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 Grécia festeja coadjuvantes em meio à crise
11 de julho de 2004 10h12 atualizado às 10h12

Um país sem tradição no futebol e com graves problemas em seu campeonato nacional poderia se contentar apenas com a classificação para a Eurocopa. No entanto, os gregos contrariaram as expectativas e chegaram ao título continental com uma base de jogadores coadjuvantes no futebol europeu e outros que não sabem qual será o futuro do esporte na Grécia na próxima temporada.

A conquista em Portugal surpreende ainda mais se levada em conta a condição dos clubes gregos na atualidade. O AEK, uma das equipes de maior torcida na Grécia, tem uma dívida aproximada de 100 milhões de euros, que pode levar o clube ao rebaixamento caso as contas não sejam acertadas.

Os cinco atletas da equipe que defenderam a seleção grega na Eurocopa pediram desligamento do clube. Eleito o melhor jogador do torneio, o capitão Zagorakis é o primeiro a deixar o time. O volante seguirá para a Itália, onde defenderá o Bologna.

Os problemas financeiros passaram a atingir mais seriamente os clubes locais a partir de 2002, quando a Alpha Digital, empresa responsável pela transmissão das partidas do Campeonato Grego, faliu. Sem poder contar com o dinheiro da televisão, os clubes passaram a atrasar salários e acumular dívidas.

Além disso, estádios vazios são cenário comum no futebol grego, ao contrário dos campeonatos de ponta da Europa. A violência é um dos principais fatores responsáveis pelo afastamento do público. Nos clássicos envolvendo as equipes do Olympiacos, AEK e Panathinaikos o confronto entre torcidas rivais e, até mesmo, com a polícia já virou rotina.

Para piorar, uma onda de desconfiança paira sob o futebol grego. Dirigentes e árbitros são acusados de manipulação de resultados. O governo ainda não foi capaz de apurar as denúncias e punir os eventuais culpados.

Em meio à bagunça, o técnico alemão Otto Rehhagel, que tem fama de milagreiro em seu país, por levar times como o Kaiserslautern ao título, conseguiu formar uma equipe que empolgou os gregos desde as eliminatórias para a Eurocopa. Na ocasião, a equipe derrotou a Espanha, fora de casa, conseguiu o primeiro lugar do grupo e a classificação automática para a competição. Os espanhóis tiveram de enfrentar os noruegueses na repescagem.

Sem estrelas, nem tampouco jogadores com qualidades ofensivas, Rehhagel fortaleceu o sistema defensivo e impôs um sistema de jogo que se não agrada aos olhos dos torcedores ao menos é eficiente.

As vitórias pelo placar mínimo contra França, República Checa e Portugal nas quartas, semi e final da Eurocopa, respectivamente, mostraram a ausência de inspiração de craques como Zidane, Nedved e Figo contra um esquema rígido e que apostou, com sucesso, nos cruzamentos. Os gols de Dellas, contra os checos, e de Charisteas, contra os portugueses, saíram de forma quase semelhante, em cobranças de escanteio.

O talento do jogador grego nunca despertou interesse nos grandes centros do futebol europeu. Com isso, a base da seleção de Rehhagel foi formada por atletas que atuam no país. Foram convocados cinco de cada um dos grandes clubes: AEK, Panathinaikos e Olympiacos. Apenas oito, dos 23 que foram a Portugal jogam no exterior. O zagueiro Dellas e o atacante Nikolaidis defendem grandes clubes, Roma e Atlético de Madrid, respectivamente, mas não passam de reservas.

Os clubes gregos, ao contrário da seleção, tiveram uma péssima temporada. AEK, Olympiacos e Panathinaikos foram eliminados na primeira fase da competição. Como ficaram em último lugar de seus grupos, AEK e Olympiacos não tiveram direito de disputar a Copa da Uefa. O Panathinaikos, por sua vez, como ficou na terceira posição de sua chave conseguiu a classificação para a segunda competição mais importante da Europa. No entanto, o time foi eliminado pelo Auxerre na terceira fase.

Redação Terra