A campanha para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro chega, esta semana, a uma fase determinante. Desta segunda-feira até o próximo domingo, a Comissão de Avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI) estará na capital carioca para conhecer e analisar em detalhes o projeto Rio 2016.
» Opine: o Rio está preparado para os Jogos?
Os 13 integrantes do COI desembarcam ao longo do dia e, de terça a quinta-feira, vão participar de reuniões e apresentações restritas com o Comitê Rio 2016 no hotel Copacabana Palace.
Na sexta, Dia do Trabalhador, a Comissão visitará instalações esportivas e circulará pela cidade. No sábado, véspera da viagem dos integrantes do COI para Madri, última cidade-candidata a ser visitada, a comissão se pronunciará sobre a visita ao Rio. O COI já passou por Chicago e Tóquio.
"É uma grande oportunidade de mostrarmos, em casa, aspectos únicos que só o Rio tem a oferecer para o movimento olímpico", disse Carlos Roberto Osório, Secretário Geral do Comitê Rio 2016.
Após as visitas, o COI terá até o dia 2 de setembro para elaborar e divulgar o relatório de avaliação sobre as quatro cidades-candidatas. Esse relatório é considerado peça fundamental para os integrantes do COI que escolherão a sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.
A favor do Rio, estão o fato de a América do Sul jamais ter recebido uma edição dos Jogos Olímpicos e a realização da Copa de 2014 no Brasil. Três países já sediaram, na seqüência, ambas competições. O México, em 1968 e 1970, a Alemanha, em 1972 e 1974, e os Estados Unidos, em 1994 e 1996.
O Comitê Rio 2016 conta também com outros argumentos, como o apresentado na Sportaccord, feira mundial de esportes realizada em Denver, em março passado. Segundo o comitê, residem no Brasil 65 milhões de jovens abaixo dos 18 anos, número expressivo considerando a necessidade do COI em conquistar mais adeptos, diante da diminuição de público dos Jogos.
Porém, em tempos de crise econômica mundial, a principal dúvida que fica, principalmente para os cariocas, é em relação ao custo-benefício da realização de um evento esportivo que geralmente, ou quase sempre, tende para a escalada de custos no decorrer dos anos.
Especula-se que nos Jogos de Pequim 2008, por exemplo, o governo chinês tenha gasto quase R$ 150 bilhões contando com todos os custos, inclusive de obras de infra-estrutura da cidade e contratação de pessoal, até o término dos Jogos Paraolímpicos.
A história mostra que não é possível calcular antecipadamente e com precisão o custo da realização de um evento tão complexo, mas o orçamento da candidatura, somente, até 2 de outubro, está fechado em R$ 42 milhões.
As principais criticas em relação à candidatura vêm em função de promessas não cumpridas, principalmente pelo governo, na época dos Jogos Pan-Americanos. O metrô na Barra da Tijuca, área que concentrará, caso o Rio vença o pleito, a Vila dos Atletas e diversas instalações esportivas dos Jogos de 2016, é um dos exemplos.
O músico Daniel Cardoso, 32 anos, morador da Barra da Tijuca, reclama da falta de compromisso com o dinheiro público gasto durante o Rio 2007.
"Se usassem somente o dinheiro do COB, tudo bem, mas o problema é que precisam do dinheiro do governo, que na verdade é o nosso dinheiro. Não acho que o Pan tenha deixado um legado substancial para a cidade, como diziam que iria acontecer. O sistema de transporte eficiente e o metrô na Barra foram uma grande lenda. É difícil acreditar que será diferente se o Rio vier a sediar a Olimpíada", lamentou.
Daniel chama atenção também para a crise vivida por diversos atletas de renome, que conquistaram importantes medalhas para o Brasil nos últimos anos, casos de Diego Hypólito, César Cielo e Flávio Canto. Assim como o ginasta, o nadador e o judoca, diversos atletas perderam o patrocínio neste ano, o que é crucial para a candidatura da cidade.
"Poderiam cuidar melhor dos atletas ao invés de gastar tanto em marketing. Os atletas ficam desamparados. O COB repassa o dinheiro das loterias para as confederações e esse dinheiro não chega aos atletas. Enquanto eles não têm onde treinar, os dirigentes viajam de primeira classe. É lamentável", desabafou.
- Terra

Assista agora »
Assista agora »

