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 Autor: Romário esteve perto de Palmeiras e Corinthians
17 de julho de 2009 08h44 atualizado às 09h03

Romário conquistou a Copa do Mundo de 1994 com a Seleção. Foto: Getty Images

Romário conquistou a Copa do Mundo de 1994 com a Seleção
Foto: Getty Images

O jornalista Marcus Vinícius Rezende de Moraes conta com 75 depoimentos para traçar o perfil do ex-jogador - e agora dirigente - Romário no livro "Romário" (Editora Altadena, 287 pgs). Mas as ex-mulheres ficaram de fora.

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Não que Romário não quisesse que suas ex-companheiras falassem algo que viesse a lhe desagradar. Ele até reclama que faltaram "porradinhas" de alguns entrevistados, todos escolhidos pelo jornalista de 45 anos. Mas por desistência de uma delas, as outras acabaram "pagando pato".

Quem não quis falar foi justamente a primeira mulher, Monica Santoro. Nesta semana, Romário foi preso pelo não pagamento de pensão alimentícia para os filhos Romarinho e Moniquinha, que assinam três páginas do livro dedicado ao pai.

"A Mônica ia dar um depoimento para o livro, mas aí no dia que eu iria entrevistá-la foi marcada uma audiência. No dia seguinte eu liguei para conversar e ela ficou meio desanimada, por causa de todo o desgaste que houve. Respeitei", explica o autor do livro, em entrevista concedida por telefone enquanto ele se dirigia até o campo do América para assistir a primeira partida do novo desafio de Romário.

"Chegamos à conclusão que se uma não falasse, nenhuma outra falaria também. É uma pena porque a Monica tem uma porção de histórias dele, principalmente sobre a vida dele no exterior. Romário queria os depoimentos das esposas. Ficou só o depoimento da atual, Isabella", explica enquanto procura o caminho certo para chegar ao Estádio Giuliette Coutinho, onde o América faria sua estreia na Série B do Campeonato Carioca, contra o Bonsucesso.

Marcus Vinícius é, antes de tudo, amigo de Romário. Eles se conheceram por causa de suas profissões - ele jornalista e o personagem do livro jogador de futebol. Com a aproximação e a saída do emprego de uma rádio do Rio, Romário o contratou para ser seu assessor de imprensa. Da relação de trabalho, surgiu a amizade. Da amizade a vontade de mostrar para os fãs do artilheiro quem era o Romário fora dos estádios e dos uniformes da Seleção Brasileira, Vasco, Flamengo, Fluminense, PSV (Holanda), Barcelona (Espanha), Valencia (Espanha), Al Saad (Qatar, Miami F.C (Estados Unidos) e Adelaide (Austrália).

"Falei com ele (após a saída da prisão). Ele está acostumado com essas porradas, e ele sempre se levantou. Desde moleque ele passou por dificuldades. Era perseguido quando criança, carregou caminhão de melancia para ganhar dinheiro, então ele tira isso de letra. Nada na vida dele é fácil", explica o autor sem medo do episódio desta semana atrapalhar a divulgação do livro.

"Estou com essa dúvida, mas não tem como mudar. E ele não matou ninguém, não cometeu um crime. Isso tudo já se resolveu. Se o lançamento fosse ontem (quarta-feira, dia em que Romário saiu da prisão) teria prejudicado, mas é só na segunda-feira (dia 20 de julho, na Livraria Travessa, no Rio de Janeiro). A vida segue. Ele pensa assim, então vamos tocar em frente", disse o amigo do Baixinho, prestes a se encontrar com ele no campo do América.

No início eram números

A idéia inicial era fazer um livro de estatísticas que mostrasse como foi a carreira do craque. Mas tanta informação e números fizeram o autor repensar em como prosseguir com a idéia de fazer um livro sobre Romário. Como algumas entrevistas com pessoas que conheceram o Baixinho já estavam feitas veio a idéia de fazer o perfil baseado nas declarações de quem conviveu com ele.

Romário topou. Deu sugestões de fontes e queria que todos fossem ouvidos. Segundo o autor, opinou sobre os entrevistados, mas não vetou nenhum e gostou do produto final dizendo que tudo o que foi escrito era verdade. Mas sentiu falta de algumas "porradinhas" dos entrevistados.

