz disse que ele e outros membros do grupo se reuniram com as autoridades na sede do COI, em Berna, Suíça, em 2006, e de novo em Pequim, em 2007, para expressar suas preocupações quanto às restrições à liberdade de imprensa na China. Ele disse que a resposta do COI foi "desafinada". "Eles simplesmente não compreenderam", disse. "Não perceberam a importância de nossas preocupações".

Sam Zarifi, diretor da Anistia Internacional na região Ásia Pacífico, disse que o governo chinês havia avançado um pouco nos últimos anos, mas que as posições sobre certas questões, como a autonomia tibetana, haviam endurecido. "Certamente não é uma avaliação justa que o COI se dê tapinhas nas costas pelas realizações conquistadas nos jogos", disse.

O relatório do COI elogiou a Olimpíada por melhorar a saúde pública na China, afirmando que as autoridades "tomaram novas medidas para melhorar a segurança dos alimentos e da água". O documento menciona Hans Troedsson, funcionário da Organização Mundial de Saúde (OMS), que teria afirmado que o legado de saúde pública dos Jogos "seria um presente para a China em longo prazo".

Não houve menção ao escândalo causado por leite contaminado que irrompeu pouco depois da Olimpíada e levou à morte de quatro crianças a doenças em mais de 50 mil outras. Worden apontou para relatórios de que um blog de um jornalista chinês sobre os casos de leite contaminado foi censurado ao mencionar o assunto no começo dos Jogos.

"Acredito que seja necessário dizer que havia notícias sobre o leite em pó contaminado, e elas foram removidas", disse Worden. "A censura na China é caso de vida ou morte".

A despeito do momento do escândalo quanto ao leite contaminado, as melhoras que os Jogos propiciaram ao sistema de saúde pública não devem ser desconsideradas, diz Zhen Xiaozhen, diretora médica da Olimpíada de Pequim. Ela apontou para a proibição ao fumo em lugares públicos e para o treinamento de três mil voluntários médicos.

As reuniões em Londres são parte do processo de avaliação sob o qual os organizadores de Pequim oferecem assessoria técnica aos encarregados de planejar os Jogos de Londres, em 2012. Esse processo de "gestão do conhecimento" foi instituído pelo presidente do COI, Jacques Rogge, a fim de melhorar a eficiência e o planejamento dos futuros Jogos, disse Emmanuelle Moreau, porta-voz da organização.

Ela acrescentou que as alegações dos grupos de defesa dos direitos humanos seriam debatidas no Congresso Olímpico de Copenhagen, no ano que vem.

The New York Times
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