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 Klinsmann pede técnico estrangeiro na Alemanha
04 de julho de 2004 19h09

O ex-atacante Juergen Klinsmann afirmou neste domingo que a Associação Alemã de Futebol deveria contratar um técnico estrangeiro para comandar a equipe nacional.

"Não seria um problema. Temos que ter o melhor técnico que pudermos encontrar", afirmou Klinsmann, antes da final da Eurocopa 2004 neste domingo, vencida por Portugal.

"Mas, por outro lado, temos que encontrar um técnico que se adeque à nossa mentalidade. É importante que ele entenda as pessoas e a filosofia de futebol. Se você vem para a Alemanha, você tem que entender nossa personalidade e nosso estilo de jogar futebol."

"Seria um novo passo para a Alemanha. É uma forma boa de se ter uma nova perspectiva, de mudar algumas coisas em nossa estrutura de treinamento", acrescentou Klinsmann, que marcou 47 gols em 108 jogos pela seleção da Alemanha.

A executiva da Associação Alemã de Futebol fará um encontro extraordinário na segunda-feira para discutir a contratação de um novo técnico.

Christoph Daum já anunciou que não aceitaria o convite e Ottmar Hitzfeld, ex-treinador do Bayern de Munique, afirmou na semana passada que rejeitou uma oferta da entidade.

O técnico da Grécia, Otto Rehhagel, também é candidato, e ainda conta com o apoio de 38% dos torcedores alemães, segundo pesquisa feita por uma emissora de televisão da Alemanha.

"Eu trabalhei com ele (Rehhagel) no Bayern de Munique e ele é alguém que realmente acredita na confiança, no aspecto mental do jogo e torna seus jogadores muito fortes," disse Klinsmann.

"Ele certamente será mencionado como um dos nomes possíveis para o trabalho na seleção, mas acho que no momento a federação alemã precisa analisar o que aconteceu aqui (em Portugal) no torneio."

A Alemanha voltou para casa ainda na primeira fase da Eurocopa, depois de empatar com a Holanda e Letônia, e perder por 2 a 1 para um time reserva da República Checa, que já estava classificada.

"Eles têm que fazer umas reuniões bastante sérias não apenas entre eles mas também com o comitê organizador da Copa do Mundo de 2006, com o presidente Franz Beckenbauer trazendo alguns dos treinadores do campeonato alemão para discutir o tema", continuou o ex-atacante.

Klinsmann, no entanto, não acha que a decisão tenha que ser urgente. "Eles devem ter tempo para analisar o que aconteceu e talvez algumas semanas ou meses para decidir o que fazer," disse ele. "Eu sugeriria que tivéssemos um auxiliar próximo ao técnico para ajudá-lo em algumas áreas."

"Acho que se já tivéssemos alguém importante ao lado do Rudi Voeller na noite em que fomos eliminados (da Euro), talvez ele (Voeller) não tivesse saído no dia seguinte."

Klinsmann, que jogou com Voeller na conquista da Copa do Mundo de 1990, descartou seu nome como sucessor de seu ex-companheiro de equipe no comando da Alemanha.

"Vivo na Califórnia porque minha mulher é norte-americana," disse ele. "Foi uma decisão de família viver lá e portanto não seria possível para mim."

"Trabalho com o comitê organizador para 2006 e se eles me pedissem para ajudar a seleção nacional eu certamente tentaria ajudá-los o máximo possível, mas não como treinador", comentou.

Apesar de Klinsmann não ter objeções a um treinador estrangeiro, ele acha que o candidato certo deve ter um jeito alemão de ver as coisas.

"Não podemos trazer um treinador com uma visão italiana para a Alemanha, onde você tem um estilo de futebol voltado para o ataque. Os torcedores não concordariam com isso. O novo técnico tem que se adequar à nossa mentalidade, assim como Luiz Felipe Scolari se encaixa à de Portugal."

Reuters
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