Ele "esperava mais" de Vanderlei Luxemburgo, com quem trabalhou na Seleção Brasileira e no Flamengo e colecionou algumas desavenças. Os dois estiveram próximos de trabalhar juntos de novo: uma no Fluminense, quando Romário o convidou para dirigir o time e outra no Palmeiras, em 2002.

Aliás, uma das frustações do atacante foi não ter jogado no futebol paulista. Além do Palmeiras, ele esteve muito próximo de acertar com o Corinthians, no fim de 2005. Antonio Lopes, então técnico do Corinthians, diz no livro que não vetou o atacante, apenas ponderou aos dirigentes que com Tevez e Nilmar em grande fase a disputa pelas vagas do ataque poderiam trazer problemas.

As declarações

Não houve vetos de Romário, mas uma pessoa não quis dar declarações sobre o jogador. Gilson Nunes, técnico da Seleção Sub-20 que se preparava para disputar o Mundial da categoria em 1985, cortou Romário da delegação por ato de indisciplina. Romário acha que merecia punição, mas não ao ponto de ser cortado.

"Gilson Nunes não quis falar. Ele disse que já tinha falado muito sobre o episódio e que as pessoas não o entenderam bem. Então ele não quis falar. Mas o Romário não colocou empecilho algum", explica o autor.

Outro com quem Romário teve problemas - até mesmo na Justiça Civil -, o técnico Zagallo topou falar sobre Romário. Mas apenas sobre o Romário jogador. Na Copa do Mundo de 98, Romário foi cortado da Seleção por problema muscular. Contrariado, o ex-atacante pintou no antigo bar Café do Gol uma caricatura do ex-treinador sentado num vaso sanitário. Zagallo abriu processo e ganhou.

Na mesma semana em que foi preso por causa da falta de pagamento da pensão alimentícia, a Justiça do Rio penhorou as contas do atacante para o pagamento de mais de R$ 635 mil que ele tem de pagar para Zagallo.

Deixando os problemas de lado - o lema do herói do tetracampeonato da Seleção em 1994, segundo o autor -, Romário ficou emocionado com o depoimento do Tio Ney, que o tem como filho.

"Ele gostou de todos os depoimentos, mas em especial a parte da infância, do Tio Ney e da Tia Nelza, que ajudaram a criá-lo. Eles eram muito pobres e Romário os ajudou a construir uma casa emprestando US$ 40 mil. Eles juntaram uma grana depois para pagar, mas Romário não quis, disse que quem devia alguma coisa era ele para os tios", conta o autor.

O primeiro a gente nunca esquece

Marcus Vinícius é casado com Josinete, de 43 anos, e pai de Caroline, 17 e Camila, 13. Jornalista de profissão, resolveu escrever sobre o cara que era sua fonte, depois virou amigo e por fim patrão. "Romário" é seu primeiro livro.

Por este motivo que ele preferiu fazer um perfil com declarações de quem conviveu com Romário ao longo de sua carreira do que uma biografia, que levaria mais do que os dois anos gastos entre entrevistas, redação e aprovação do personagem principal.

"Foi meu primeiro livro e achei que dessa forma não demoraria tanto. Seria mais rápido. Foi uma coisa para todas as pessoas o conhecerem melhor. E também uma forma de homenageá-lo", explica o autor.

Uma segunda edição não está descartada. Depois de finalizado, Romário e autor deram conta que faltavam depoimentos, como o do técnico da Seleção Brasileira Dunga, que em 1994 foi seu companheiro de quarto na conquista do tetracampeonato. Marcus quer mostrar também a nova vida de Romário, como dirigente do América. Até mesmo os problemas judiciais ele pretende abordar, se o entrevistado autorizar.

"Quem sabe numa segunda edição eu consiga fazer uma coisa melhor com o próprio Romário, já que ele é rico de histórias. Ele está agora no América, gostando da idéia de ser diretor. Se ele autorizar conto também os problemas judiciais. Mas sem autorização não dá", admite o autor, que gostou da experiência e pretende repetir o projeto com outras personalidades do esporte.

"São muitas as histórias, até mesmo com os técnicos de futebol, de bastidores. Temos muitos jogadores que dão um bom livro. Penso em fazer isso sim, gostei da idéia e quero repetir", disse o autor, flamenguista de coração, que classificou como maravilhosa a passagem do jogador pelo rubro-negro carioca. Foi ali que se iniciou a amizade entre o craque e o jornalista.

Especial para Terra