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 Portugal e Grécia diante de duelo histórico
03 de julho de 2004 13h17

Por Jenaro Lorente

Portugal e Grécia estão em contagem regressiva para o jogo mais importante de sua história, a final da Eurocopa, que acontecerá amanhã, domingo, no Estádio da Luz, em Lisboa, a partir das 15.45 (de Brasília). O dia 4 de julho de 2004 ficará gravado para sempre na memória dos dois países.

O estádio lisboeta será palco de uma final inédita e imprevisível no começo do campeonato, que terá um duelo atípico, mas não por isso com menos atrativos.

Aconteça o que acontecer, a Eurocopa deu destaque a um técnico e a uma equipe. Luiz Felipe Scolari e Portugal encantaram a todos no país, que vibrou com sua seleção, com o vermelho e o verde se espalhando por todos os cantos das cidades durante o campeonato e a torcida explodindo de alegria a cada vitória.

O time de Scolari começou mal. O tropeço diante dos gregos na estréia desencadeou uma depressão popular e pôs o técnico na berlinda. Mas o treinador soube reagir e fazer as mudanças necessárias para mudar a cara da equipe.

E depois disso Portugal mostrou avanços consideráveis e começou a trilhar seu caminho até a final. Rússia, Espanha, Inglaterra e Holanda caíram em suas garras e após cada triunfo o país "enlouqueceu" de alegria.

O título da Eurocopa é um desafio muito importante para o técnico brasileiro, pois se uniria ao título da última Copa, no Japão e Coréia, que conquistou com o Brasil, e para jogadores como Figo, Fernando Couto e Rui Costa, que fazem parte da geração de ouro do futebol português e que abandonarão o time depois do torneio.

Figo, inclusive, poderia salvar com luxo uma péssima temporada com o Real Madrid, com o qual fechou uma campanha sem títulos importantes.

Scolari, que terá força máxima na partida, sabe que a chave do êxito está em ter paciência até marcar o primeiro gol. Ele e os jogadores sabem que Portugal terá maior posse de bola, terá a iniciativa do jogo, mas não pode se desesperar caso o gol demore a sair ou se os gregos saírem na frente.

E é com a surpresa que conta a Grécia, guiada silenciosamente pelo "Mão de ferro" Rehhagel, que imprimiu disciplina e caráter ao time, com um futebol prioritariamente defensivo.

A Grécia joga com uma linha de quatro homens na defesa, com outras duas de três no meio-campo e apenas Charisteas no ataque. Rehhagel deixa a posse de bola com o rival e mantém cinco homens à frente da defesa, formando uma autêntica teia de aranha em torno do seu goleiro.

O sistema foi tão bem sucedido que levou à equipe a sua primeira final contrariando todos os prognósticos. Um êxito que surpreendeu aos próprios gregos e que enalteceu a figura de seu veterano técnico. A seus 65 anos, Rehhagel ganhou o respeito de seus jogadores e da torcida, que o venera como ídolo.

A partida também terá sabor de vingança, pois Portugal perdeu para os gregos na abertura da Eurocopa. É um espinho que ainda está entalado na garganta dos portugueses e que eles esperam retirar no estádio da Luz, o que também é a expectativa da torcida.

Rehhagel só terá o desfalque de Giorgios Karagounis, suspenso por ter recebido o segundo cartão amarelo na partido das semifinais contra a República Checa.

A Grécia chega à final sabendo que não é a favorita, mas também não era em suas vitórias anteriores e passou pela França e pela República Checa nas quartas-de-final e nas semifinais do campeonato.

Portugal está preparado para uma nova festa. O clima de uma grande partida agita as ruas e o estádio da luz será testemunha de um ambiente espetacular, que será presenciado por pelo menos 35.000 portugueses e 16.000 gregos que estarão nas arquibancadas.

- Prováveis escalações

- Portugal: Ricardo; Miguel, Carvalho, Andrade, Nuno Valente; Costinha, Maniche, Deco, Figo, Cristiano Ronaldo, Pauleta (Nuno Gomes);

- Grécia: Nikopolidis; Seitaridis, Kapsis, Dellas, Fyssas, Giannakopoulos, Zagorakis, Basinas, Katsouranis, Vryzas; Charisteas

Árbitro: Markus Merk (ALE)

Estádio: da Luz, em Lisboa. (15.45. de Brasília).

EFE
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